No cruzamento entre o poder militar e a sobrevivência política, Donald Trump proclamou controlo total dos Estados Unidos sobre o estreito de Ormuz — a artéria por onde fluía um quinto do petróleo mundial. O Irão, porém, recusa reabrir a passagem enquanto Washington não satisfizer exigências que vão do fim da guerra com Israel à libertação de fundos congelados. O memorando de junho, que prometia cessar-fogo e reabertura, ruiu em silêncio; o que resta é o confronto entre duas vontades que o mundo inteiro paga na bomba de gasolina.
Trump garante controlo total de Ormuz enquanto Irão ameaça manter estreito fechado
Controlamos totalmente o estreito; mais ninguém, só nós
Porque é que Trump insiste tanto em dizer que controla Ormuz? Não é óbvio?
Porque não é. O Irão pode fechar o estreito ou torná-lo perigoso demais para navios comerciais. Trump está a tentar convencer mercados e eleitores de que tem a situação sob controlo.
E o Irão? Porque é que não reabre simplesmente o estreito?
Porque perdeu a guerra com Israel e precisa de algo em troca. Quer fundos desbloqueados, quer que a guerra termine, quer influência regional. O bloqueio é a sua única moeda de troca.
O memorando de junho falhou completamente?
Completamente. Ambos os lados voltaram aos bloqueios e à confrontação. Ninguém cumpriu o que tinha prometido.
Qual é o risco real aqui?
Se Ormuz permanecer fechado, os preços do petróleo sobem. Isso afeta a economia global e, nos EUA, afeta o bolso das pessoas. Trump sabe que isso o pode derrotar nas eleições.
O Irão consegue realmente manter o estreito fechado?
Consegue torná-lo extremamente perigoso e caro de usar. Não precisa de o fechar completamente; apenas de o desestabilizar o suficiente para que os navios evitem a rota.
Isto vai acabar em guerra?
Não necessariamente. Mas enquanto ambos os lados usarem bloqueios como arma, o risco permanece. O verdadeiro problema é que nenhum deles quer ceder primeiro.
El Pulso
- Trump afirma controlo total do estreito de Ormuz, mas o Irão mantém a passagem fechada e desafia abertamente a narrativa norte-americana.
- Forças dos EUA atacaram um navio com bandeira panamiana que tentava aceder a um porto iraniano, escalando o bloqueio naval para ação direta.
- O novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaei, impôs condições vastas — fim da guerra com Israel, fundos congelados libertados, conflitos regionais encerrados — antes de qualquer reabertura.
- O memorando de entendimento assinado em junho entre Washington e Teerão colapsou sem cerimónia, devolvendo ambos os lados à confrontação naval.
- Com eleições intercalares a menos de três meses, Trump enfrenta pressão interna crescente pelos preços dos combustíveis, tornando Ormuz tanto uma batalha geopolítica como uma questão de sobrevivência eleitoral.
No cruzamento entre o poder militar e a sobrevivência política, Donald Trump proclamou controlo total dos Estados Unidos sobre o estreito de Ormuz — a artéria por onde fluía um quinto do petróleo mundial. O Irão, porém, recusa reabrir a passagem enquanto Washington não satisfizer exigências que vão do fim da guerra com Israel à libertação de fundos congelados. O memorando de junho, que prometia cessar-fogo e reabertura, ruiu em silêncio; o que resta é o confronto entre duas vontades que o mundo inteiro paga na bomba de gasolina.
Donald Trump declarou na terça-feira que os Estados Unidos mantêm 'controlo total' do estreito de Ormuz, a passagem marítima por onde circulava um quinto do petróleo mundial antes da crise atual. Falando aos jornalistas, o Presidente elogiou a Marinha norte-americana e reafirmou a sua desconfiança nas autoridades iranianas, dizendo ter sido constantemente enganado por Teerão — mesmo reconhecendo que a situação 'está a correr muito bem'.
No mesmo dia, forças norte-americanas atacaram um navio com bandeira panamiana que tentava aproximar-se de um porto iraniano em violação do bloqueio imposto por Washington. A resposta iraniana não tardou: Mohsen Rezaei, novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, declarou que o estreito 'não será aberto' enquanto os EUA não mudarem de comportamento. Rezaei esclareceu ainda que um eventual acordo para uma rota alternativa entre o Irão e Omã não equivaleria à reabertura de Ormuz.
