Trump autoriza ofensiva cibernética privada contra crime organizado transnacional

Operações que podem interromper, degradar ou destruir sistemas criminosos, sob supervisão americana
O memorando autoriza empresas privadas a executar vigilância e ataques cibernéticos contra organizações criminosas transnacionais.
Mark

Por que o Trump decidiu autorizar empresas privadas a fazer isso agora? Parece um passo bastante incomum.

Mimi

A justificativa oficial é que o setor privado tem capacidades tecnológicas que o governo não conseguiu aproveitar historicamente. Mas há também uma questão de escala — o crime organizado transnacional opera em velocidade que as agências governamentais tradicionais têm dificuldade em acompanhar.

Mark

E quanto aos riscos? Colocar operações cibernéticas nas mãos de empresas privadas não é perigoso?

Mimi

É por isso que o memorando estabelece limites bem específicos. As operações não podem causar mortes, ferimentos graves, ou ser consideradas ataques armados. E têm de ser interrompidas se atingirem cidadãos americanos ou sistemas nos EUA.

Mark

Mas quem fiscaliza se essas empresas respeitam os limites?

Mimi

O Centro Nacional de Coordenação, junto com os departamentos de Justiça e Segurança Interna. As empresas também precisam de uma garantia financeira de pelo menos um milhão de dólares que pode ser confiscada se descumprirem as regras.

Mark

E o PCC e o Comando Vermelho? Eles realmente podem ser alvo disso?

Mimi

Tecnicamente sim, porque foram classificados como organizações terroristas estrangeiras. Mas o memorando não os nomeia especificamente. Para serem alvo, precisam estar envolvidos em crimes cibernéticos — e aí entra uma questão de interpretação.

  • Trump assinou um memorando que permite a empresas privadas americanas realizar vigilância, interrupção e até destruição de sistemas digitais usados por organizações criminosas transnacionais.
  • PCC e CV, classificados pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras desde junho, podem se tornar alvos diretos dessas operações caso estejam envolvidos em crimes cibernéticos.
  • O programa exige aprovação prévia do governo para cada operação e proíbe ações que possam causar mortes, ferimentos graves ou ser interpretadas como uso da força pelo direito internacional.
  • Empresas interessadas terão de passar por avaliação rigorosa, assinar contratos com o governo e manter garantia financeira mínima de US$ 1 milhão, confiscável em caso de descumprimento.
  • O governo americano tem 60 dias para estabelecer as regras operacionais completas do programa, sob coordenação conjunta dos departamentos de Justiça e de Segurança Interna.

Em um movimento que redefine as fronteiras entre o Estado e o mercado na segurança digital, Donald Trump assinou um memorando autorizando empresas privadas americanas a conduzir operações cibernéticas contra o crime organizado transnacional — incluindo, potencialmente, grupos brasileiros como o PCC e o CV. A medida reflete uma aposta histórica na capacidade tecnológica do setor privado para alcançar onde as agências governamentais, por limitações ou escolhas, não chegaram. É uma transferência controlada de poder ofensivo que levanta, ao mesmo tempo, promessas de eficácia e perguntas profundas sobre responsabilidade, soberania e os limites do direito internacional.

Na quarta-feira, 12 de agosto, Donald Trump assinou um memorando que abre caminho para empresas privadas dos Estados Unidos executarem operações cibernéticas contra organizações criminosas transnacionais. O alcance potencial da medida chega ao Brasil: o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, classificados pelo governo americano como organizações terroristas estrangeiras desde junho, podem vir a ser alvos — desde que comprovadamente envolvidos em crimes cibernéticos.

O documento autoriza dois tipos de atuação. As operações de vigilância cibernética permitem acessar sistemas sem autorização para coletar informações e inteligência. Já as operações de efeitos cibernéticos podem envolver manipulação, interrupção, degradação ou destruição de infraestruturas digitais usadas por criminosos. Todas as ações dependem de aprovação prévia e ocorrerão sob supervisão direta do governo, com limites explícitos: são proibidas operações que possam causar mortes, ferimentos graves ou ser interpretadas como uso da força pelo direito internacional.

