Trump questiona eleição brasileira e Alckmin rebate: “totalmente equivocada”

"Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos"
Trump recuou ao ser perguntado se faria algo sobre a eleição brasileira, depois de dizer que ela pareceu fraudada.
Mark

O que exatamente Trump disse sobre a eleição?

Mimi

Que ela pareceu ruim e "fraudada", por causa da prorrogação da votação. Mas não explicou o que queria dizer.

Luke

E vale notar: ele não apresentou prova alguma. É uma impressão dita a jornalistas, não uma constatação.

Mark

Por que a votação foi prorrogada?

Mimi

Houve restrições no transporte coletivo em várias cidades, e o ministro Cristiano Zanin estendeu o horário por duas horas, até as 19h.

Mark

A diferença de votos foi pequena?

Mimi

Lula teve mais de 64 milhões, Flávio Bolsonaro 59,8 milhões.

Luke

Os números estão na reportagem, mas ela não diz se a prorrogação teve efeito sobre o resultado. Isso fica em aberto.

Mark

E Trump disse que pretende fazer algo?

Mimi

Não. Disse que não governa o Brasil e que gosta de Lula.

Luke

Ao mesmo tempo, diz que foi imparcial, enquanto os democratas americanos o acusam, em carta, de agir a favor de Flávio. É a visão deles, não um fato apurado aqui.

  • Trump lançou a suspeita de fraude sem apresentar nenhuma prova, deixando no ar uma dúvida que contrasta com um resultado sem margem apertada.
  • A prorrogação da votação por duas horas, determinada pelo STF após relatos de restrições ao transporte, virou o pretexto de uma polêmica internacional.
  • Alckmin rebateu com firmeza, classificando a fala como equivocada e defendendo a urna eletrônica como modelo para o mundo.
  • Trump recuou, dizendo que não governa o Brasil e que apenas acompanhou o processo, enquanto a agenda comercial com Washington segue como o próximo capítulo a observar.

Num dia em que o Brasil ainda digeria o resultado de uma eleição decidida nas urnas, a voz de um líder estrangeiro voltou a tocar numa ferida antiga: a desconfiança sobre a integridade do voto. Donald Trump, ao comentar o pleito de domingo, disse que a votação 'pareceu fraudada' por causa da prorrogação do horário, sem trazer provas nem aprofundar a acusação. A resposta do vice-presidente Geraldo Alckmin lembrou um princípio simples e antigo: nenhuma nação deve se intrometer na escolha de outra, e a democracia se sustenta em aceitar derrotas e vitórias.

Na segunda-feira (26), um dia após o segundo turno, Donald Trump comentou a eleição brasileira e afirmou que o pleito 'pareceu ruim' e 'fraudado', citando a prorrogação do horário de votação. A declaração veio sem provas e sem aprofundamento, e ecoou o discurso do candidato derrotado, o senador Flávio Bolsonaro.

A extensão da votação por duas horas, decidida pelo ministro do STF Cristiano Zanin no domingo, havia sido uma resposta a relatos de restrições no transporte coletivo em várias cidades. O resultado, porém, não foi apertado: Lula foi reeleito com mais de 64 milhões de votos, contra cerca de 59,8 milhões de Flávio.

Ao ser questionado se poderia agir sobre a eleição, Trump recuou. Disse que governa os Estados Unidos, que gosta de Lula e que não escolheu lado.

Alckmin respondeu em entrevista à TV Vanguarda. Chamou a opinião de 'totalmente equivocada', lembrou que nenhum país se intromete na política de outro e afirmou que a democracia é isso mesmo: ganha-se, perde-se, e quem decide é o povo. Aproveitou para falar da negociação com Washington sobre o tarifaço e citou novos acordos do Mercosul com Singapura, União Europeia e Canadá, além de recorde de exportações.

A fala de Trump também contrasta com um movimento no Congresso americano: em setembro, 31 democratas pediram à Casa Branca que não interferisse em favor de Flávio. Agora, encerrada a eleição, o foco volta para a relação comercial entre os dois países.

Na segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou com jornalistas e disse que a eleição brasileira "pareceu ruim", pelo jeito como foi organizada. O motivo que apontou foi a prorrogação do horário de votação. "Muito estranho", afirmou. Segundo ele, o pleito "pareceu fraudado", mas não aprofundou a acusação.

A prorrogação aconteceu no domingo (25). Depois de registros de restrições na circulação do transporte coletivo em várias cidades do país, o ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin decidiu estender a votação por duas horas, até as 19h. A fala de Trump ecoa o posicionamento da campanha do candidato derrotado, o senador Flávio Bolsonaro.

O resultado, porém, não foi apertado. Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com mais de 64 milhões de votos, e Flávio Bolsonaro somou 59,8 milhões.

Questionado por um jornalista sobre se poderia fazer algo em relação à eleição no Brasil, Trump recuou. Disse que não governa o Brasil, mas os Estados Unidos, que gosta de Lula e que se dá muito bem com ele. Afirmou ainda que não escolheu um lado na disputa e que apenas acompanhou o processo.

A resposta brasileira veio do vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin, em entrevista à TV Vanguarda, do interior de São Paulo. Ele classificou a opinião de Trump como "totalmente equivocada". Lembrou que não se interfere na política de outro país, o que chamou de regra basilar, e que não há referencial para a afirmação. Para Alckmin, o Brasil é exemplo para o mundo em urna eletrônica e segurança jurídica. "Democracia você ganha eleição, você perde. É o povo que decide", disse.

Alckmin aproveitou para tratar do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que inviabilizou a entrada de alguns produtos brasileiros naquele mercado. Disse que, encerrada a eleição, o governo seguirá negociando com Washington por um bom acordo. Citou a abertura de outros mercados: os acordos Mercosul-Singapura e Mercosul-União Europeia já fechados, e o Mercosul-Canadá, que segundo ele está bem encaminhado. Afirmou que, mesmo com o tarifaço, o Brasil bateu recorde de exportação.

A declaração de imparcialidade de Trump contrasta com o histórico recente. Parlamentares americanos chegaram a formalizar um pedido à Casa Branca para que ele não interferisse em favor de Flávio, o que mostra que o apoio declarado do presidente ao candidato derrotado não era consenso em Washington. Em 24 de setembro, 31 parlamentares do Partido Democrata enviaram uma carta citando um "esforço coordenado" do governo Trump para ameaçar a aliança estratégica com o Brasil e enfraquecer a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental às vésperas da eleição.

Na carta, os democratas acusam o governo de adotar uma série de medidas para tentar garantir a vitória de Flávio Bolsonaro. Entre elas estão o tarifaço, apontado como forma de evitar a condenação de Jair Bolsonaro por golpe de Estado, e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Com a eleição encerrada, a negociação comercial entre os dois países é o próximo ponto a acompanhar.

Totalmente equivocada. Primeiro, não se interfere na política de outro país. Isso é uma regra basilar.
— Geraldo Alckmin, vice-presidente reeleito
Acho que pareceu ruim a eleição, o jeito que foi organizada, com a prorrogação. Muito estranho.
— Donald Trump, presidente dos EUA
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