As condições de Teerão são extensas: fim da guerra com Israel iniciada a 28 de fevereiro, libertação dos fundos iranianos congelados no estrangeiro e encerramento dos conflitos regionais no Líbano e em Gaza. O secretário sublinhou que o país atravessa uma fase decisiva da sua história e que não abdicará dos seus direitos perante qualquer pressão.
Este impasse representa o colapso do memorando assinado a 17 de junho, que previa cessar-fogo imediato, reabertura do estreito e levantamento do bloqueio naval. Nenhum desses compromissos foi cumprido. Para Trump, a questão tem também uma dimensão doméstica urgente: a menos de três meses das eleições intercalares, o aumento dos preços dos combustíveis pesa sobre o eleitorado, e o 'controlo total' proclamado sobre Ormuz parece dirigido tanto a Teerão como aos americanos que pagam mais na bomba de gasolina.
Donald Trump declarou na terça-feira que as forças militares dos Estados Unidos mantêm "controlo total" do estreito de Ormuz, a passagem marítima que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e por onde circulava um quinto do petróleo mundial antes da atual crise. A afirmação surge num contexto de escalada de tensões com o Irão, que tem ameaçado manter o estreito fechado enquanto os seus interesses não forem satisfeitos.
"Controlamos totalmente o estreito de Ormuz. Controlamo-lo; mais ninguém, só nós. A nossa Marinha é incrível e as coisas estão a correr muito bem para o nosso país", disse o Presidente aos jornalistas. Trump voltou a manifestar desconfiança nas autoridades iranianas, afirmando que não confia nelas e que foi constantemente enganado. Apesar de reconhecer que a situação com Teerão "está a correr muito bem", o tom da sua declaração deixava clara a postura de confronto.
No mesmo dia, as forças norte-americanas confirmaram um ataque contra um navio com bandeira panamiana que tentava aproximar-se de um porto iraniano, violando o bloqueio imposto por Washington. Horas depois, Mohsen Rezaei, o novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, respondeu com uma ameaça clara: o estreito de Ormuz "não será aberto" até que os Estados Unidos "mudem o seu comportamento e aceitem as condições" de Teerão. Rezaei, citado pela agência Tasnim, deixou também claro que um acordo para uma nova rota marítima entre o Irão e Omã não significaria a reabertura do estreito.
As exigências iranianas são abrangentes. Para reabrir Ormuz, Teerão exige o fim da guerra iniciada com Israel a 28 de fevereiro, a libertação dos fundos iranianos congelados no estrangeiro, e o término dos conflitos regionais, incluindo no Líbano e na Faixa de Gaza. Rezaei sublinhou que o país atravessa uma das fases mais sensíveis e decisivas da sua história contemporânea e que a República Islâmica não abdicará dos seus direitos perante qualquer ameaça.
Esta confrontação representa um colapso do memorando de entendimento assinado a 17 de junho entre Washington e Teerão. Esse acordo havia incluído um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos. As duas partes comprometeram-se também a prosseguir negociações num período de dois meses para alcançar um acordo de paz definitivo. Nada disto aconteceu. Em vez disso, voltaram aos bloqueios navais e à confrontação direta.
Para Trump, a reabertura de Ormuz é uma questão política interna urgente. A menos de três meses das eleições intercalares nos Estados Unidos, o Presidente enfrenta pressão significativa devido ao aumento dos preços dos combustíveis. O controlo desta passagem marítima estratégica é, portanto, tanto uma questão de segurança nacional como de sobrevivência política. A sua insistência em que os Estados Unidos têm "controlo total" do estreito parece dirigida tanto a Teerão como aos eleitores norte-americanos que pagam mais na bomba de gasolina.
Citas Notables
Controlamos totalmente o estreito de Ormuz. Controlamo-lo; mais ninguém, só nós. A nossa Marinha é incrível.— Donald Trump, Presidente dos EUA
O estreito de Ormuz não será aberto até que os EUA mudem o seu comportamento e aceitem as condições de Teerão.— Mohsen Rezaei, Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão