Trump convoca protestos e depõe sob forte esquema de segurança em Miami

Documentos guardados num banheiro e num salão de festas, segundo a acusação
A acusação descreve como os papéis sigilosos teriam ficado armazenados no resort de Trump na Flórida.
Mark

Por que a segurança em Miami preocupa tanto as autoridades?

Mimi

Porque a retórica subiu desde a acusação. Kari Lake falou em passar por cima de 75 milhões de americanos e citou a NRA. Há também um protesto organizado por uma célula local dos Proud Boys.

Mark

E Trump convocou os protestos?

Mimi

Sim, ele convocou. Cerca de 40 pessoas já tinham ido ao hotel Doral com faixas e bandeiras.

Luke

Vale separar as coisas: 40 pessoas com bandeiras não é violência. O que a reportagem mostra é temor e monitoramento, não um incidente.

Mark

Então por que especialistas dizem que ele não incentivaria violência?

Mimi

Scott Anderson, da Brookings, argumenta que não cooperar levaria à prisão, e Trump quer evitar isso.

Luke

É a avaliação de um analista, não um fato. A reportagem diz que se espera que não haja incentivo direto, só isso.

Mark

E as acusações em si?

Mimi

São 37, sendo 31 sobre documentos secretos. A acusação fala em planos do Pentágono e programas nucleares, guardados até em um banheiro.

Luke

Lembremos que são alegações dos promotores. Barr disse "se até metade for verdade", o que também deixa a ressalva em aberto. Trump classifica tudo como perseguição política.

  • Trump depõe em Miami diante de 37 acusações, sendo 31 ligadas a documentos secretos guardados em sua mansão na Flórida.
  • Autoridades reforçaram o cerco ao tribunal após ele convocar protestos para o dia do depoimento, com medo real de violência.
  • Aliados usaram linguagem que alude a armas, e um grupo ligado à invasão do Capitólio organiza mobilizações na cidade.
  • Especialistas dizem que a violência só agravaria sua situação, e o processo segue em rota de colisão com a campanha presidencial.

Em Miami, onde a Justiça americana o aguardava, Donald Trump chegou para depor num momento em que o país inteiro observa o peso de uma história antiga: a de um líder que se considera acima da lei e de uma democracia que precisa provar que ninguém está acima dela. Ele responde a 37 acusações, a maioria ligada a centenas de documentos sigilosos que levou para sua residência na Flórida após deixar a Casa Branca. O clima é de tensão, com autoridades reforçando a segurança diante de temores de violência alimentados por retórica inflamada, e o desfecho ainda pesa sobre sua candidatura presidencial.

Na véspera de se apresentar à Justiça em Miami, Donald Trump se hospedou no Trump National Doral, um de seus próprios hotéis. Horas depois, cerca de 40 pessoas apareceram no local com faixas e bandeiras para demonstrar apoio. Ele convocou manifestações para o dia do depoimento, e as autoridades reforçaram a segurança no entorno do tribunal por temor de violência.

O receio nasce da retórica dos últimos dias. Desde a apresentação da acusação, aliados passaram a fazer referências a armas. Kari Lake afirmou que promotores teriam de passar por cima dela e de "75 milhões de americanos" para chegar ao ex-presidente. Em Miami, uma mobilização foi organizada por uma célula local dos Proud Boys, grupo ligado à invasão do Capitólio em 2021, e as autoridades da Flórida monitoram os atos.

Especialistas consideram improvável que o próprio Trump estimule violência, já que ela agravaria sua situação. Mesmo que o julgamento fosse interrompido, as acusações continuariam, e a recusa em cooperar poderia levá-lo à prisão.

O caso envolve documentos sigilosos com informações sobre programas nucleares e planos militares, supostamente armazenados sem cuidado em salas do resort e mostrados a convidados. Trump também é acusado de orientar auxiliares a esconder caixas ou destruir papéis requisitados pela Justiça. Ele classifica o processo como perseguição política e ataca o promotor Jack Smith, enquanto ex-aliados apontam a gravidade das provas. Resta saber se os protestos se limitarão ao apoio e como o processo avançará com a campanha em curso.

Na véspera de se apresentar à Justiça em Miami, Donald Trump se hospedou em um de seus próprios hotéis, o Trump National Doral. Horas depois, cerca de 40 pessoas apareceram no local com faixas e bandeiras para manifestar apoio. O ex-presidente americano convocou protestos para o dia em que presta depoimento, e as autoridades reforçaram a segurança nas imediações do tribunal por temor de violência.

O receio tem origem na retórica dos últimos dias. Desde que a acusação foi apresentada, na sexta-feira, aliados de Trump passaram a usar declarações que aludem a armas. No fim de semana, Kari Lake, republicana que disputou o governo do Arizona, afirmou que os promotores teriam de passar por cima dela e de "75 milhões de americanos" para chegar ao ex-presidente. Ela acrescentou que a maioria deles é membro da NRA, a Associação Nacional do Rifle.

Autoridades da Flórida monitoram as mobilizações em Miami, uma delas organizada por uma célula local dos Proud Boys, grupo de extrema direita ligado à invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. O ex-líder do grupo, Henry Tarrio, condenado em maio, mora na cidade.

Especialistas, porém, consideram improvável que o próprio Trump estimule a violência, porque ela agravaria sua situação jurídica. Scott Anderson, analista da Brookings Institution, disse ao Estadão que, mesmo se o julgamento fosse interrompido, as acusações criminais continuariam, e que não cooperar com o processo levaria Trump à prisão, algo que ele quer evitar.

Trump responde a 37 acusações, 31 delas ligadas a documentos secretos da Casa Branca que guardava em sua mansão na Flórida. É o primeiro ex-presidente acusado pelo Departamento de Justiça, e usa esse fato como prova de perseguição política. O caso é a ameaça legal mais grave que enfrentou até agora e pode atrapalhar sua campanha presidencial.

Segundo a acusação, ele reteve intencionalmente centenas de documentos sigilosos, com informações sobre programas nucleares, capacidades de defesa e armas dos EUA e planos de ataque do Pentágono. O material teria ficado armazenado sem cuidado em vários cômodos do resort, inclusive um banheiro e um salão de festas, e teria sido mostrado a convidados em pelo menos duas ocasiões. Para os promotores, as informações colocam em risco militares e fontes do Pentágono e expõem métodos de espionagem.

Trump também é acusado de obstruir os esforços do governo para recuperar os papéis. Teria orientado o assessor Walt Nauta, igualmente acusado, e seu advogado a esconder caixas ou destruir documentos requisitados pelo Departamento de Justiça.

O promotor especial Jack Smith, que formalizou a acusação, virou alvo de ataques: Trump o chamou de "demente" e disse que sua equipe é formada por "bandidos". O senador Lindsey Graham e o deputado Jim Jordan classificaram o processo como politicamente motivado. Já William Barr, ex-secretário de Justiça de Trump, disse à Fox News que as alegações são detalhadas e condenatórias: "Se até metade disso for verdade, ele está ferrado".

O que se acompanha agora é se os protestos em Miami ficarão restritos a demonstrações de apoio e como o processo, já tenso, avançará com a campanha presidencial em curso.

Se até metade disso for verdade, ele está ferrado.
— William Barr, ex-secretário de Justiça de Trump, à Fox News
Não cooperar com o processo resultará na prisão de Trump, algo que ele quer evitar.
— Scott Anderson, analista da Brookings Institution, ao Estadão
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Correio Braziliense ↗
Nous contacter FAQ