Em um comício na Flórida, Donald Trump deixou no ar a possibilidade de uma nova campanha militar contra o Irã, ao mesmo tempo em que sugeriu que o petróleo iraniano poderia ser tomado pelos Estados Unidos. Do outro lado, Teerã responde com ameaças que estendem o conflito para além de suas fronteiras, alcançando a infraestrutura energética e digital de vizinhos do Golfo. Entre o eco das palavras e o peso das ameaças, a diplomacia mediada pelo Paquistão segue como um fio tênue, enquanto o mundo observa a energia e a guerra se entrelaçarem mais uma vez.
Trump diz que EUA poderiam tomar petróleo do Irã e sugere nova operação militar
"Podemos fazer outra pequena Fúria Épica", disse Trump, sem dar detalhes
Trump falou em "outra pequena Fúria Épica". Isso é um anúncio de ataque?
Não exatamente. Ele não deu detalhes. É uma sugestão feita num comício, no mesmo dia em que também disse que poderia acabar com a guerra muito rapidamente.
E convém separar: há relatos de que os EUA preparam uma lista de alvos para depois de 3 de novembro, mas são relatos. A reportagem não traz confirmação oficial.
E a ameaça iraniana ao Golfo?
Vem de Mohsen Rezaei e de Mehdi Mohammadi, assessor de Ghalibaf. Falam em cabos, centros de dados, IA e em "nenhuma linha vermelha".
Detalhe importante: a lista de até sete países chega via Guardian, que cita a imprensa iraniana. É uma informação atribuída, não verificada de forma independente aqui.
Por que o petróleo importa tanto?
O Brent subiu 3,13% e chegou a US$ 116,72. A alta dos combustíveis pesa nas eleições americanas.
Também é o Irã quem diz ter atingido sete embarcações em Ormuz. O texto não traz confirmação independente disso.
E as negociações?
Continuam, com mediação do Paquistão: ativos congelados, inspeções da ONU e transferência do urânio.
Mas Teerã condiciona tudo ao fim das sanções, e não se sabe se há acordo próximo.
O Pulso
- Trump fala em 'outra pequena Fúria Épica' e insinua tomar todo o petróleo iraniano, reacendendo o temor de uma guerra que já dura quase oito meses.
- O Irã ameaça atingir refinarias, cabos submarinos, data centers e estruturas de IA de até sete países do Golfo caso haja nova ofensiva.
- No Estreito de Ormuz, a Guarda Revolucionária afirma ter atingido sete embarcações e o Brent sobe para US$ 116,72 o barril.
- Negociações de cessar-fogo mediadas pelo Paquistão continuam, mas a possível ofensiva conjunta com Israel após as eleições de 3 de novembro paira como ameaça.
Em um comício na Flórida, Donald Trump deixou no ar a possibilidade de uma nova campanha militar contra o Irã, ao mesmo tempo em que sugeriu que o petróleo iraniano poderia ser tomado pelos Estados Unidos. Do outro lado, Teerã responde com ameaças que estendem o conflito para além de suas fronteiras, alcançando a infraestrutura energética e digital de vizinhos do Golfo. Entre o eco das palavras e o peso das ameaças, a diplomacia mediada pelo Paquistão segue como um fio tênue, enquanto o mundo observa a energia e a guerra se entrelaçarem mais uma vez.
Num comício na Flórida, nesta sexta-feira (23), Donald Trump afirmou que os Estados Unidos "podem fazer outra pequena Fúria Épica". A frase, dita sem detalhes, referia-se à guerra com o Irã, que está perto de completar oito meses. Mais cedo, o presidente já havia dito que poderia encerrar o conflito "muito rapidamente" e sugerido que Washington poderia tomar todo o petróleo iraniano. Segundo ele, a escolha é entre acabar com a República Islâmica ou deixá-la "definhar".
As declarações vieram após reportagem do Guardian segundo a qual autoridades iranianas ameaçaram atacar instalações petrolíferas, cabos submarinos, centros de dados e estruturas de inteligência artificial de até sete aliados de Washington no Golfo, caso EUA e Israel retomem a ofensiva. Mohsen Rezaei, do Conselho Supremo de Segurança Nacional, disse que Teerã prepara uma resposta mais ampla, e Mehdi Mohammadi, assessor do negociador Mohammad Ghalibaf, afirmou que uma nova guerra seria uma ameaça existencial, sem "nenhuma linha vermelha".
