Com eles, não existe negociação de boa fé
Trump promete acordo histórico com Irã neste domingo, incluindo reabertura do Estreito de Ormuz e desmantelamento do programa nuclear iraniano. Irã demonstra cautela sobre cronograma, negando aprovação prévia de textos e evitando confirmar assinatura para domingo conforme anunciado por Trump.
- Trump anunciou assinatura de acordo para domingo, 14 de junho
- Estreito de Ormuz: 20% do petróleo mundial passa pela passagem
- Irã negou aprovação prévia de qualquer texto do memorando
- Escalada militar incluiu queda de helicóptero norte-americano e trocas de ataques
- Paquistão mediou negociações com expectativa de assinatura eletrônica em 24 horas
Donald Trump anuncia assinatura de acordo de paz com o Irã para domingo, prometendo reabertura do Estreito de Ormuz, mas Teerã pede cautela sobre a data enquanto negociações avançam com mediação do Paquistão.
Donald Trump anunciou no sábado que um acordo de paz com o Irã seria assinado no domingo, 14 de junho, marcando o que ele descreveu como um passo decisivo para encerrar meses de conflito no Oriente Médio. O presidente republicano prometeu que, uma vez formalizado o pacto, os Estados Unidos reabririam o Estreito de Ormuz, a passagem marítima crítica entre o Irã e Omã por onde flui aproximadamente um quinto de todo o petróleo comercializado no planeta. Ele também afirmou que, quando as condições estivessem apropriadas, os EUA removeriam e destruiriam resíduos nucleares iranianos armazenados sob montanhas de granito. Trump expressou esperança de que o processo avançasse sem obstáculos e declarou estar pronto para trabalhar em conjunto com o Irã e toda a região no futuro.
O anúncio veio após o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmar que Washington e Teerã haviam concordado com os termos fundamentais de um acordo de paz. Sharif publicou nas redes sociais que o mundo estava mais perto de um acordo de paz do que nunca, e que o Paquistão se preparava para uma assinatura eletrônica dentro das próximas 24 horas, seguida por negociações técnicas na semana seguinte. Trump compartilhou a mensagem de Sharif, amplificando o tom otimista. O primeiro-ministro paquistanês agradeceu aos EUA e ao Irã pelo compromisso contínuo durante as negociações e expressou confiança de que o acordo formaria uma base sólida para uma paz duradoura.
Mas Teerã rapidamente injetou cautela no cronograma. Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, evitou confirmar a assinatura para o domingo, dizendo que seria necessário esperar para ver a data exata e que provavelmente não ocorreria no dia seguinte. Baghaei acrescentou que, embora a assinatura do chamado memorando de Islamabad pudesse acontecer nos próximos dias, era preciso ser cauteloso ao comentar prazos. Um alto funcionário norte-americano afirmou à Reuters acreditar que havia um acordo sólido com o Irã, mas a discrepância entre o otimismo de Trump e a reserva iraniana deixou em aberto quando exatamente o documento seria assinado.
O conteúdo específico do acordo permanecia não oficializado, mas a imprensa norte-americana e iraniana publicou pontos atribuídos a fontes dos dois governos que revelavam tensões fundamentais. Segundo a CNN, com base em fontes do regime iraniano, o memorando previa um novo cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes, incluindo o Líbano, a reabertura imediata do Estreito de Ormuz sem cobranças de taxas, e a retomada do tráfego local aos níveis anteriores à guerra em até 30 dias. Os EUA levantariam o bloqueio naval na entrada de Ormuz, enquanto sanções contra o Irã seriam flexibilizadas progressivamente. Em troca, o Irã assumiria o compromisso de não obter uma arma nuclear. Porém, a imprensa estatal iraniana divulgou uma versão diferente: Teerã não abriria mão do controle do Estreito de Ormuz nem do direito de enriquecer urânio. A agência Mehr afirmou que o memorando deveria prever a suspensão das sanções norte-americanas, a retirada de forças militares dos EUA das proximidades do país, o fim do bloqueio naval a portos iranianos e a interrupção das hostilidades em todas as frentes.
Trump criticou duramente o Irã pela divulgação de supostos detalhes do acordo à imprensa norte-americana, chamando os dirigentes iranianos de pessoas desonrosas para negociar e afirmando que as informações publicadas eram falsas. "Com eles, não existe negociação de boa fé", escreveu na rede social Truth Social, exigindo que se organizassem rapidamente. Horas depois, porém, o presidente compartilhou uma publicação do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abás Araqchi, que afirmava que um acordo entre seu país e os Estados Unidos nunca esteve tão perto. A oscilação entre crítica e otimismo refletia a fragilidade das negociações.
Este acordo emergiu após uma nova escalada militar no Golfo Pérsico. Trump havia anunciado a aproximação com o Irã na quinta-feira, após uma terceira noite de ataques. Ele havia dito que pretendia controlar o petróleo e o gás do Irã, mas depois cancelou a ofensiva, afirmando que negociadores haviam chegado a um consenso sobre os pontos finais da proposta de paz. O presidente afirmou que o memorando já teria sido aprovado por todo mundo no Irã, inclusive pelo líder supremo, mas o Irã negou imediatamente, com a agência estatal Fars afirmando que nenhum texto havia sido aprovado.
A escalada militar havia começado após a queda de um helicóptero militar norte-americano durante um sobrevoo na região do Estreito de Ormuz. Trump acusou o Irã de atacar a aeronave e disse que precisaria responder. Os EUA bombardearam sistemas de defesa no território iraniano e radares em Ormuz. O Irã reagiu com ataques a uma base norte-americana no Bahrein. Na quarta-feira, os EUA realizaram novo ataque, respondido por Teerã com mísseis lançados contra países do Golfo Pérsico. O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e afirmou que a escalada tornou as conversas por um acordo de paz mais difíceis, deixando o cessar-fogo em vigor sem sentido. Agora, com Trump anunciando um acordo para o domingo e o Irã pedindo cautela, o mundo aguardava para ver se a diplomacia conseguiria prevalecer sobre a dinâmica de retaliação que havia marcado os últimos dias.
Notable Quotes
Estamos mais perto de um acordo de paz do que nunca— Shehbaz Sharif, primeiro-ministro do Paquistão
Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora não deva ser amanhã— Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Trump anunciou a assinatura para um domingo específico se as negociações ainda estavam em andamento?
Porque ele estava tentando criar momentum político. Depois de três noites de ataques e uma queda de helicóptero, Trump precisava mostrar que havia uma saída. Anunciar uma data concreta faz parecer que o controle está em suas mãos.
Mas o Irã imediatamente pediu cautela sobre a data. O que isso sugere?
Que Teerã não estava pronto. Ou que Trump estava se movimentando mais rápido do que as negociações reais permitiam. O Irã tinha razões para ser cauteloso — ele havia negado que qualquer texto tivesse sido aprovado, então uma assinatura no domingo teria sido prematura.
Qual é a importância real do Estreito de Ormuz nesta história?
É tudo. Um quinto do petróleo mundial passa por ali. Se o Irã o fecha, afeta a economia global. Se os EUA o bloqueiam, é um ato de guerra econômica. Controlar quem pode usar o Estreito é controlar o fluxo de energia para o mundo inteiro.
Trump disse que o Irã havia aprovado o memorando, mas o Irã negou. Como isso acontece?
Comunicação quebrada, ou Trump estava blefando. Ele tinha incentivo para dizer que havia acordo para parar os ataques. O Irã tinha incentivo para negar para manter espaço de manobra. Ambos estavam jogando para a galeria.
E quanto ao programa nuclear? Parecia haver desacordo sobre o que o Irã poderia fazer.
Sim. Os EUA queriam desmantelamento completo. O Irã queria manter o direito de enriquecer urânio. Essas são posições irreconciliáveis no papel. Alguém teria que ceder, e nenhum dos dois queria parecer que havia cedido.