Trump constrói máquina silenciosa de deportação em três meses com prisões recordes

Múltiplas detenções de imigrantes sem acusações criminais formais, incluindo separação de famílias; abordagens de trânsito resultaram em tiroteios fatais em Houston, Maine e Flórida; detidos permanecem sob custódia sem direito à fiança durante processos imigratórios.
Eles estavam se divertindo muito espancando um garoto
Proprietário de lavanderia em Wisconsin descreve violência durante prisão de imigrantes em seu estabelecimento.
Mark

Como uma operação dessa escala conseguiu passar tão despercebida?

Mimi

Porque não foi centralizada. Não houve um grande anúncio ou uma operação única e espetacular. Em vez disso, aconteceu simultaneamente em dezenas de lugares, usando métodos diferentes, com parcerias locais. Quando tudo acontece ao mesmo tempo em todos os lugares, ninguém consegue acompanhar o padrão.

Luke

Mas as pessoas sabem que está acontecendo. Os vídeos estão aí. As histórias estão sendo contadas. O que você quer dizer com "despercebido"?

Mimi

Despercebido pela mídia nacional, pela opinião pública em massa. Não virou manchete porque não havia um ponto focal único. Era fragmentado.

Mark

E quanto aos números? 43 mil, 49 mil, 51 mil — são realmente recordes?

Mimi

Sim, desde o início da administração Trump. Mas o ICE não divulga números com frequência, então muitas pessoas não sabem que estão em níveis históricos.

Luke

Aqui está o problema: a maioria dessas pessoas não foi acusada de crime algum. Apenas violaram leis de imigração civil. Isso é importante?

Mimi

Muito. Significa que o governo expandiu quem pode ser deportado, não apenas quem cometeu crimes. Pessoas com vistos vencidos, pessoas cujos pedidos estão pendentes — agora são elegíveis.

Mark

E as histórias de violência? O menino sendo espancado, a mulher sendo sufocada?

Mimi

Essas são as consequências humanas. O ICE nega que tenha como alvo escolas, mas os agentes estão lá. Pessoas estão sendo detidas em tribunais, hospitais, aeroportos. E quando há resistência, há violência.

Luke

Mas você tem confirmação de que o menino foi espancado? Ou é o relato de um proprietário de lavanderia?

Mimi

É o relato de Hansen. O ICE não respondeu a perguntas sobre o que aconteceu naquele dia, apenas confirmou que cinco pessoas foram presas.

Mark

Então o que vem a seguir? Isso vai continuar?

Mimi

Tudo indica que sim. O ICE chamou isso de "promessas feitas e promessas cumpridas". Não há sinal de desaceleração.

  • Prisões do ICE atingiram 43 mil em junho, 49 mil em julho e 51 mil em agosto
  • Operações descentralizadas em hospitais, escolas, aeroportos, tribunais e vias públicas
  • Maioria dos detidos acusada apenas de violar leis de imigração civil, sem acusações criminais formais
  • Abordagens de trânsito resultaram em tiroteios fatais em Houston, Maine e Flórida

Prisões do ICE atingiram recordes históricos: 43 mil em junho, 49 mil em julho e 51 mil em agosto, expandindo elegibilidade para deportação. Operações descentralizadas em hospitais, escolas, aeroportos e vias públicas com parcerias com autoridades estaduais em estados republicanos e democratas.

Governo Trump intensificou prisões de imigrantes a níveis recordes durante o verão, com 43 mil a 51 mil detenções mensais, operando discretamente através de parcerias locais e novas tecnologias para evitar repercussão pública.

Nos três meses que se seguiram ao início do verão, o governo Trump construiu uma máquina de deportação que funcionava quase invisível aos olhos do público. Os números revelam a escala: o Serviço de Imigração e Alfândega prendeu 43 mil pessoas em junho, 49 mil em julho e quase 51 mil em agosto — recordes desde o início da administração. Mas o que tornava essa expansão particularmente eficaz era sua natureza descentralizada e discreta, espalhada por tantos lugares e métodos simultâneos que ninguém conseguia acompanhar o padrão.

Os agentes federais apareceram em praticamente todos os cantos da vida cotidiana americana. Hospitais e aeroportos. Frente a escolas suburbanas. Canteiros de obras rurais. Postos de gasolina e paradas de caminhões. Eles operaram desde cidades costeiras no Maine até cidades desérticas no Arizona, atravessando as planícies do Wyoming e descendo pelas regiões fronteiriças do sul. Em estados republicanos como Texas e Flórida, formaram parcerias com xerifes e policiais rodoviários estaduais para ampliar seu alcance. Em redutos democratas, intensificaram as atividades apesar das leis que visavam restringi-los. David Bier, diretor de estudos sobre imigração no Cato Institute, explicou que essa ascensão gradual e simultânea em todos os lugares, por meio de diversos métodos, permitia que a operação passasse despercebida.

