Num tempo em que grandes potências voltam a disputar territórios de fronteiras frias e pouco habitadas, a Groenlândia reaparece como peça de um jogo antigo: o da força, da riqueza subterrânea e da posição estratégica. O presidente Donald Trump, ao divulgar uma imagem que transforma a ilha em porta-aviões americano, reacende a tensão com a Dinamarca e com aliados europeus, enquanto as autoridades locais tentam separar a promessa da realidade. O que está em jogo é menos o petróleo imediato do que a pergunta sobre quem decide o futuro de um povo que busca autodeterminação.
Trump posta imagem da Groenlândia como porta-aviões dos EUA e volta a falar em exploração de petróleo
Uma exploração massiva, diz Trump; muito longe disso, responde a Groenlândia
Por que uma imagem na internet merece atenção?
Porque vem depois de ameaças repetidas de controlar a ilha e de um acordo, no mês passado, para baixar a tensão. A imagem do porta-aviões reforça a ideia da Groenlândia como ativo militar americano.
Mas é uma postagem, não uma política. O que está confirmado é que ela foi publicada, não que tenha consequência prática.
E a exploração "enorme" de petróleo?
O vice-ministro de Mineração, Jørgen Hammeken-Holm, diz que há atividades de empresas americanas, mas muito longe de algo massivo.
Aí há duas versões. A de Trump cita especialistas sem nomeá-los, e a do governo local é a de uma autoridade. Nenhuma traz números.
O que o acordo de 10 páginas diz sobre isso?
Reconhece a soberania dinamarquesa e a autodeterminação, prevê cooperação em minerais, mas não detalha petróleo e gás.
Ou seja, a promessa de Trump não tem lastro no texto conhecido. Já as bases em Narsarsuaq e Mestersvig estão previstas.
E os moradores?
Em agosto, a notícia de preparativos de uma petroleira americana no leste já havia preocupado moradores e autoridades.
Convém lembrar que não sabemos quão adiantados estão esses preparativos.
Der Puls
- Trump publicou uma imagem que apresenta a Groenlândia como porta-aviões dos EUA e prometeu uma exploração 'massiva' de petróleo, gás e minerais.
- O vice-ministro de Mineração groenlandês, Jørgen Hammeken-Holm, reconhece atividades de empresas americanas, mas diz que a escala está muito longe do que foi descrito.
- Europa e aliados da Otan reagem a ameaças de anexação que voltaram a ganhar força desde a volta de Trump à Casa Branca.
- Um acordo de 10 páginas prevê duas novas bases americanas, em Narsarsuaq e Mestersvig, somadas à de Pituffik.
- O destino dos projetos e da presença militar ainda está em aberto, e a reação de Copenhague será decisiva.
Num tempo em que grandes potências voltam a disputar territórios de fronteiras frias e pouco habitadas, a Groenlândia reaparece como peça de um jogo antigo: o da força, da riqueza subterrânea e da posição estratégica. O presidente Donald Trump, ao divulgar uma imagem que transforma a ilha em porta-aviões americano, reacende a tensão com a Dinamarca e com aliados europeus, enquanto as autoridades locais tentam separar a promessa da realidade. O que está em jogo é menos o petróleo imediato do que a pergunta sobre quem decide o futuro de um povo que busca autodeterminação.
O presidente Donald Trump publicou nas redes sociais uma imagem que mostra a Groenlândia como um porta-aviões americano. A postagem veio poucos dias depois de ele prometer uma 'enorme exploração' de petróleo, gás e minerais na ilha ártica, citando especialistas sobre a abundância de recursos e descrevendo a posição do território como 'insuperável' para a defesa dos Estados Unidos e da Europa.
Em Nuuk, as autoridades contestam a dimensão dessas promessas. Segundo o vice-ministro de Mineração, Jørgen Hammeken-Holm, há iniciativas de empresas americanas em andamento, mas em escala muito menor do que a anunciada.
