Num momento em que o Brasil acabara de escolher seu presidente, a voz de Washington tentou lançar dúvida sobre o resultado, e a resposta veio de dentro do próprio governo reeleito. Donald Trump, ao comentar a eleição de domingo, afirmou que o pleito 'pareceu fraudado' por causa da prorrogação da votação, sem apresentar provas. O vice-presidente Geraldo Alckmin reagiu lembrando que nenhuma nação deve se intrometer na política alheia e que as urnas brasileiras são motivo de orgulho. A cena revela como a disputa interna de um país pode ecoar além das suas fronteiras, testando a confiança que um p
Trump questiona eleição brasileira; Alckmin rebate e diz que declaração é “equivocada”
"Democracia você ganha eleição, você perde. É o povo que decide"
Trump disse que a eleição brasileira "pareceu fraudada". Qual foi a base?
Só a prorrogação da votação em duas horas, até as 19h, decidida por Cristiano Zanin depois de restrições no transporte coletivo em várias cidades.
E vale marcar: ele disse que "pareceu", e não aprofundou. Nenhuma prova de fraude aparece na reportagem.
Ele chegou a dizer que faria algo a respeito?
Não. Disse que governa os Estados Unidos, não o Brasil, e que se dá bem com Lula.
Como Alckmin respondeu?
Chamou a opinião de totalmente equivocada, disse que não se interfere na política de outro país e defendeu a urna eletrônica.
Ele também afirmou que não há referencial para a acusação. Isso é a avaliação dele, mas bate com o fato de Trump não ter apresentado nada.
E a diferença de votos?
Lula teve mais de 64 milhões, Flávio Bolsonaro 59,8 milhões.
Sobre a neutralidade que Trump alega: a carta de 31 democratas fala em esforço coordenado. É uma acusação desses parlamentares, não um fato apurado pela reportagem.
E o tarifaço segue no horizonte: Alckmin diz que as negociações continuam.
El Pulso
- Trump declarou que a eleição brasileira 'pareceu fraudada' e chamou o caso de 'muito estranho', sem sustentar a acusação com nenhum dado.
- A suspeita recai sobre a prorrogação de duas horas da votação determinada no domingo para aliviar restrições no transporte coletivo.
- Alckmin rebateu com firmeza, classificando a opinião como totalmente equivocada e defendendo a urna eletrônica como modelo para o mundo.
- Mesmo após a derrota de Flávio Bolsonaro, a tensão diplomática permanece, com o comércio bilateral ainda sob o peso do tarifaço.
- Nos Estados Unidos, parlamentares democratas questionam a interferência do governo Trump, e a negociação comercial com Washington segue como o próximo teste.
Num momento em que o Brasil acabara de escolher seu presidente, a voz de Washington tentou lançar dúvida sobre o resultado, e a resposta veio de dentro do próprio governo reeleito. Donald Trump, ao comentar a eleição de domingo, afirmou que o pleito 'pareceu fraudado' por causa da prorrogação da votação, sem apresentar provas. O vice-presidente Geraldo Alckmin reagiu lembrando que nenhuma nação deve se intrometer na política alheia e que as urnas brasileiras são motivo de orgulho. A cena revela como a disputa interna de um país pode ecoar além das suas fronteiras, testando a confiança que um povo deposita em seu próprio sistema.
Na segunda-feira, um dia após o segundo turno, Donald Trump comentou a eleição brasileira e disse que o processo lhe pareceu fraudado, apontando como motivo a prorrogação da votação. 'Muito estranho', resumiu, sem aprofundar a acusação nem apresentar qualquer prova. Sua fala ecoa a campanha de Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula, que foi reeleito com mais de 64 milhões de votos.
A prorrogação foi decidida pelo ministro do STF Cristiano Zanin no domingo, após registros de restrições no transporte coletivo em várias cidades, e ampliou a votação em duas horas. Quando perguntado se faria algo a respeito, Trump recuou: disse que governa os Estados Unidos, não o Brasil, que gosta de Lula e que não escolheu lado.
