Num gesto que mistura pressão política e exposição pessoal, Donald Trump publicou o que seria o número de celular do senador Tom Cotton e convocou eleitores do Arkansas a pressioná-lo a apoiar o Sunshine Protection Act — projeto que tornaria permanente o horário de verão nos Estados Unidos. Cotton, figura central na liderança republicana, resiste à medida com um argumento enraizado no cotidiano: manhãs de inverno às escuras prejudicam crianças e trabalhadores. O episódio revela, uma vez mais, como disputas sobre o tempo — literal e político — podem concentrar tensões profundas entre lealdade p
Trump divulga celular de senador e pressiona por horário de verão permanente
Crianças indo para a escola no escuro total
Por que Trump está tão empenhado em pressionar Cotton especificamente? Parece uma batalha pessoal.
Não é só pessoal. Cotton é presidente do Comitê de Inteligência e faz parte da liderança republicana, então sua oposição tem peso real no Senado. Se Cotton mudasse de posição, outros republicanos indecisos poderiam seguir.
Mas precisamos ser claros: Trump divulgou o que *parecia* ser o celular de Cotton. A AP ligou e ninguém atendeu. Não sabemos com certeza se era o número correto.
Verdade. E mesmo que fosse, a tática de divulgar números pessoais é controversa, independentemente de funcionar ou não.
Cotton diz que o Congresso já aprovou isso antes e depois revogou. Isso sugere que a experiência real das pessoas com horário permanente não foi positiva?
Exatamente. Cotton argumenta que quando os americanos experimentaram amanheceres muito tardios no inverno, o apoio desapareceu. Crianças indo para a escola no escuro é uma questão concreta que afeta as famílias.
Mas a pesquisa de 2025 mostra que 47% dos americanos são contrários e 40% não têm posição. Isso significa que há espaço para persuasão. Não está decidido.
E os estados podem optar por não adotar, certo?
Sim, se suas legislaturas aprovarem isso antes da lei entrar em vigor. Então há flexibilidade no desenho da proposta.
O que não sabemos é por que exatamente Cotton é o alvo agora. Há outros senadores republicanos contrários. Por que ele?
Provavelmente porque é uma figura de liderança e porque Trump já tem histórico de pressionar senadores dessa forma. Funciona ou não, é seu método.
O Pulso
- Trump expôs publicamente o que seria o celular pessoal de Cotton, repetindo uma tática já usada contra Lindsey Graham em 2016, desta vez para forçar apoio ao horário de verão permanente.
- Cotton, presidente do Comitê de Inteligência do Senado, recusou ceder e reafirmou que o Arkansas não quer crianças esperando ônibus escolares na escuridão total do inverno.
- O Sunshine Protection Act já passou pela Câmara em julho, mas encontra no Senado uma resistência republicana que ameaça enterrar a proposta — como ocorreu com versão similar em 2022.
- A opinião pública é dividida: apenas 12% dos americanos defendem o sistema atual de mudança de relógios, mas 47% se opõem a qualquer alteração, revelando um eleitorado longe do consenso.
- O projeto prevê uma saída para estados relutantes, permitindo que legislaturas locais optem por não adotar a medida — o que pode ser o único caminho para destravar o impasse no Senado.
Num gesto que mistura pressão política e exposição pessoal, Donald Trump publicou o que seria o número de celular do senador Tom Cotton e convocou eleitores do Arkansas a pressioná-lo a apoiar o Sunshine Protection Act — projeto que tornaria permanente o horário de verão nos Estados Unidos. Cotton, figura central na liderança republicana, resiste à medida com um argumento enraizado no cotidiano: manhãs de inverno às escuras prejudicam crianças e trabalhadores. O episódio revela, uma vez mais, como disputas sobre o tempo — literal e político — podem concentrar tensões profundas entre lealdade partidária e convicção regional.
Na manhã de um sábado, Donald Trump recorreu a uma tática conhecida: publicou nas redes sociais o que seria o número de celular pessoal do senador Tom Cotton, do Arkansas, pedindo que eleitores do estado ligassem para pressioná-lo. A causa era o Sunshine Protection Act, projeto que tornaria permanente o horário de verão nos Estados Unidos. Trump lembrou que venceu o Arkansas por 34 pontos e conclamou os moradores a dizer a Cotton para "FAZER ISSO".
O número divulgado tinha código de área do Arkansas, mas quando a Associated Press tentou ligar, ninguém atendeu e a caixa postal estava cheia. Cotton, que preside o Comitê de Inteligência do Senado, é um dos principais obstáculos à aprovação da medida, que já passou pela Câmara em julho, mas enfrenta resistência significativa entre republicanos.
O senador não recuou. Em publicação nas redes sociais, lembrou que o Congresso já havia aprovado o horário de verão permanente outras vezes — e revogado a medida todas as vezes, após os americanos experimentarem amanheceres tardios no inverno. Para Cotton, os habitantes do Arkansas não querem que seus filhos vão à escola na escuridão, e ele sempre colocará os interesses do estado em primeiro lugar.
