Num movimento que reordena as prioridades da ajuda internacional, os Estados Unidos preparam-se para retirar o apoio à Gavi, a aliança que leva vacinas essenciais a crianças de países pobres, sobretudo na África, enquanto preservam o combate ao HIV e à tuberculose. A decisão, revelada por documentos obtidos pelo The New York Times, surge no mesmo momento em que um estudo da revista The Lancet alerta para milhões de novas infecções e centenas de milhares de mortes caso os cortes se consolidem. Permanece em aberto não apenas o efeito sobre a saúde de populações vulneráveis, mas também a própria
Trump planeja encerrar apoio à Gavi e cortar programas de vacinas e malária, segundo documentos
O apoio dos Estados Unidos para a Gavi é vital
Qual é o ponto central da reportagem?
Uma planilha mostra que os EUA querem encerrar o apoio à Gavi e as ações de vacinas e malária, mantendo HIV, tuberculose e ajuda alimentar em emergências.
E quem decidiu isso?
Segundo um porta-voz do Departamento de Estado, foi o secretário Marco Rubio, com o argumento de que algumas ações seriam inconsistentes com o interesse nacional.
Vale notar que o plano vem de documentos vistos pelo jornal, não de um anúncio oficial detalhado. A reportagem trabalha com o que a planilha mostra.
E a questão legal?
Programas de HIV e vacinação têm verba do Congresso. Não está claro se o governo pode encerrá-los sozinho, e uma disputa judicial é provável.
Isso é uma expectativa do jornal, não um fato consumado.
E os números do estudo da Lancet?
De 4,4 a 10,8 milhões de novas infecções por HIV em cinco anos e de 770 mil a 2,9 milhões de mortes até 2030, se os cortes não forem mitigados.
São projeções com margens amplas e dependem de cenários. Além disso, tratam de cortes de vários doadores, não só dos EUA. E o número de 8 milhões de vidas é da própria Gavi.
O Pulso
- Uma planilha sigilosa revela que vacinas e ações contra a malária devem ser suspensas, enquanto o HIV e a tuberculose seguem protegidos.
- A Gavi reagiu alertando que o apoio americano poderia salvar mais de 8 milhões de vidas nos próximos cinco anos.
- Cortes de US$ 40 bilhões na Usaid, decididos pelo secretário Marco Rubio, colocam a administração diante de uma disputa sobre seus poderes legais.
- Programas financiados pelo Congresso podem acabar nos tribunais, e a expectativa é de uma longa batalha judicial.
- Projeções da The Lancet apontam de 4,4 a 10,8 milhões de novas infecções por HIV, com maior impacto na África Subsaariana.
Num movimento que reordena as prioridades da ajuda internacional, os Estados Unidos preparam-se para retirar o apoio à Gavi, a aliança que leva vacinas essenciais a crianças de países pobres, sobretudo na África, enquanto preservam o combate ao HIV e à tuberculose. A decisão, revelada por documentos obtidos pelo The New York Times, surge no mesmo momento em que um estudo da revista The Lancet alerta para milhões de novas infecções e centenas de milhares de mortes caso os cortes se consolidem. Permanece em aberto não apenas o efeito sobre a saúde de populações vulneráveis, mas também a própria fronteira entre a vontade do Executivo e os recursos que o Congresso decidiu destinar.
Uma planilha sigilosa, obtida pelo The New York Times, mostra quais projetos de ajuda externa dos Estados Unidos serão encerrados e quais permanecerão de pé. Entre os que devem acabar está o apoio financeiro à Gavi, organização que compra imunizantes essenciais para crianças de países em desenvolvimento, sobretudo na África. As ações contra a malária também seriam suspensas, enquanto a doação de medicamentos contra HIV e tuberculose e a ajuda alimentar a países em guerra ou atingidos por desastres seguiriam adiante.
A Gavi, parceria público-privada idealizada pela Fundação Bill e Melinda Gates, reagiu nas redes dizendo que o apoio americano é vital e poderia salvar mais de 8 milhões de vidas em cinco anos. Já o Departamento de Estado afirmou que as rescisões foram decididas por Marco Rubio, por considerar algumas ações incompatíveis com o interesse nacional.
