Em um momento em que a guerra na Ucrânia completa mais de três anos de destruição, Donald Trump anunciou uma sequência diplomática de alto risco: um encontro bilateral com Vladimir Putin no Alasca, seguido, se as condições permitirem, por uma reunião tripartida com Volodimir Zelensky. A iniciativa carrega o peso de uma aposta — a de que a presença pessoal e a pressão americana possam dobrar uma vontade que, como o próprio Trump admitiu, já ignorou promessas feitas em conversas anteriores. A história observa com cautela: entre o que se negocia em salas fechadas e o que acontece nas ruas de cida
Trump quer reunião tripartida com Putin e Zelensky quase imediatamente
Vi um foguete atingir um asilo, há pessoas mortas na rua
Por que Trump quer fazer duas reuniões em vez de uma só? Por que não trazer Zelensky direto para a primeira?
Porque Trump vê a primeira reunião como um teste. Ele quer saber se Putin está realmente disposto a negociar antes de trazer Zelensky à mesa. Se Putin disser não, ou se Trump achar que Putin está blefando, ele cancela tudo.
Mas Trump reconhece que já conversou várias vezes com Putin sobre parar ataques a civis, e os ataques continuam. Então qual é a base para acreditar que uma conversa a mais vai mudar algo?
Essa é a tensão real da história. Trump está apostando que uma reunião presencial, com mais tempo e contexto, pode funcionar onde telefonemas não funcionaram. Mas ele mesmo admite que viu foguetes atingindo asilos depois de promessas anteriores.
E se a primeira reunião não correr bem? Trump disse que cancela a segunda. Isso significa que Zelensky fica de fora?
Exatamente. Se Trump sair da reunião com Putin achando que não há base para negociar, ele não chama Zelensky. A segunda reunião simplesmente não acontece.
Trump também mencionou "consequências muito graves" para a Rússia, mas não disse quais são. Isso é uma ameaça real ou é retórica?
Ele não entrou em detalhes, então não sabemos. Pode ser sanções, pode ser apoio militar aumentado para a Ucrânia, pode ser algo que ele ainda não decidiu.
E Zelensky? Ele sabe que pode estar sendo deixado de fora se a primeira reunião não correr bem?
Trump disse que teve uma ligação "muito cordial" com Zelensky, então provavelmente conversaram sobre os planos. Mas Zelensky está em uma posição frágil — ele quer que a guerra termine, mas não quer ser excluído das negociações.
A questão maior é: Trump realmente acredita que pode fazer Putin parar, ou ele está apenas tentando parecer que está fazendo algo?
El Pulso
- Trump anunciou uma diplomacia em duas etapas — primeiro Putin no Alasca na sexta-feira, depois, se tudo correr bem, uma reunião tripartida com Zelensky 'quase imediatamente'.
- A tensão está embutida na própria estrutura do plano: Trump reservou para si o poder de cancelar a segunda reunião caso a primeira não produza respostas que ele considere adequadas.
- A Rússia foi avisada de que enfrentará 'consequências muito graves' se recusar aceitar o fim da guerra, mas Trump não especificou quais seriam essas consequências.
- O próprio Trump corroeu parte do seu otimismo ao admitir que já pediu a Putin que pare de atacar civis — e que, ao chegar em casa, viu foguetes atingindo asilos e prédios de apartamentos com mortos nas ruas.
- Antes dos anúncios, Trump descreveu suas conversas com líderes europeus e com Zelensky como 'muito, muito cordiais', dando nota 10 à ligação com o presidente ucraniano — sinais de que a diplomacia está em movimento, mas sem garantias.
Em um momento em que a guerra na Ucrânia completa mais de três anos de destruição, Donald Trump anunciou uma sequência diplomática de alto risco: um encontro bilateral com Vladimir Putin no Alasca, seguido, se as condições permitirem, por uma reunião tripartida com Volodimir Zelensky. A iniciativa carrega o peso de uma aposta — a de que a presença pessoal e a pressão americana possam dobrar uma vontade que, como o próprio Trump admitiu, já ignorou promessas feitas em conversas anteriores. A história observa com cautela: entre o que se negocia em salas fechadas e o que acontece nas ruas de cidades ucranianas, há uma distância que foguetes continuam a medir.
Donald Trump anunciou nesta quarta-feira uma sequência de encontros diplomáticos pensada como um processo de duas etapas. Primeiro, uma reunião bilateral com Vladimir Putin na sexta-feira, em uma base militar americana no Alasca. Depois, se o encontro produzir resultados encorajadores, uma reunião tripartida que incluiria o presidente ucraniano Volodimir Zelensky — tudo isso em um intervalo que Trump descreveu como 'quase imediatamente'.
