Estávamos realmente perto de um acordo, mas continuam nos fazendo de bobos
No coração de uma crise que remonta a fevereiro, Donald Trump anunciou a retomada imediata de ataques contra o Irã, acusando Teerã de sabotar negociações que pareciam, até horas antes, prestes a produzir um acordo. O que estava em jogo não era apenas um cessar-fogo frágil, mas a possibilidade de uma guerra total no Golfo — palavras que a ONU pronunciou com gravidade enquanto diplomatas do Catar corriam para Teerã e os mercados de petróleo respondiam ao peso do momento. A humanidade observa, mais uma vez, como a distância entre a paz e o abismo pode ser medida em horas.
- Trump declarou que os EUA atacarão o Irã 'com muita força' ainda nesta quarta-feira, citando a protelação iraniana como traição às negociações que ele próprio havia descrito como quase concluídas.
- Nas últimas 48 horas, o Irã atacou bases americanas na Jordânia e no Bahrein, um helicóptero Apache foi abatido e três tripulantes indianos desapareceram após um ataque americano a um petroleiro na costa de Omã.
- A ONU alertou para o risco de 'guerra total' no Golfo, enquanto Rússia e China pediram moderação e negociadores do Catar voaram para Teerã em tentativa de salvar qualquer resquício de diálogo.
- O preço do petróleo Brent subiu 1,80%, chegando a 93,10 dólares, sinalizando que os mercados globais já precificam o pior cenário possível para a região.
- A questão libanesa — com o Irã exigindo que qualquer acordo inclua o Hezbollah e Netanyahu convocando os libaneses a se voltarem contra o grupo — permanece como o nó que nenhuma diplomacia conseguiu desatar.
Na quarta-feira, Donald Trump anunciou da Casa Branca que os Estados Unidos retomaria imediatamente os ataques contra o Irã, acusando Teerã de estar 'nos fazendo de bobos' enquanto as negociações de trégua desmoronavam. Na véspera, o próprio presidente havia prometido um acordo em até três dias — mas a madrugada trouxe fogo cruzado e o colapso de qualquer esperança de continuidade. Trump indicou ao canal Fox News que considera ataques a infraestrutura crítica iraniana, como centrais elétricas e pontes. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian respondeu pelo X que tais ameaças revelam desespero, não força.
A escalada se alastrou por múltiplas frentes. O Irã reivindicou ataques contra bases americanas na Jordânia e no Bahrein em retaliação à derrubada de um helicóptero Apache. A Jordânia destruiu cinco mísseis iranianos direcionados à base de Azraq; o Kuwait também repeliu alvos hostis. A Índia anunciou o desaparecimento de três tripulantes após um ataque americano a um petroleiro na costa de Omã — navio acusado por Washington de burlar o bloqueio a portos iranianos.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou com precisão para o risco de uma 'guerra total' no Golfo. Negociadores do Catar viajaram para Teerã; Rússia e China pediram contenção. No plano nuclear, o Conselho de Governadores da AIEA aprovou resolução exigindo informações do Irã sobre suas reservas de urânio — medida que Teerã classificou como 'contraproducente'. Netanyahu, por sua vez, convocou os libaneses a se unirem contra o Hezbollah, enquanto o Irã insistia que qualquer acordo duradouro precisaria incluir a questão libanesa.
Os mercados não esperaram: o barril de Brent subiu 1,80%, chegando a 93,10 dólares, e o WTI avançou 2,08%. O Oriente Médio, que havia vivido um cessar-fogo frágil desde abril, voltava a ser o epicentro de uma crise com consequências que se estendem muito além de suas fronteiras.
Na quarta-feira, o presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos retomará os ataques contra o Irã imediatamente, acusando Teerã de estar brincando com Washington enquanto negociações de trégua desmoronavam. A declaração veio em um momento de tensão extrema no Oriente Médio, onde uma guerra que começou em 28 de fevereiro com ofensivas israelenses e americanas contra o Irã havia sido interrompida por um cessar-fogo anunciado em 8 de abril. "Vamos atacá-los... atacá-los com muita força", disse Trump da Casa Branca, explicando que a ação começaria naquele mesmo dia. "Estávamos realmente perto de um acordo, mas eles continuam protelando, continuam nos fazendo de bobos."
O colapso das negociações foi rápido. Trump havia dito na terça-feira que um acordo seria anunciado em até três dias, mas na madrugada de quarta houve fogo cruzado que destruiu qualquer esperança de continuidade. O presidente americano indicou ao canal Fox News que está considerando cada vez mais ataques contra infraestrutura crítica iraniana, especificamente centrais elétricas e pontes. Em resposta, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian publicou no X que ameaças contra infraestrutura não representam força, mas sim desespero.
A escalada militar se desenrolou em múltiplas frentes simultaneamente. O Irã reivindicou autoria de ataques contra bases americanas na Jordânia e no Bahrein, em retaliação a operações americanas que resultaram na derrubada de um helicóptero Apache. O Bahrein afirmou ter interceptado vários ataques aéreos iranianos, enquanto o Exército da Jordânia informou ter destruído cinco mísseis iranianos direcionados à base americana em Azraq, sem relatar vítimas ou danos. O Kuwait também reportou que suas defesas aéreas repeliram alvos aéreos hostis. Além disso, a Índia anunciou que três tripulantes desapareceram após um ataque americano contra um petroleiro na costa de Omã, navio que Washington acusava de tentar burlar o bloqueio a portos iranianos.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupação profunda com a escalada das últimas 48 horas, alertando especificamente para o risco de uma "guerra total" no Golfo. Diplomatas informaram que negociadores do Catar, país mediador nas negociações, viajaram para Teerã naquele dia. Rússia e China, ambas aliadas do Irã, pediram moderação. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo declarou estar "extremamente preocupado com a nova rodada de confrontos", enquanto a China pediu "medidas concretas para aliviar e reduzir a tensão".
A questão nuclear permanecia como um dos principais pontos de discórdia. O Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica aprovou uma resolução exigindo que o Irã fornecesse informações sobre suas reservas de urânio e instalações de produção. O representante permanente do Irã na ONU em Viena, Reza Najafi, descreveu a resolução como "contraproducente na situação atual". Paralelamente, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu convocou os libaneses a se unirem à luta de Israel contra o Hezbollah, afirmando que seu país havia sido "tomado como refém" pelo grupo islamita pró-Irã.
Israel e Irã haviam trocado ataques no domingo e segunda-feira, marcando a primeira escalada militar desde que o cessar-fogo entrou em vigor em abril. O Irã insistia que qualquer acordo duradouro deveria incluir a questão libanesa, complicando ainda mais as negociações. A ONU anunciou o envio de uma missão ao Líbano para investigar violações de direitos humanos. Os mercados responderam imediatamente à retórica belicosa de Trump. O barril de Brent para entrega em agosto subiu 1,80%, chegando a 93,10 dólares, enquanto o WTI para julho avançou 2,08%, atingindo 90,03 dólares. A escalada militar havia transformado o Oriente Médio em um ponto de inflamação global, com consequências que se estendiam muito além da região.
Citações Notáveis
Vamos atacá-los... atacá-los com muita força, e isso vai acontecer a partir de hoje— Donald Trump, presidente dos EUA
A infraestrutura crítica é vital. As ameaças de atacá-la não são uma demonstração de força, e sim um sinal de desespero— Masoud Pezeshkian, presidente do Irã
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Trump acredita que retomar os ataques vai funcionar agora, quando as negociações estavam tão perto?
Ele está argumentando que o Irã estava usando as negociações como tática de atraso, ganhando tempo enquanto mantinha a capacidade de atacar. Para Trump, isso é desonestidade que exige resposta imediata.
E quanto aos aliados americanos na região? Eles queriam essa escalada?
Não está claro. Israel está envolvido, mas a Jordânia e o Bahrein estão tendo que se defender contra ataques iranianos. Eles estão no meio do fogo cruzado, não necessariamente pedindo por mais.
A ONU fala em "guerra total". Isso é hipérbole ou uma possibilidade real?
Guterres não usa essas palavras levianamente. Ele está vendo padrões que sugerem que o conflito pode sair do controle — múltiplos atores, múltiplas frentes, nenhuma saída diplomática clara.
O que a questão libanesa tem a ver com tudo isso?
O Hezbollah é apoiado pelo Irã. Se Israel quer derrotar o Hezbollah, o Irã quer protegê-lo. Nenhum acordo que deixe o Líbano de fora vai satisfazer Teerã, e nenhum que proteja o Hezbollah vai satisfazer Netanyahu.
Os preços do petróleo subiram. Quem se beneficia disso?
Produtores de petróleo, especialmente a Rússia e a Arábia Saudita. Mas consumidores em todo o mundo — inclusive nos EUA — pagam mais na bomba. É um custo invisível da escalada.
Há alguma chance real de as negociações voltarem?
O Catar ainda está tentando. Mas cada ataque torna mais difícil voltar à mesa. A confiança desapareceu. Agora é sobre quem consegue infligir mais dano antes de ser forçado a negociar.