Trump ameaça novos ataques ao Irão e tomar ilha de Kharg

O Irão rejeita esses jogos. Defendemos firmemente os nossos direitos.
Resposta do presidente iraniano Pezeshkian às ameaças de Trump, comparando a política externa americana a batota desportiva.
Mark

Porque é que Trump está a ameaçar atacar infraestruturas civis? Isso não é uma mudança significativa na estratégia?

Mimi

Ele diz que é retaliação pelos ataques iranianos a navios no estreito de Ormuz. Mas o timing é importante — isto acontece logo depois de Washington ter reativado as sanções ao petróleo iraniano, violando o memorando de junho que tinha reaberto o estreito.

Luke

Espera. O memorando foi assinado a 17 de junho. Quando é que as sanções foram reativadas?

Mimi

A fonte não especifica a data exata, apenas que foi "antes dos ataques desta madrugada". Sabemos que Trump anunciou os ataques na quarta-feira, mas não temos a cronologia precisa das sanções.

Mark

E quanto à ilha de Kharg? Porque é que é importante?

Mimi

É um importante polo petrolífero iraniano. Controlar Kharg significaria controlar uma parte significativa da capacidade de exportação de petróleo do Irão.

Luke

Mas Trump disse que "não há nada que [os iranianos] possam fazer a esse respeito". Isso é uma afirmação de facto ou uma ameaça?

Mimi

É claramente uma ameaça — ele está a dizer que vai tomar a ilha e que o Irão é impotente para o impedir.

Mark

Qual é o impacto económico real disto?

Mimi

Os preços do petróleo Brent subiram 6% para 79 dólares por barril apenas com as ameaças. Se o conflito se intensificar e o estreito de Ormuz for novamente interrompido, 20% do petróleo bruto e GNL mundial deixaria de transitar por lá.

Luke

Mas isso é especulação sobre o que poderia acontecer. O que sabemos é que os preços já subiram 6% com base nas palavras de Trump.

Mark

E a NATO? Qual é a sua posição?

Mimi

A NATO reafirmou que o Irão nunca deve ter armas nucleares e que deve respeitar a liberdade de navegação no estreito. Mark Rutte deixou claro que, se necessário, a NATO está disposta a intervir, apesar de o Irão estar fora do seu território.

Luke

Mas a NATO não está a apoiar especificamente os ataques de Trump. Está a reafirmar posições antigas sobre armas nucleares e navegação.

Mimi

Correto. É uma posição defensiva, não uma aprovação dos ataques.

  • Trump ameaçou atacar centrais elétricas e instalações de dessalinização iranianas e tomar a ilha de Kharg
  • Preços do petróleo Brent subiram 6% para 79 dólares por barril após as ameaças
  • Washington reativou sanções ao petróleo iraniano, violando memorando de 17 de junho que havia reabertura do estreito de Ormuz
  • 20% do petróleo bruto e GNL mundial transitam normalmente pelo estreito de Ormuz
  • NATO reafirmou que Irão nunca deve adquirir armas nucleares, com posição unânime dos 32 membros

Trump prometeu ataques com força total contra o Irão esta noite, visando centrais elétricas e instalações de dessalinização, alegando retaliação por ataques a navios no estreito de Ormuz. Os preços do petróleo Brent subiram para 79 dólares por barril; Washington reativou sanções ao petróleo iraniano, violando memorando de junho que havia reabertura do estreito de Ormuz.

Donald Trump ameaçou atacar infraestruturas civis iranianas e tomar a ilha de Kharg durante cimeira da NATO, escalando tensões no Médio Oriente e provocando aumento de 6% nos preços do petróleo.

Donald Trump estava em Ancara para a cimeira da NATO quando anunciou, perante a imprensa, que os Estados Unidos atacariam o Irão novamente durante a noite. Não era a primeira vez em dois dias que fazia essa promessa. Na terça-feira à noite, disse, as forças americanas já tinham golpeado o país com toda a força. Agora, na quarta-feira, voltaria a fazê-lo.