O pano de fundo inclui relatos de que os EUA preparam uma lista de alvos para uma ofensiva com Israel após as eleições legislativas de 3 de novembro, enquanto o governo reforça sua presença militar na região. Nesta semana, a Guarda Revolucionária afirmou ter atingido sete embarcações no Estreito de Ormuz, e o Brent fechou a US$ 116,72 por barril.
Apesar disso, as negociações mediadas pelo Paquistão seguem na mesa, com temas como ativos iranianos congelados, inspeções nucleares da ONU e a transferência do urânio altamente enriquecido. Teerã condiciona qualquer avanço ao fim das sanções americanas. O próximo capítulo depende do que sairá dessas conversas e do que acontecer depois de 3 de novembro.
Num comício na Flórida, nesta sexta-feira (23), Donald Trump disse que os Estados Unidos "podem fazer outra pequena Fúria Épica". A frase, dita ao falar da guerra com o Irã, não veio acompanhada de detalhes. "Operação Fúria Épica" é o nome que as Forças Armadas americanas dão ao conflito, que está perto de completar oito meses.
Mais cedo no mesmo dia, o presidente já havia afirmado que poderia encerrar a guerra "muito rapidamente". Chegou a sugerir que os EUA poderiam tomar todo o petróleo iraniano. Segundo ele, a escolha agora é entre acabar com a República Islâmica ou deixá-la "definhar".
As falas vieram depois de uma reportagem do jornal britânico Guardian. De acordo com o jornal, autoridades iranianas ameaçaram atacar instalações petrolíferas, cabos submarinos, centros de dados e estruturas de inteligência artificial de até sete países do Golfo aliados de Washington, caso os EUA e Israel retomem a ofensiva militar.
Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, disse que Teerã prepara uma resposta mais ampla a eventuais novos ataques. "Em caso de guerra, cabos, centros de dados e instalações de inteligência artificial também poderão ser alvos", declarou, segundo a imprensa iraniana citada pelo Guardian.
A ameaça foi reforçada por Mehdi Mohammadi, assessor de Mohammad Ghalibaf, que conduz as negociações iranianas com Washington para encerrar o conflito anterior. Para ele, uma nova guerra seria vista por Teerã como ameaça existencial, e a resposta não teria "nenhuma linha vermelha", podendo ampliar a duração e o alcance geográfico do confronto.
O pano de fundo são relatos de que os EUA preparam uma lista de alvos para uma possível ofensiva conjunta com Israel após as eleições legislativas americanas de 3 de novembro. Washington e Tel Aviv intensificaram exercícios militares na região, e o governo Trump planeja reforçar sua presença no Oriente Médio com porta-aviões, caças e milhares de militares. A alta dos combustíveis, por sua vez, pesa sobre a disputa eleitoral.
Nesta semana, a tensão voltou ao Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária iraniana (IRGC) afirmou ter atingido sete embarcações, três delas supostamente após colidirem com minas. O episódio pressionou o petróleo: o Brent para dezembro subiu 3,13% e fechou a US$ 116,72 por barril na International Exchange (ICE).
Apesar das ameaças, seguem as negociações de cessar-fogo mediadas pelo Paquistão. Estão na mesa a liberação de ativos iranianos congelados em troca do fim do bloqueio de Ormuz, a retomada das inspeções nucleares da ONU no Irã e a transferência para um terceiro país do urânio altamente enriquecido iraniano. Teerã condiciona qualquer avanço à suspensão das sanções americanas.
O que observar agora: o resultado das conversas mediadas pelo Paquistão e o que acontecerá depois de 3 de novembro, data das eleições legislativas americanas.
Citações Notáveis
Podemos fazer outra pequena Fúria Épica.— Donald Trump, em comício na Flórida
Em caso de guerra, cabos, centros de dados e instalações de inteligência artificial também poderão ser alvos.— Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã