Há uma ironia profunda quando aquele que procura silenciar os outros se vê, por força das circunstâncias, reduzido ao silêncio. Na segunda-feira, Donald Trump inaugurou o novo heliporto da Casa Branca num momento em que as principais televisões americanas o ignoravam por solidariedade com os órgãos de imprensa que havia banido — e o ruído do próprio Marine One abafou as suas palavras durante cinco minutos na única transmissão disponível. A cruzada contra a imprensa livre devolveu ao Presidente aquilo que ele tentara impor aos outros: a ausência de voz pública.