Trump atribui alta da gasolina a ataques ucranianos à Rússia

Petróleo bruto pode estar fluindo, mas combustíveis refinados continuam escassos
O paradoxo que explica por que exportações recordes não reduziram os preços da gasolina.
Mark

Trump está dizendo que o problema não é a guerra com o Irã, mas refinarias russas sendo destruídas e refinarias americanas sendo fechadas. Isso faz sentido?

Mimi

Há verdade em partes disso. Refinarias russas foram danificadas por ataques ucranianos, e alguns estados democratas, como a Califórnia, têm fechado refinarias. Mas é uma explicação incompleta para preços que continuam acima de 100 dólares por barril.

Luke

Espera — quanto dessa alta vem de cada fator? Trump não dá números. E quanto ao fechamento de refinarias na Califórnia? Quando isso aconteceu? Quantas?

Mimi

Boa pergunta. A reportagem não especifica datas ou quantidades de refinarias fechadas. O que sabemos é que o petróleo bruto está fluindo em volumes próximos ao normal, mas combustíveis refinados ainda têm oferta baixa.

Mark

Então o problema real é que não há refinarias suficientes para processar o petróleo que está sendo produzido?

Mimi

Exatamente. E também há questões de estoques globais — caíram 507 milhões de barris desde fevereiro — e incerteza sobre se o abastecimento continuará estável.

Luke

A reportagem menciona que a EIA estima 5,7 milhões de barris por dia parados. Isso é uma estimativa de uma agência, não um número confirmado. E a previsão de normalização só em 2027? Isso é muito longe.

Mark

Então Trump está simplificando demais um problema que tem múltiplas causas?

Mimi

Sim. Há contribuições de refinarias russas danificadas, de fechamentos de refinarias americanas, mas também de estoques baixos, incerteza geopolítica contínua e aumento de demanda no inverno.

Luke

E nenhuma dessas causas é fácil de resolver rapidamente. A guerra com o Irã segue em impasse, as negociações falharam, e não há acordo à vista.

Mark

Então os preços altos provavelmente vão continuar até 2027?

Mimi

Segundo analistas citados na reportagem, sim — a menos que três coisas aconteçam: recuperação duradoura das exportações, retomada da produção interrompida e normalização do mercado de combustíveis refinados.

  • Trump culpa destruição de refinarias russas pela Ucrânia e fechamento de refinarias em estados democratas
  • Exportações de petróleo bruto recuperadas para 23,3 milhões de barris por dia em setembro de 2026
  • Preço do Brent superou 100 dólares por barril em outubro de 2026
  • Estoques globais caíram 507 milhões de barris desde fevereiro de 2026
  • EIA estima 5,7 milhões de barris por dia parados no quarto trimestre de 2026

Trump acusa governadores democratas de fecharem refinarias na Califórnia enquanto refinarias russas são destruídas pela Ucrânia. Exportações de petróleo bruto se recuperaram, mas combustíveis refinados continuam com oferta abaixo do normal devido ao conflito.

Trump culpa destruição de refinarias russas pela Ucrânia e fechamento de refinarias em estados democratas pelos altos preços da gasolina, negando que a guerra EUA-Irã seja o fator principal.

Donald Trump saiu em defesa de sua administração na rede Truth Social, argumentando que a culpa pelos preços altos de gasolina não recai sobre a guerra entre Estados Unidos e Irã, mas sim sobre dois fatores: a destruição de refinarias russas por ataques ucranianos e o fechamento de refinarias em estados governados por democratas, particularmente na Califórnia. O timing da declaração não é casual — faltam menos de um mês para as eleições de meio de mandato americanas, quando os eleitores escolherão seus representantes no Congresso, e combustíveis caros costumam prejudicar a popularidade de quem está no poder.

O presidente argumentou que o Estreito de Ormuz, a passagem crítica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, não é mais o gargalo que era. Segundo ele, recordes de barris estão sendo exportados quase diariamente. Mas a realidade do mercado de petróleo é mais complexa do que essa narrativa sugere. Embora as exportações de petróleo bruto do Golfo Pérsico tenham se recuperado para cerca de 23,3 milhões de barris por dia na última semana de setembro — próximo aos níveis de 2025, conforme estimativas do Goldman Sachs — os preços continuam elevados. No início de outubro, o Brent, a referência internacional, superou novamente a marca de 100 dólares por barril.

O paradoxo que Trump não mencionou é que a cadeia de produção de petróleo funciona em etapas distintas. Petróleo bruto pode estar fluindo, mas combustíveis já refinados — gasolina, diesel, querosene de aviação — continuam com exportações abaixo do normal. O conflito afetou não apenas a produção, mas também as refinarias e os riscos associados ao transporte desses produtos acabados. É possível ter petróleo cru disponível e ainda enfrentar dificuldades para transformá-lo em combustível e entregá-lo aos consumidores. Felipe Sant'Anna, analista da Axia Investing, ressalta a importância de separar essas etapas: produção, refino, mobilidade e exportação são processos distintos com gargalos próprios.

Outros fatores mantêm os preços pressionados. A Agência Internacional de Energia registrou queda de 507 milhões de barris nos estoques globais desde fevereiro. No mesmo período, países-membros liberaram mais de 300 milhões de barris de suas reservas de emergência. Com estoques baixos, empresas e governos tendem a aumentar compras para formar reservas de segurança, o que mantém a pressão sobre os preços. Além disso, o mercado ainda precifica o risco de novas interrupções no abastecimento. Uma escalada adicional da guerra ou ataques a instalações de produção, refinarias ou navios poderiam reduzir a oferta novamente. Essa incerteza fez com que muitos países guardassem petróleo para si em vez de liberá-lo para o mercado global, levando investidores a precificar contratos futuros de petróleo para cima.

A chegada do inverno no Hemisfério Norte também pressiona a demanda. O consumo de energia — particularmente gás natural, petróleo e derivados — aumenta significativamente nos EUA e na Europa durante os meses frios. A Agência de Informação de Energia estima que 5,7 milhões de barris por dia de produção permaneçam parados em média no quarto trimestre, com a expectativa de que a maior parte da produção do Oriente Médio retorne a níveis pré-conflito apenas no segundo trimestre de 2027.

Para que os preços caiam de forma consistente, segundo a analista Maria Carolina Luchesi da Hike Capital, três condições precisam ser atendidas: recuperação duradoura das exportações, retomada da produção interrompida e normalização do mercado de combustíveis refinados. Nenhuma dessas três está completamente resolvida. Enquanto isso, EUA e Irã permanecem em impasse após meses de guerra e negociações frustradas. As principais divergências envolvem o programa nuclear iraniano, as sanções americanas e a reabertura do Estreito de Ormuz. O Irã exige o fim das sanções e garantias para retomar negociações, enquanto os EUA exigem restrições ao programa nuclear e livre navegação na região. Houve algum alívio quando relatos sugeriram que países poderiam liberar reservas de diesel e petróleo — a União Europeia discute a liberação de 50 milhões de barris de diesel, enquanto membros da Agência Internacional de Energia poderiam liberar outros 50 milhões de barris de petróleo — mas a solução permanece frágil e temporária.

Uma coisa é a produção, outra coisa é o refino, outra coisa é a mobilidade, a exportação
— Felipe Sant'Anna, analista da Axia Investing
Essas tensões e incerteza fizeram com que muitos países guardassem petróleo para si e não quisessem mais abrir essa torneira para o mundo
— Felipe Sant'Anna, analista da Axia Investing
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