O presidente republicano foi além das ameaças genéricas. Se necessário, afirmou, os Estados Unidos destruiriam as centrais elétricas iranianas e as suas instalações de dessalinização. Mais ainda: tomaria a ilha de Kharg, um importante centro petrolífero iraniano que havia sido alvo de ataques na véspera. Quando questionado sobre a possibilidade de o Irão fazer algo para impedir isso, Trump respondeu que não havia nada que os iranianos pudessem fazer a respeito. Descreveu os dirigentes iranianos como "escumalha" e "mentirosos", embora tenha deixado em aberto a possibilidade de os seus negociadores continuarem conversações com Teerão — ainda que, na sua opinião, estivessem a perder tempo.

Os ataques, segundo Trump, eram retaliação. O Irão tinha lançado drones e um míssil contra navios no estreito de Ormuz, disse, acusando o país de se comportar "muito mal". Esta justificação ecoava a narrativa que Washington vinha construindo há semanas. O que Trump não mencionou explicitamente era que, dias antes, os Estados Unidos tinham reativado as sanções ao petróleo bruto iraniano — sanções que tinham sido suspensas por um memorando assinado a 17 de junho. Esse memorando tinha permitido a reabertura do estreito de Ormuz, um passo que ambos os lados tinham celebrado como um avanço nas negociações para uma resolução duradoura do conflito que começara a 28 de fevereiro com uma ofensiva conjunta entre Israel e os Estados Unidos. Teerão acusou Washington de faltar à palavra ao restabelecer as sanções.

Os mercados reagiram imediatamente. Os preços do petróleo Brent subiram mais de 6%, atingindo cerca de 79 dólares por barril. O número refletia a ansiedade dos investidores: um reacendimento do conflito poderia envolver todo o Médio Oriente e, mais criticamente, poderia interromper novamente os transportes de energia através do estreito de Ormuz. Em condições normais, 20% do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo transitam por esse corredor. Uma interrupção teria consequências globais imediatas.

Masoud Pezeshkian, o presidente iraniano, respondeu nas redes sociais na manhã de quarta-feira. A sua reação foi oblíqua mas mordaz. Comparou a postura de política externa da Casa Branca com a conduta de Washington enquanto anfitrião do Mundial de futebol que coorganiza: contornar as regras, intimidar rivais, criar obstáculos, fazer batota. "Este é o seu manual MAGA", escreveu, referindo-se ao movimento político associado a Trump. "O Irão rejeita esses jogos. Defendemos firmemente os nossos direitos."

Na mesma quarta-feira, os líderes da NATO reunidos em Ancara divulgaram uma declaração final que instava o Irão a "respeitar plenamente" a liberdade de navegação no estreito de Ormuz e reafirmava que a República Islâmica "nunca deve dispor de armas nucleares". Mark Rutte, secretário-geral da Aliança Atlântica, sublinhou esta posição numa conferência de imprensa. "É absolutamente claro. É uma política da NATO e é a posição de todos os 32 membros: o Irão nunca deve adquirir capacidade nuclear", disse. Rutte acrescentou que, embora o Irão estivesse fora do território da NATO, isso não significava que a Aliança nunca pudesse intervir. "Se for necessário, a NATO está sempre disposta a assumir qualquer papel."

O que tinha começado como um memorando de entendimento em junho — um momento que parecia abrir uma porta para negociações — estava agora a desmoronar-se em ameaças de novos ataques, sanções reativadas e retórica cada vez mais dura. Trump disse que, para ele, o cessar-fogo tinha acabado. O que viria a seguir permanecia incerto, mas os sinais apontavam para uma escalada.

Vamos atacá-los com força esta noite
— Donald Trump, presidente dos EUA, em Ancara
É absolutamente claro. É uma política da NATO e é a posição de todos os 32 membros: o Irão nunca deve adquirir capacidade nuclear
— Mark Rutte, secretário-geral da NATO
Fale Conosco FAQ