A ilha, autônoma mas parte do Reino da Dinamarca, vive sob a sombra de ameaças de anexação que se repetem desde o retorno de Trump à Casa Branca e que irritam aliados europeus. No mês passado, EUA, Dinamarca e Groenlândia firmaram um acordo que reconhece a soberania dinamarquesa e o direito de autodeterminação dos groenlandeses, prevendo cooperação em minerais e desenvolvimento econômico, mas sem detalhar projetos de petróleo e gás.
O pacto também prevê a construção de duas bases militares americanas, em Narsarsuaq, no sul, e em Mestersvig, no leste, que se somarão à base de Pituffik. A ilha pesa estrategicamente por estar na rota mais curta de mísseis entre a Rússia e os EUA e por sua relevância para o projeto de escudo 'Domo Dourado'.
Agora, a dúvida é se as bases saem do papel, se algum projeto de petróleo avança além do que já existe e como Dinamarca e aliados reagirão à retórica do presidente.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nas redes sociais uma imagem em que a Groenlândia aparece representada como um porta-aviões americano. A postagem veio poucos dias depois de ele ter escrito sobre uma suposta exploração de petróleo, gás e minerais na ilha ártica.
Nessa mensagem anterior, Trump afirmou que uma "enorme exploração de petróleo, gás e minerais" estava prestes a começar na "nossa nova e bela Groenlândia". Citando especialistas, disse que a quantidade de petróleo facilmente disponível ali é muito maior do que a de praticamente qualquer lugar do mundo. Não deu detalhes sobre como seria a participação americana.
No mesmo texto, ele classificou a posição da Groenlândia como "insuperável" para a segurança dos Estados Unidos e da Europa. Segundo Trump, qualquer ataque futuro contra os americanos terá de atravessar a ilha, onde a defesa dos EUA derrubaria rotineiramente drones, mísseis ou qualquer outra arma, inclusive as que ainda nem foram concebidas.
O governo groenlandês contestou a descrição sobre o petróleo. Autoridades locais dizem que há iniciativas em andamento, mas em escala bem menor. Em entrevista à CNN, o vice-ministro de Mineração da Groenlândia, Jørgen Hammeken-Holm, reconheceu que há atividades de empresas dos EUA, mas afirmou que o território está muito longe de uma exploração "massiva".
Desde que voltou à Casa Branca, Trump tem repetido ameaças de assumir o controle da Groenlândia e de seus recursos naturais. A ilha é autônoma, mas integra o Reino da Dinamarca, e as declarações irritaram parceiros europeus e aliados da Otan.
No mês passado, Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia anunciaram um acordo para reduzir a tensão após as ameaças de anexação. O texto reconhece a soberania dinamarquesa e o direito dos groenlandeses à autodeterminação, e prevê cooperação em minerais e em desenvolvimento econômico, sem detalhar projetos de petróleo e gás.
Pelo pacto, de 10 páginas, os americanos construirão duas bases militares: uma em Narsarsuaq, no sul, e outra em Mestersvig, no leste. Elas se somarão à base de Pituffik, que já opera no norte.
A ilha é vista como estratégica por estar na rota mais curta para mísseis entre a Rússia e os EUA, e por sua localização ser relevante para o "Domo Dourado", projeto de escudo de defesa proposto por Trump. Tem ainda reservas de terras raras pouco exploradas e pode ganhar peso com a abertura de rotas marítimas no Ártico. Em agosto, notícias sobre preparativos de uma petroleira americana no leste da ilha já haviam gerado preocupação entre moradores e autoridades locais.
O que se acompanha agora é se as bases previstas no acordo saem do papel, se algum projeto de petróleo avança além do que existe hoje e como Dinamarca e aliados da Otan reagem à retórica do presidente.
Bemerkenswerte Zitate
Há atividades de empresas dos EUA, mas estamos muito longe de uma exploração 'massiva'.— Jørgen Hammeken-Holm, vice-ministro de Mineração da Groenlândia, à CNN
Uma enorme exploração de petróleo, gás e minerais está prestes a começar na nossa nova e bela Groenlândia!— Donald Trump, em postagem