A lógica apresentada pelo presidente americano era direta: o encontro de sexta-feira serviria para avaliar se Putin demonstra disposição genuína em discutir o fim da guerra. 'Podemos alcançar grandes coisas na primeira reunião, mas ela prepara o terreno para uma segunda', explicou. Caso as respostas não fossem satisfatórias, a segunda reunião simplesmente não aconteceria — Trump deixou claro que tinha poder de veto sobre todo o processo.
Ao mesmo tempo, Trump sinalizou que a Rússia enfrentaria 'consequências muito graves' caso recusasse aceitar o encerramento do conflito, sem detalhar quais seriam essas consequências. Mas foi em um momento de honestidade involuntária que o discurso ganhou sua camada mais reveladora: questionado sobre se acreditava poder convencer Putin a parar de atacar civis, Trump reconheceu já ter tido essa conversa várias vezes com o líder russo — e que, ao voltar para casa, via foguetes atingindo asilos e prédios de apartamentos, com pessoas mortas nas ruas. 'Então, acho que a resposta é não', disse.
Antes dos anúncios, Trump havia falado com líderes europeus e com Zelensky, descrevendo as conversas como 'muito, muito cordiais' e dando nota 10 à ligação com o presidente ucraniano. O otimismo era cuidadoso. A diplomacia estava em movimento, as peças sendo posicionadas — mas entre o que se promete em reuniões de cúpula e o que acontece nas cidades ucranianas, a distância, como Trump mesmo sugeriu, pode ser medida em foguetes.
Donald Trump anunciou nesta quarta-feira que pretende organizar uma sequência de encontros diplomáticos de alto risco: primeiro com Vladimir Putin na sexta-feira em uma base militar americana no Alasca, depois uma reunião tripartida que incluiria o presidente ucraniano Volodimir Zelensky, tudo isso em um espaço de tempo comprimido que Trump descreveu como "quase imediatamente".
O presidente americano apresentou a estratégia em coletiva de imprensa como um processo de duas etapas. O encontro de sexta-feira serviria como preparação do terreno, um espaço para avaliar se as negociações poderiam avançar. "Podemos alcançar grandes coisas na primeira reunião, será um encontro muito importante, mas que prepara o terreno para uma segunda reunião", explicou. A lógica era clara: se Putin demonstrasse disposição genuína em conversar sobre encerrar a guerra que Moscou trava na Ucrânia há mais de três anos, Trump convocaria rapidamente Zelensky para uma negociação tripartida.
Mas Trump também deixou claro que tinha poder de veto sobre todo o processo. Caso o encontro de sexta-feira não produzisse o que ele considerasse respostas adequadas, a segunda reunião simplesmente não aconteceria. "Se eu considerar que não é seguro realizá-la porque não obtivemos as respostas possíveis, então não haverá uma segunda reunião", afirmou. Ele também sinalizou que a Rússia enfrentaria "consequências muito graves" se recusasse aceitar o fim da guerra, embora tenha evitado especificar quais seriam essas consequências.
A confiança de Trump em sua capacidade de persuasão, porém, chocava-se com a realidade que ele próprio descreveu. Um jornalista perguntou se ele acreditava poder convencer Putin a parar de atacar civis. Trump respondeu que já havia tido essa conversa várias vezes com o líder russo. "E então cheguei em casa e vi que um foguete atingiu um asilo, ou um foguete atingiu um prédio de apartamentos, e há pessoas mortas na rua. Então, acho que a resposta é não", disse, reconhecendo implicitamente a lacuna entre o que Putin promete e o que Putin faz.
Antes de anunciar esses planos, Trump havia mantido contato com líderes europeus, incluindo Zelensky. Ele descreveu essas conversas como "muito, muito cordiais" e disse ter dado nota 10 para a ligação com o presidente ucraniano. O tom era de otimismo cuidadoso — a diplomacia estava em movimento, as peças estavam sendo posicionadas, mas nada estava garantido.
O que Trump estava tentando fazer era claro: usar a primeira reunião como teste de intenções, e se Putin passasse nesse teste, convocar rapidamente uma negociação tripartida onde as três partes pudessem discutir os termos de um acordo. A guerra na Ucrânia, que já havia consumido mais de três anos, poderia estar entrando em uma nova fase diplomática — ou Trump poderia estar descobrindo, como sugeriu sua própria observação sobre os foguetes e os civis mortos, que algumas promessas não valem o papel em que são escritas.
Citas Notables
Podemos alcançar grandes coisas na primeira reunião, será um encontro muito importante, mas que prepara o terreno para uma segunda reunião— Donald Trump
Se eu considerar que não é seguro realizá-la porque não obtivemos as respostas possíveis, então não haverá uma segunda reunião— Donald Trump