A maioria dos presos havia sido acusada apenas de violar leis de imigração civil. Nenhum havia sido indiciado ou condenado por crime algum. O ICE defendeu a expansão em um comunicado: "Estas são promessas feitas e promessas cumpridas em ação. Os resultados falam por si." Para entender como as operações se desenrolavam, analistas examinaram vídeos de prisões, fotografias e registros judiciais de mais de 50 incidentes. As pessoas foram detidas a caminho de partidas de futebol, saindo da missa de domingo, tomando um drinque em boates, em florestas nacionais e em frente a locais de votação.

Roger Hansen, proprietário de 83 anos da lavanderia Little Big Load em Madison, Wisconsin, viu cinco pessoas serem presas em dois de seus estabelecimentos em junho. No mesmo dia, operações em todo o estado resultaram na prisão de cerca de 40 pessoas. Hansen ficou perturbado com a violência que presenciou. "Eles estavam se divertindo muito espancando um garoto", disse ele. O movimento de clientes caiu cerca de 50% no dia seguinte e nunca se recuperou. Ele acredita que muitos de seus clientes latinos e imigrantes estão com muito medo de voltar. O ICE confirmou que as cinco pessoas — originárias da Nicarágua e do México — estavam no país ilegalmente, mas não respondeu a perguntas sobre seus antecedentes criminais.

As abordagens de trânsito tornaram-se cruciais para o aumento das operações durante o verão, e algumas terminaram em tragédia. Em Houston e Biddeford, no Maine, abordagens de trânsito resultaram em tiroteios fatais envolvendo policiais. Um confronto em um posto de gasolina na Flórida terminou em acidente de carro fatal. Em Milwaukee, Frankely Quezada e Estenderly Marte Polanco, ambos da República Dominicana, estavam fazendo compras com seu filho de 7 anos em uma manhã de sábado de junho quando perceberam um SUV sem identificação seguindo sua van. Quezada entrou em um beco e acelerou. Mais SUVs surgiram para cercá-lo. Agentes federais saltaram dos veículos e um apontou uma arma de choque amarela para ele, quebrando o vidro do carro. De uma sacada, um vizinho filmou os policiais arrastando Polanco para fora enquanto seu filho chorava. Polanco mordeu um agente federal enquanto a levavam embora, depois que ele pressionou seu rosto contra o colo dela com tanta força que ela acreditou que iria sufocar. Polanco, que permaneceu nos Estados Unidos após o vencimento do visto e não possui antecedentes criminais, continua detida sem direito à fiança no Kansas.

Em julho, o ICE intensificou as prisões em aeroportos com abordagens que podiam ser mais discretas. Imagens gravadas por um gerente de companhia aérea em 13 de julho mostram dois agentes do ICE à paisana abordando um funcionário do portão de embarque no Aeroporto Internacional de Dallas Fort Worth. Eles se identificaram apenas como agentes federais e instruíram o funcionário a chamar um passageiro pelo sistema de som. Flanqueando a mulher, os homens a detiveram discretamente. A funcionária os seguiu, filmando o momento em que escoltavam a passageira pelo saguão, um deles carregando sua bagagem. No estacionamento, a mulher foi algemada e colocada em um veículo descaracterizado. O ICE disse que ela estava detida por ter excedido o prazo do seu visto. As autoridades americanas não divulgaram o nome dela nem forneceram informações sobre seu paradeiro.

Durante o aumento da violência no verão, demonstrações de força tornaram-se rotina dentro de alguns tribunais. Agentes federais foram vistos com frequência crescente em hospitais e escolas, bem como em suas proximidades. O ICE admitiu operar em tribunais, mas afirmou que seus agentes não tinham como alvo escolas. "Nada na Constituição proíbe a prisão de um infrator da lei no local onde ele é encontrado", afirmou a agência. "A possibilidade de as autoridades prenderem imigrantes ilegais criminosos em tribunais é uma questão de bom senso."

Essa ascensão gradual e simultânea em todos os lugares, por meio de diversos métodos, está permitindo que a operação passe despercebida
— David Bier, diretor de estudos sobre imigração no Cato Institute
Estas são promessas feitas e promessas cumpridas em ação. Os resultados falam por si
— Comunicado do ICE
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