Trump garante controlo total do estreito de Ormuz apesar do bloqueio iraniano

Pelo menos seis pessoas mortas num ataque a navio de bandeira alemã no mar Vermelho, incluindo três cidadãos paquistaneses, com um ferido.
Não há nada que o Irão possa fazer a esse respeito
Trump afirma controlo americano sobre o estreito de Ormuz apesar do bloqueio iraniano contínuo.
Mark

Quando Trump diz que tem "controlo total" do estreito de Ormuz, o que é que isso significa na prática se o Irão continua a bloquear a passagem?

Mimi

É uma questão de perspectiva e poder. Trump está a afirmar que os EUA têm capacidade militar superior e que podem impor a sua vontade — o bloqueio naval aos portos iranianos é real. Mas o Irão também tem poder: consegue manter o estreito fechado. É um impasse.

Mark

Portanto, nenhum dos lados está realmente a vencer?

Mimi

Exatamente. O Irão está isolado economicamente, com inflação galopante e forças militares degradadas. Mas consegue ainda bloquear uma das rotas comerciais mais importantes do mundo. Ambos pagam um preço.

Mark

E o Paquistão? Por que é que um país mediador está tão envolvido nisto?

Mimi

O Paquistão tem interesse direto. Fica entre o Irão e a Arábia Saudita, e qualquer escalada afeta a sua segurança. Além disso, tem cidadãos a trabalhar em navios comerciais — três paquistaneses morreram naquele ataque houthi.

Mark

Os houthis parecem ser um problema crescente. Estão a abrir uma segunda frente?

Mimi

Não é exatamente uma segunda frente — é mais uma complicação. Os houthis atacam navios há meses, mas agora que o estreito de Ormuz está fechado, o mar Vermelho tornou-se ainda mais crítico para o comércio global. Cada ataque tem consequências maiores.

Mark

Trump mencionou escassez de mísseis. Isso muda a dinâmica?

Mimi

Sugere que os EUA não podem manter uma campanha militar indefinida. A pressão económica que Trump diz querer aplicar é talvez a única estratégia sustentável neste momento — mas requer paciência, e isso não é exatamente a marca registada dele.

Mark

O memorando expira segunda-feira. O que acontece então?

Mimi

Teoricamente, o cessar-fogo termina. Mas o Paquistão está a trabalhar para uma prorrogação. Se não conseguir, voltamos aos ataques — e desta vez, ambos os lados estarão ainda mais desgastados.

  • Trump declarou controlo total sobre o estreito de Ormuz, descrevendo o Irão como militarmente destruído e economicamente arruinado — mas o bloqueio iraniano da passagem permanece em vigor.
  • O memorando de entendimento assinado em junho, que suspendia as hostilidades por 60 dias para negociar o programa nuclear iraniano, expira na próxima segunda-feira sem avanços visíveis.
  • Um duplo ataque huthi a um navio de bandeira alemã no mar Vermelho matou pelo menos seis pessoas, incluindo três cidadãos paquistaneses, abrindo uma nova frente de instabilidade regional.
  • O Paquistão tenta mediar a retomada das conversações, com reuniões em Islamabad e Teerão, e o seu porta-voz sinalizou que o prazo do acordo poderá ser prorrogado.
  • Relatórios sobre escassez de mísseis norte-americanos e a retórica de controlo total de Trump criam uma tensão entre a imagem projetada de força e as limitações operacionais reais.

No cruzamento entre a retórica do poder e a fragilidade da diplomacia, Donald Trump proclamou esta quarta-feira o controlo absoluto dos Estados Unidos sobre o estreito de Ormuz — uma das artérias mais vitais do comércio mundial de petróleo. As negociações com o Irão, já suspensas por semanas de hostilidades mútuas, aproximam-se de um prazo crítico na segunda-feira, enquanto o mar Vermelho se torna palco de uma nova frente de violência. A história regista, uma vez mais, que as palavras dos líderes e a realidade dos conflitos raramente habitam o mesmo espaço.

Donald Trump afirmou esta quarta-feira, na sua rede social Truth Social, que os Estados Unidos mantêm controlo total sobre o estreito de Ormuz e que o Irão não tem capacidade para alterar essa realidade. O presidente descreveu as forças militares iranianas como inoperacionais, a Guarda Revolucionária como "dizimada", e o país como economicamente destruído por uma inflação de 300%.

As declarações surgem num momento de impasse diplomático profundo. O memorando de entendimento assinado em junho — que estabelecia um cessar-fogo de 60 dias para negociar o programa nuclear iraniano — expira na próxima segunda-feira. O acordo colapsou após semanas de ataques mútuos, e Trump sinalizou que prefere agora a pressão económica prolongada a novos confrontos militares diretos.

O estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo mundial antes da guerra, permanece o principal obstáculo às negociações: o Irão bloqueia o tráfego marítimo enquanto os EUA bloqueiam os portos iranianos. A atenção internacional deslocou-se entretanto para o mar Vermelho, onde os rebeldes huthis do Iémen, apoiados por Teerão, continuaram os seus ataques. Na terça-feira, um duplo ataque a um navio de bandeira alemã matou pelo menos seis pessoas, incluindo três cidadãos paquistaneses. O ministro dos Negócios Estrangeiros paquistanês condenou o ataque como uma violação do direito internacional.