Alckmin respondeu em entrevista à TV Vanguarda, chamando a opinião de 'totalmente equivocada'. Lembrou que não se interfere na política de outro país e que o Brasil é exemplo em urna eletrônica e segurança jurídica. 'Democracia você ganha eleição, você perde. É o povo que decide', afirmou. Em seguida, tratou do tarifaço e disse que o governo seguirá negociando com Washington, citando acordos com Singapura e União Europeia e o avanço das conversas com o Canadá.
A tese de neutralidade de Trump também encontra resistência nos próprios Estados Unidos, onde 31 democratas já haviam alertado, em setembro, para um esforço coordenado de Washington para influenciar a eleição brasileira.
Na segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno das eleições brasileiras, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou com jornalistas e disse que o processo eleitoral do Brasil lhe pareceu ruim. Segundo ele, a eleição "pareceu fraudada", e o motivo que apontou foi a prorrogação do horário de votação. "Muito estranho", resumiu. Ele não aprofundou a acusação nem apresentou elementos para sustentá-la.
A fala ecoa o posicionamento da campanha de Flávio Bolsonaro, o candidato derrotado. O senador somou 59,8 milhões de votos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com mais de 64 milhões.
A prorrogação à qual Trump se referiu ocorreu no domingo (25). Depois de registros de restrições na circulação do transporte coletivo em várias cidades do país, o ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin decidiu ampliar o horário da votação por duas horas, até as 19h.
Quando um jornalista perguntou se poderia fazer algo em relação às eleições brasileiras, Trump recuou. Disse que não governa o Brasil, mas os Estados Unidos, e que tem boa relação com Lula: "eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele". Afirmou também que não escolheu lado na corrida presidencial brasileira e que apenas acompanhou o processo.
A resposta veio do vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin, em entrevista à TV Vanguarda, do interior de São Paulo. Ele chamou a opinião de Trump de "totalmente equivocada". Para Alckmin, não se interfere na política de outro país, e isso é uma regra básica. Disse ainda que não há referencial para a afirmação e que o Brasil é exemplo para o mundo em urna eletrônica e segurança jurídica. "Democracia você ganha eleição, você perde. É o povo que decide", afirmou.
Alckmin passou então ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que inviabilizou a entrada de alguns produtos brasileiros no mercado americano. Segundo ele, encerrada a eleição, o governo continuará negociando com Washington para chegar a um bom acordo. Citou a abertura de mercados como alternativa: os acordos Mercosul-Singapura e Mercosul-União Europeia já fechados e o acordo Mercosul-Canadá, que, segundo ele, está bem encaminhado. Acrescentou que, mesmo com o tarifaço, o Brasil bateu recorde de exportação.
A tese de neutralidade de Trump encontra contestação nos próprios Estados Unidos. Parlamentares americanos formalizaram à Casa Branca um pedido para que ele não interferisse em favor de Flávio, o que mostra falta de consenso sobre o apoio declarado do presidente ao candidato derrotado. Em 24 de setembro, 31 parlamentares do Partido Democrata enviaram uma carta em que falavam em "esforço coordenado" do governo Trump para ameaçar a aliança estratégica com o Brasil e enfraquecer a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental às vésperas da eleição.
Na carta, os democratas acusam o governo Trump de adotar uma série de medidas para tentar garantir a vitória de Flávio Bolsonaro. Entre elas estariam o tarifaço, apresentado como forma de evitar a condenação de Jair Bolsonaro por golpe de Estado, e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Passada a eleição, o que se acompanha agora é se as negociações comerciais avançam com Washington.
Citas Notables
Totalmente equivocada. Primeiro, não se interfere na política de outro país.— Geraldo Alckmin, vice-presidente reeleito
Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos.— Donald Trump, presidente dos EUA