O programa será gerido pelo Centro Nacional de Coordenação, com supervisão dos departamentos de Justiça e de Segurança Interna. As empresas participantes precisarão demonstrar experiência técnica comprovada, histórico em operações cibernéticas e segurança adequada das instalações. Também poderão ser obrigadas a manter uma garantia financeira mínima de um milhão de dólares — valor passível de confisco em caso de descumprimento das regras. O governo tem 60 dias para definir os critérios operacionais completos.

A medida representa uma ruptura significativa: operações que historicamente eram domínio exclusivo de agências governamentais passam a ser delegadas ao setor privado. Para Trump, trata-se de aproveitar uma capacidade tecnológica que, segundo o memorando, foi historicamente subutilizada no combate ao crime organizado no ambiente digital.

Na quarta-feira 12 de agosto, o presidente americano Donald Trump assinou um memorando que abre as portas para empresas privadas dos Estados Unidos executarem operações cibernéticas contra organizações criminosas que operam além das fronteiras americanas. A medida é direta em seu alcance potencial: grupos brasileiros como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, ambos classificados pelo governo americano como organizações criminosas transnacionais e terroristas estrangeiras desde junho, podem vir a ser alvo dessas operações.

O documento autoriza companhias selecionadas a realizar ações que vão desde vigilância até a interrupção, degradação ou destruição de sistemas e redes utilizados por criminosos. Todas essas operações precisarão de aprovação prévia e serão conduzidas sob supervisão direta do governo americano. A justificativa oficial é ampliar o combate a crimes como fraudes e ataques cibernéticos que prejudicam cidadãos, empresas e interesses dos Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, essas organizações criminosas executam campanhas cibernéticas contínuas para perpetrar fraudes que minam a prosperidade, a segurança e a liberdade americanas.

O programa funcionará sob responsabilidade do Centro Nacional de Coordenação, com supervisão conjunta dos departamentos de Justiça e de Segurança Interna. As empresas que desejarem participar terão de passar por um processo rigoroso de avaliação e assinar contratos com o governo. O memorando determina que as autoridades estabeleçam, em até 60 dias, as regras operacionais do programa. Entre os critérios previstos estão experiência técnica comprovada, histórico em operações cibernéticas, segurança das instalações e avaliação dos funcionários envolvidos. As empresas também poderão ser obrigadas a manter uma garantia financeira de pelo menos um milhão de dólares, valor que pode ser confiscado caso haja descumprimento das regras.

O texto estabelece dois tipos principais de atuação. As chamadas operações de vigilância cibernética permitirão acessar sistemas sem autorização para coletar informações ou inteligência, inclusive dados que possam ser usados posteriormente em outras ações. Já as operações de efeitos cibernéticos poderão envolver a manipulação, interrupção, degradação ou destruição de sistemas, redes e outras infraestruturas digitais. Há, porém, limites claros para essas operações. Empresas privadas não poderão receber autorização para ações com possibilidade de provocar mortes ou ferimentos graves, ou que possam ser consideradas uso da força ou ataque armado pelas regras do direito internacional.

O memorando também determina que uma operação seja imediatamente interrompida caso atinja, de maneira não intencional, cidadãos americanos, sistemas localizados nos Estados Unidos ou sistemas controlados por americanos. Nesses casos, o governo deverá ser informado sem demora. Embora o documento não cite nominalmente o Primeiro Comando da Capital ou o Comando Vermelho, para que sejam alvo das operações previstas, os grupos também precisam se enquadrar na definição de organizações envolvidas em crimes cibernéticos.

Segundo Trump, a iniciativa pretende aproveitar a capacidade tecnológica do setor privado americano no combate ao crime organizado internacional. O texto afirma que esses recursos foram historicamente pouco utilizados em esforços para identificar e desarticular redes criminosas no ambiente digital. A medida representa uma mudança significativa na forma como os Estados Unidos pretendem enfrentar o crime organizado transnacional, delegando a empresas privadas operações que tradicionalmente eram domínio exclusivo de agências governamentais.

Essas organizações realizam campanhas cibernéticas contínuas para perpetrar fraudes que minam a prosperidade, a segurança e a liberdade americanas
— Casa Branca, no memorando
Quer a matéria completa? Leia o original em G1 ↗
Fale Conosco FAQ