O Paquistão, que atua como mediador, intensificou os seus esforços diplomáticos com reuniões em Islamabad e Teerão. O seu porta-voz afirmou que o acordo de junho continua válido e que o prazo poderá ser prolongado. No entanto, os obstáculos acumulam-se: além do bloqueio do estreito, há relatos de escassez de mísseis norte-americanos — o próprio Trump admitiu limitações de armamento, embora garantindo capacidade suficiente para um conflito com o Irão. A retórica de controlo absoluto contrasta assim com um conflito que permanece, na sua essência, sem resolução à vista.

Donald Trump declarou esta quarta-feira que os Estados Unidos mantêm controlo total sobre o estreito de Ormuz, apesar do Irão continuar a bloquear a passagem ao tráfego marítimo. Numa mensagem publicada na sua rede social Truth Social, o presidente de 80 anos afirmou que "vamos manter esse controlo" e que "não há nada que o Irão possa fazer a esse respeito", reiterando que Washington prossegue com o seu bloqueio naval aos navios e portos iranianos.

Trump aproveitou para descrever o estado das forças militares iranianas em termos severos. Segundo o presidente, Teerão não possui Marinha nem Força Aérea operacionais, e os soldados restantes não recebem salários. A Guarda Revolucionária Islâmica, escreveu, está "dizimada e em fuga", enquanto a liderança do país enfrenta uma situação "incerta na melhor das hipóteses". Trump apontou ainda para uma inflação de 300% no Irão e descreveu o país como "arruinado", argumentando que as únicas armas de Teerão são "notícias falsas".

Estas declarações surgem num contexto de negociações completamente estagnadas entre Washington e Teerão. O memorando de entendimento assinado em junho, que estabelecia um cessar-fogo de 60 dias para negociar o programa nuclear iraniano, expira na próxima segunda-feira. O acordo colapsou no mês passado quando ambos os países trocaram ataques durante mais de duas semanas, embora tenham feito uma pausa nas hostilidades. Trump sinalizou recentemente que pretende focar-se na pressão económica a longo prazo sobre o Irão, afastando por enquanto potenciais novos ataques militares contra a República Islâmica.

O bloqueio do estreito de Ormuz permanece como o principal obstáculo às negociações. Esta passagem é crítica para o comércio global — antes da guerra, cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado mundialmente passava por ali. Com o estreito efetivamente fechado pelo Irão e os portos iranianos bloqueados pelos Estados Unidos, a atenção internacional deslocou-se para o mar Vermelho e para o estreito de Bab el-Mandeb, na ponta sul do Iémen.

Essa mudança de foco torna-se particularmente relevante porque uma nova frente de conflito está a emergir na região. Os rebeldes huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, continuam a atacar navios e interesses sauditas e do Governo iemenita reconhecido internacionalmente. Na terça-feira, um duplo ataque a um navio de bandeira alemã matou pelo menos seis pessoas, incluindo três cidadãos paquistaneses, com um quarto ferido. O ministro dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Ishaq Dar, condenou o ataque, descrevendo-o como uma violação do direito internacional e uma grave ameaça à liberdade de navegação e à segurança marítima no mar Vermelho.

O Paquistão, que funciona como mediador do conflito, está a tentar retomar as negociações de paz entre o Irão e os Estados Unidos. Dar reuniu-se esta quarta-feira com o embaixador iraniano Reza Amiri Moghadam em Islamabad, um dia depois de Islamabad ter enviado o seu ministro do Interior, Mohsin Naqvi, a Teerão para conversações com os principais líderes iranianos. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Tahir Andrabi, afirmou que o acordo de junho continua válido e que o prazo poderá ser prorrogado, sinalizando esperança numa retomada das conversações.

No entanto, os obstáculos permanecem significativos. Além do controlo iraniano do estreito de Ormuz, há relatos de que os Estados Unidos enfrentam uma escassez nas suas reservas de mísseis — vários órgãos de comunicação social norte-americanos noticiaram isto quando Washington suspendeu a sua última ofensiva no início de agosto. Trump admitiu na semana passada que as forças destacadas no Médio Oriente enfrentam escassez de alguns tipos de armamento, embora tenha garantido que possuem munições suficientes para uma guerra contra o Irão. A combinação de negociações bloqueadas, ataques contínuos no mar Vermelho e questões logísticas de armamento cria um cenário de tensão prolongada, onde a retórica de Trump sobre controlo total contrasta com a realidade de um conflito que permanece fundamentalmente não resolvido.

Tais ataques colocam em risco vidas inocentes, constituem uma violação do direito internacional e representam uma grave ameaça à liberdade de navegação
— Ishaq Dar, ministro dos Negócios Estrangeiros paquistanês
A Guarda Revolucionária Islâmica está dizimada e em fuga, e a sua liderança é, na melhor das hipóteses, incerta
— Donald Trump
Quieres la nota completa? Lee el original en SAPO ↗
Contáctanos FAQ