O debate não é novo. Os defensores da mudança argumentam que mais luz no fim do dia beneficia os americanos, que costumam estar mais ativos nesse período. Os críticos apontam o efeito oposto nas manhãs de inverno, com o nascer do sol ocorrendo muito mais tarde. Uma pesquisa de 2025 do AP-NORC mostrou que apenas 12% dos americanos apoiam o sistema atual de mudança de relógios duas vezes ao ano, enquanto 47% são contrários a qualquer alteração.
Não é a primeira vez que Trump expõe o contato pessoal de um senador que o contraria. Em 2016, fez o mesmo com Lindsey Graham — que depois gravou um vídeo destruindo celulares antigos e, com o tempo, tornou-se um aliado próximo. O projeto atual inclui uma cláusula que permitiria aos estados optar por não adotar a medida, o que pode ser a chave para destravar o impasse político em Washington.
No sábado, Donald Trump recorreu a uma tática que já havia usado antes: publicou nas redes sociais o que aparentava ser o número de celular pessoal do senador Tom Cotton, do Arkansas, e pediu aos eleitores do estado que ligassem para pressioná-lo. O objetivo era simples e direto: forçar Cotton a apoiar um projeto de lei que tornaria permanente o horário de verão nos Estados Unidos. Trump escreveu que todos no Arkansas, um estado onde afirmou ter vencido eleições por 34 pontos, deveriam dizer a Cotton para "FAZER ISSO".
O número divulgado tinha código de área do Arkansas. Quando a Associated Press tentou ligar para verificar se era de fato o celular do senador, ninguém atendeu e a caixa postal estava cheia. Cotton, que preside o Comitê de Inteligência do Senado e integra a liderança republicana, é um dos principais obstáculos à aprovação da medida. O projeto, conhecido como Sunshine Protection Act, já passou pela Câmara dos Representantes em julho, mas enfrenta resistência significativa no Senado, onde alguns republicanos se opõem à mudança.
Cotton reafirmou sua posição contrária em uma publicação nas redes sociais, argumentando que a mudança teria consequências práticas prejudiciais. Segundo ele, o Congresso já havia aprovado o horário de verão permanente várias vezes no passado e revogado a medida todas as vezes depois que os americanos experimentaram amanheceres extremamente tardios durante o inverno. Cotton enfatizou que os habitantes do Arkansas não querem que seus filhos vão para a escola na escuridão total e que sempre colocará os interesses do estado em primeiro lugar.
O projeto prevê que o horário de verão deixe de ser encerrado no outono e passe a vigorar durante todo o ano. Atualmente, na maior parte dos Estados Unidos, os relógios são adiantados em uma hora na primavera e atrasados novamente no outono. Os defensores da mudança, incluindo a Casa Branca, argumentam que mais horas de luz no fim do dia beneficiaria os americanos, que costumam estar mais ativos nesse período. Os críticos, como Cotton, apontam que o efeito seria o oposto nas manhãs de inverno, com o nascer do sol ocorrendo muito mais tarde e deixando crianças esperando pelos ônibus escolares e trabalhadores a caminho do trabalho em completa escuridão.
Este não é o primeiro episódio em que Trump divulga informações pessoais de um senador que o contraria. Em 2016, durante a disputa pela indicação republicana à Presidência, Trump publicou o número pessoal do então senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, depois que Graham afirmou que Trump era inapto para o cargo. O episódio levou Graham a gravar um vídeo que viralizou, no qual destruía vários celulares antigos. Posteriormente, Graham se tornou um aliado próximo de Trump.
Uma pesquisa realizada em 2025 pelo Associated Press-NORC Center for Public Affairs Research oferece perspectiva sobre a opinião pública a respeito da questão. Entre os americanos que preferem uma mudança no sistema atual, manter a luz do dia por mais tempo no período da noite é a opção mais popular. Apenas 12% dos adultos americanos apoiam o sistema atual, que exige a mudança dos relógios duas vezes por ano na maior parte do país. Outros 47% são contrários à mudança e 40% não têm posição definida.
O projeto inclui uma disposição que permitiria aos estados optar por não adotar o horário de verão permanente caso suas legislaturas aprovassem essa decisão antes da entrada da lei em vigor. O Congresso debate os possíveis benefícios e custos do horário de verão há décadas. A medida foi adotada nos Estados Unidos como uma estratégia de guerra em 1942. Em 2022, o Senado havia aprovado um projeto similar para tornar o horário de verão permanente, mas a proposta não avançou na Câmara, sinalizando as dificuldades políticas que cercam a questão.
Citações Notáveis
Os habitantes do Arkansas não querem que seus filhos vão para a escola na escuridão total, e eu sempre colocarei o Arkansas em primeiro lugar— Senador Tom Cotton, em publicação nas redes sociais
O Congresso já aprovou o horário de verão permanente várias vezes e o revogou todas as vezes depois que os americanos experimentaram amanheceres absurdamente tardios no inverno— Senador Tom Cotton