Teerã permanecia em silêncio enquanto Washington celebrava o iminente acordo
Trump promete assinatura de acordo neste domingo, seu 80º aniversário, com reabertura imediata do Estreito de Ormuz para o comércio mundial. Irã nega confirmação oficial e diplomacia iraniana sugere assinatura nos próximos dias, não no domingo, mantendo incerteza sobre cronograma.
- Trump prometeu assinatura no domingo, seu 80º aniversário, com reabertura imediata do Estreito de Ormuz
- Irã não confirmou a assinatura e sugeriu que ela ocorreria nos próximos dias, não no domingo
- Bombardeios israelenses no Líbano causaram mais de 3.700 mortes desde março
- Negociações enfrentam impasses sobre programa nuclear, controle do Estreito de Ormuz, levantamento de sanções e inclusão do Líbano
- Rascunho de protocolo iraniano inclui desbloqueio de 24 bilhões de dólares em fundos congelados
Trump afirma que EUA assinarão acordo com Irã neste domingo para encerrar guerra no Oriente Médio e reabrir Estreito de Ormuz, mas Teerã ainda não confirmou a informação.
Donald Trump anunciou no domingo que os Estados Unidos assinariam um acordo com o Irã naquele mesmo dia para encerrar a guerra no Oriente Médio e reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz ao comércio internacional. O presidente americano escolheu a data de seu 80º aniversário para fazer o anúncio em sua rede social Truth Social, afirmando que o estreito estaria "aberto para todos" assim que o documento fosse assinado. Mas enquanto Washington celebrava o iminente acordo, Teerã permanecia em silêncio.
A agência de notícias iraniana Fars divulgou na manhã de domingo que a República Islâmica ainda não havia tomado nem anunciado sua decisão final sobre o acordo. A diplomacia iraniana havia sugerido no sábado que a assinatura ocorreria nos próximos dias, mas não especificamente no domingo. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador do conflito, afirmou que o acordo seria assinado eletronicamente nas 24 horas seguintes, com detalhes a serem discutidos na semana posterior. Uma delegação do Catar, outro país mediador, desembarcou em Teerã no domingo, sinalizando que as negociações continuavam em andamento.
O conflito que essas negociações buscam encerrar começou em 28 de fevereiro, quando Israel e os Estados Unidos atacaram o Irã, que respondeu com bombardeios contra alvos americanos nos países do Golfo. Em 2 de março, o Líbano entrou na guerra quando o Hezbollah atacou Israel, provocando uma ofensiva israelense para "eliminar" o movimento xiita. Os bombardeios israelenses no Líbano causaram mais de 3.700 mortes desde março, de acordo com o governo libanês. Uma trégua em 8 de abril interrompeu a maioria dos ataques diretos entre Irã e Estados Unidos, mas não incluiu Israel nem paralisou a guerra no Líbano.
As negociações enfrentam impasses significativos em vários pontos cruciais. O programa nuclear iraniano permanece como questão central: Trump afirma que os Estados Unidos recuperarão o material enriquecido "no momento oportuno", enquanto Washington historicamente exigiu o "desmantelamento" completo do programa e a remoção do material do país. O controle do Estreito de Ormuz, vital para o comércio mundial de combustíveis e fertilizantes, é outra questão pendente. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, indicou que o texto em negociação prevê o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e uma nova gestão do estreito, controlado pelo Irã desde o início da guerra.
A agência iraniana Mehr publicou na sexta-feira um rascunho de protocolo em 14 pontos que inclui o direito ao enriquecimento de urânio e o desbloqueio rápido de 24 bilhões de dólares em fundos iranianos congelados no exterior — uma demanda crucial para uma economia asfixiada pelas sanções. A inclusão do Líbano no acordo também permanece em discussão, com Teerã exigindo que o país seja incluído nas negociações. Um funcionário de alto escalão do governo americano indicou que o Líbano está, de fato, incluído no acordo em discussão.
O anúncio de Trump não foi bem recebido por todos. Algumas possíveis concessões do acordo provocaram críticas entre líderes conservadores iranianos, e no sábado uma agência do país publicou um vídeo de dezenas de manifestantes gritando palavras de ordem contra o ministro das Relações Exteriores. No domingo, o Exército israelense informou que três drones lançados pelo Hezbollah a partir do Líbano atingiram o norte de Israel sem causar vítimas. Dois ministros de extrema direita do governo israelense pediram ataques de retaliação contra os subúrbios do sul de Beirute, reduto do Hezbollah.
Trump já havia anunciado sem sucesso acordos iminentes em várias ocasiões anteriores, o que alimenta ceticismo sobre o cronograma anunciado. A discrepância entre o anúncio americano de assinatura no domingo e a posição iraniana de que a assinatura ocorreria nos próximos dias deixa em aberto se o acordo será de fato assinado conforme Trump prometeu ou se as negociações continuarão se estendendo nas semanas seguintes.
Notable Quotes
A República Islâmica do Irã ainda não tomou, nem anunciou sua decisão final— Agência iraniana Fars, citando fonte bem informada
Imediatamente depois que for assinado, o Estreito de Ormuz estará aberto para todos— Donald Trump, em sua rede social Truth Social
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Trump escolheu justamente seu aniversário para anunciar esse acordo?
É uma escolha de timing político. Ele quer associar a data a uma vitória pessoal, a um legado. Mas a ironia é que Teerã não confirmou nada — então ele pode estar celebrando algo que ainda não existe.
E por que o Irã não confirma? Eles estão negociando há semanas.
Porque há impasses reais. O programa nuclear, o desbloqueio de 24 bilhões de dólares, o controle do Estreito de Ormuz — são questões que dividem os dois lados. E internamente, há pressão política contra qualquer acordo que pareça uma concessão.
Qual é o risco se isso não sair do jeito que Trump promete?
Credibilidade. Ele já fez promessas assim antes e não cumpriu. Se falhar novamente, enfraquece sua posição negociadora. E há o risco de escalada — se as negociações desmoronam, os ataques podem recomeçar.
E o Líbano nessa história? Por que é tão importante incluir o país?
Porque o Hezbollah está lá, e o Irã o apoia. Se o Líbano não estiver no acordo, a guerra continua. Já morreram mais de 3.700 pessoas desde março. Sem incluir o Líbano, você não encerra o conflito — apenas pausa uma parte dele.
Então esse acordo, se sair, seria um fim real da guerra?
Seria um fim parcial. Pararia os ataques diretos entre Irã e Estados Unidos, reabrira o Estreito de Ormuz, desbloquearia dinheiro iraniano. Mas a situação no Líbano, a dinâmica regional — isso levaria tempo para se resolver. Não é um fim limpo.