Enquanto a população cubana enfrenta apagões e escassez de combustível provocados por um bloqueio de petróleo imposto por Washington no início de 2026, Donald Trump declarou na Casa Branca que um acordo entre os dois países é possível sem recurso às Forças Armadas. A afirmação chega dias após Trump chamar Cuba de 'Estado falido' na ONU — provocação à qual a delegação cubana respondeu retirando-se do plenário. Entre a linguagem de abertura e a pressão econômica que não cessa, o que está em jogo é a sobrevivência cotidiana de um povo preso entre dois governos que falam de diálogo enquanto o torn
Trump descarta ação militar e prevê acordo com Cuba
Acordo virá, mas as Forças Armadas não serão necessárias
Trump diz que não vai precisar de ação militar, mas seu governo está explicitamente tentando derrubar o governo cubano. Como isso funciona?
É uma estratégia de pressão econômica. O bloqueio de petróleo está criando condições de colapso — combustível escasso, apagões — esperando que isso force mudanças políticas de dentro para fora, sem precisar de tropas.
Mas ele disse isso publicamente? Que quer mudar o governo?
Sim. Trump chamou Cuba de Estado falido na ONU e disse que "a liberdade chegará". Não é velado.
E Cuba como respondeu?
Rodríguez disse que estão abertos ao diálogo e a relações comerciais, mas condenou o embargo de 60 anos. Não respondeu diretamente aos insultos.
Então Cuba está oferecendo negociação enquanto está sendo asfixiada economicamente. Isso é realmente uma negociação ou é rendição sob pressão?
Essa é a questão que fica no ar. Cuba diz que está aberto, mas em que posição está para negociar?
E o contexto regional? Trump acabou de usar militares na Venezuela.
Exatamente. Cuba viu isso em janeiro. Quando Trump diz "não precisaremos de ação militar", pode significar que a pressão econômica é suficiente, ou pode ser apenas tática.
O que sabemos é que a população cubana está sofrendo agora — escassez real, apagões reais. Independentemente do que Trump quer dizer com "acordo", as pessoas estão pagando o preço.
O Pulso
- O bloqueio de petróleo imposto pelos EUA em 2026 transformou a vida em Cuba numa cadeia de crises: combustível racionado, apagões frequentes e infraestrutura à beira do colapso.
- Trump chamou Cuba de 'Estado falido' na Assembleia Geral da ONU, e a delegação cubana respondeu levantando-se e deixando o plenário — um gesto que fechou, ao menos simbolicamente, a porta ao diálogo naquele tom.
- Três dias depois, o presidente americano mudou o registro e falou em 'acordo' e 'abertura', sem explicar como um país asfixiado economicamente poderia negociar quando a exigência declarada é a troca de governo.
- O ministro cubano Bruno Rodríguez sinalizou abertura ao diálogo e ao comércio com empresas americanas, mas desviou dos comentários de Trump e renovou a condenação ao embargo de mais de 60 anos.
- O fantasma da Venezuela paira sobre a região: em janeiro, Trump usou as Forças Armadas para depor Maduro, e a declaração de que os militares 'não serão necessários' contra Cuba soa menos como garantia e mais como opção mantida em reserva.
Enquanto a população cubana enfrenta apagões e escassez de combustível provocados por um bloqueio de petróleo imposto por Washington no início de 2026, Donald Trump declarou na Casa Branca que um acordo entre os dois países é possível sem recurso às Forças Armadas. A afirmação chega dias após Trump chamar Cuba de 'Estado falido' na ONU — provocação à qual a delegação cubana respondeu retirando-se do plenário. Entre a linguagem de abertura e a pressão econômica que não cessa, o que está em jogo é a sobrevivência cotidiana de um povo preso entre dois governos que falam de diálogo enquanto o torniquete aperta.
Na Casa Branca, num sábado de setembro, Donald Trump resumiu em poucas palavras a aposta americana sobre Cuba: um acordo virá, e as Forças Armadas não serão necessárias para isso. A frase era simples, mas chegava carregada de meses de pressão econômica crescente sobre a ilha.
O objetivo do governo Trump nunca foi disfarçado: quer mudar o governo cubano. Para isso, impôs um bloqueio de petróleo no início de 2026 que transformou o cotidiano dos cubanos numa sucessão de crises — combustível escasso, apagões frequentes, uma infraestrutura já frágil cedendo sob o peso da privação. Trump falou em 'ajudar Cuba' e em 'abrir Cuba para o nosso povo', mas o que acontecia nas ruas de Havana pouco lembrava esse vocabulário de abertura.