Há, porém, uma dúvida jurídica: programas como os de HIV e vacinação têm recursos definidos pelo Congresso, e não está claro se o governo pode encerrá-los. A expectativa é de uma batalha judicial.
O pano de fundo é um estudo da The Lancet que estima de 4,4 a 10,8 milhões de novas infecções por HIV em países de renda baixa e média nos próximos cinco anos, e entre 770 mil e 2,9 milhões de mortes relacionadas à Aids até 2030, caso os cortes dos principais doadores não sejam mitigados. O impacto pode recair sobretudo sobre a África Subsaariana e sobre populações vulneráveis. O que se observa agora é se os cortes serão formalizados e se os programas definidos pelo Congresso chegarão aos tribunais.
Uma planilha sigilosa, obtida pelo jornal The New York Times, mostra quais projetos de ajuda externa dos Estados Unidos devem ser encerrados e quais seguirão de pé. Entre os que vão acabar está o apoio financeiro à Gavi, a Aliança Mundial para Vacinas, organização que compra imunizantes essenciais para crianças de países em desenvolvimento, sobretudo na África.
Segundo o documento, o governo do presidente Donald Trump pretende suspender as ações ligadas a vacinas e ao combate à malária, entre outras. Algumas frentes serão preservadas: a doação de medicamentos para tratar HIV e tuberculose e a ajuda alimentar a países em guerra civil ou atingidos por desastres naturais.
A Gavi é uma parceria público-privada idealizada pela Fundação Bill e Melinda Gates. Em uma publicação na rede X, o perfil oficial da organização reagiu dizendo que o apoio americano é vital. Com ele, afirmou, seria possível salvar mais de 8 milhões de vidas nos próximos cinco anos e dar a milhões de crianças uma chance melhor de futuro saudável.
O documento detalha os cortes na Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, a Usaid, que devem reduzir em US$ 40 bilhões os gastos anuais. Um porta-voz do Departamento de Estado disse ao jornal que as rescisões foram decididas pelo secretário de Estado, Marco Rubio. De acordo com ele, algumas ações seriam inconsistentes com o interesse nacional ou com as prioridades da política da agência.
Há, porém, uma dúvida jurídica. Segundo o jornal, programas como os de HIV e de vacinação têm recursos alocados pelo Congresso, e não está claro se a administração tem poder legal para encerrá-los. A expectativa é de que o governo enfrente uma batalha judicial.
O pano de fundo é um estudo publicado na revista The Lancet no dia anterior. Os autores calcularam que pode haver de 4,4 milhões a 10,8 milhões de novas infecções por HIV nos próximos cinco anos em países de renda baixa e média, caso os cortes propostos pelos principais doadores, incluindo Estados Unidos e Reino Unido, não sejam mitigados. A estimativa de mortes relacionadas à Aids, em crianças e adultos, vai de 770 mil a 2,9 milhões até 2030.
O maior impacto pode recair sobre a África Subsaariana e sobre populações vulneráveis: pessoas que injetam drogas, profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens e crianças. Desde 2015, doadores internacionais respondem por cerca de 40% de todo o financiamento de ações contra o HIV nesses países, e Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Holanda concentram mais de 90% desse orçamento internacional.
Todos eles anunciaram cortes recentes, numa redução projetada de 24% até 2026. O governo Trump, maior contribuinte da ajuda externa, pausou todos os repasses em 20 de janeiro, para uma avaliação de 90 dias. Debra ten Brink, coautora do artigo e pesquisadora do Instituto Burnet, na Austrália, defendeu garantir financiamento sustentável para evitar o ressurgimento da epidemia, com consequências possivelmente devastadoras na África Subsaariana e no mundo.
O que observar agora é se os cortes serão formalizados e se os programas definidos pelo Congresso irão parar nos tribunais.
Citações Notáveis
O apoio dos Estados Unidos para a Gavi é vital; com ele, podemos salvar mais de 8 milhões de vidas nos próximos cinco anos.— Perfil oficial da Gavi no X
É imperativo garantir financiamento sustentável e evitar o ressurgimento da epidemia de HIV.— Debra ten Brink, Instituto Burnet, coautora do estudo da The Lancet