Três dias antes, na tribuna da Assembleia Geral da ONU, Trump havia chamado Cuba de Estado falido e prometido que 'a liberdade chegará' à ilha. A delegação cubana simplesmente se levantou e saiu do plenário — um recado de que não havia espaço para negociação naquele tom. Quando, no sábado, o presidente americano trocou o ultimato pela palavra 'acordo', a pergunta que ficou no ar era como um país asfixiado e publicamente humilhado poderia negociar quando a exigência declarada é a própria troca de governo.
Cuba respondeu pelo ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, também presente na ONU. Rodríguez disse que Cuba estava aberta ao diálogo e aceitaria relações comerciais com empresas americanas — mas não respondeu diretamente a Trump. Em vez disso, condenou o embargo comercial de mais de 60 anos, lembrando que o bloqueio de petróleo era apenas o capítulo mais recente de uma história muito mais longa de isolamento.
O contexto regional tornava tudo mais tenso. Em janeiro, Trump havia usado as Forças Armadas para depor Nicolás Maduro na Venezuela. Quando disse que os militares 'não serão necessários' contra Cuba, a pergunta implícita era: por que não, desta vez? O que estava claro é que Cuba enfrentava uma escolha sem boas saídas — ceder significaria abandonar seu governo; resistir significaria mais sofrimento para uma população já exaurida. E no meio disso tudo, Trump continuava falando em acordos enquanto mantinha a mão no torniquete econômico.
Donald Trump sentou-se com jornalistas na Casa Branca no sábado e fez uma declaração que resumia a estratégia americana em relação a Cuba: um acordo virá, disse ele, e as Forças Armadas não serão necessárias para isso. A frase foi simples, mas carregava o peso de meses de pressão econômica crescente sobre a ilha.
O governo Trump não esconde seu objetivo. Quer mudar o governo cubano. Para isso, impôs um bloqueio de petróleo no início de 2026 que transformou a vida cotidiana dos cubanos em uma série de crises encadeadas — combustível escasso, apagões frequentes, uma infraestrutura já frágil desmoronando sob o peso da privação. Trump falou em "ajudar Cuba" e em "abrir Cuba para o nosso povo", mas o que estava acontecendo nas ruas de Havana era bem diferente desse vocabulário de abertura.
Três dias antes, na terça-feira, Trump havia subido ao púlpito da Assembleia Geral das Nações Unidas e chamado Cuba de Estado falido. Disse que "a liberdade chegará" à ilha. A delegação cubana, sentada entre diplomatas de dezenas de países, simplesmente se levantou e saiu do plenário. Não era uma resposta sutil. Era um recado de que não havia espaço para negociação naquele tom.
Mas no sábado, quando Trump falou à imprensa, o tom mudou — ou pelo menos a linguagem mudou. Acordo, não confronto. Diálogo, não ultimato. Isso deixou em aberto a questão de como um país que está sendo asfixiado economicamente e cujo governo acaba de ser publicamente humilhado em um fórum internacional poderia chegar a um acordo que o próprio Trump havia dito que exigia mudança de governo.
Cuba respondeu através de seu ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, que também estava na ONU naquele sábado. Rodríguez disse que Cuba estava aberta ao diálogo com os Estados Unidos. Disse que Cuba aceitaria relações comerciais e empresariais com empresas americanas, assim como com qualquer outro país. Mas não respondeu diretamente aos comentários de Trump. Em vez disso, condenou o embargo comercial americano, que já durava mais de 60 anos — uma condenação que soava como um lembrete de que o bloqueio de petróleo era apenas o capítulo mais recente de uma história muito mais longa de isolamento.
O contexto tornava tudo mais tenso. Em janeiro, Trump havia usado as Forças Armadas para depor o presidente venezuelano Nicolás Maduro. A região estava observando. Cuba estava observando. Quando Trump disse que não acreditava ser necessário usar os militares contra Cuba, a pergunta implícita era: por que não? O que havia mudado? Ou era apenas uma mudança de tática — pressão econômica em vez de intervenção direta?
O que estava claro era que Cuba enfrentava uma escolha sem boas opções. Ceder aos objetivos declarados de Trump significaria abandonar seu governo. Resistir significaria suportar mais escassez, mais apagões, mais sofrimento para uma população já exaurida. E no meio disso tudo, Trump falava em acordos e abertura, enquanto mantinha a mão no torniquete econômico.
Citações Notáveis
Cuba e nós chegaremos a um acordo. Não acho que precisaremos das Forças Armadas— Donald Trump, presidente dos EUA
Estamos abertos a relações comerciais e empresariais com empresas norte-americanas, assim como com qualquer outro país— Bruno Rodríguez, ministro das Relações Exteriores de Cuba