No frágil intervalo entre um acordo assinado e uma paz que ainda não chegou ao terreno, Donald Trump escalou as suas ameaças ao Irão, exigindo que Teerão contenha o Hezbollah no Líbano sob pena de ataques ainda mais devastadores. O cessar-fogo proclamado na quarta-feira revela-se, na prática, uma promessa incumprida: mais de 120 libaneses morreram nas últimas 48 horas, enquanto diplomatas negociam na Suíça e combatentes continuam a morrer no sul do Líbano. É o velho paradoxo da guerra moderna — os papéis assinados e os corpos contados raramente habitam o mesmo mundo.
Trump ameaça atacar Irão com mais força se não travar Hezbollah no Líbano
Ficariam sem país. Nem sequer vão conseguir voltar
Como é que Trump consegue ameaçar atacar o Irão "com mais força" quando já tinha atacado na semana anterior? Isso não sugere que o primeiro ataque não funcionou?
Exactamente. O primeiro ataque não conseguiu alcançar o objectivo declarado — impedir que o Hezbollah causasse problemas. Por isso Trump está a escalar a retórica, tentando usar a ameaça de uma ofensiva ainda maior como alavanca nas negociações.
Mas espera — o acordo foi assinado na quarta-feira, o cessar-fogo entrou em vigor no sábado, e agora estamos a falar de mais de 120 mortos em 48 horas. Isso significa que o cessar-fogo nunca funcionou realmente, ou que foi violado imediatamente?
Ambas as coisas, aparentemente. Israel e Hezbollah acusam-se mutuamente de violações. Israel diz que vai manter as forças no sul e operar "sem restrições". Não é claro quem começou a violar o acordo.
E quanto ao estreito de Ormuz? Trump está realmente a sugerir que os EUA poderiam tomar controlo à força e cobrar portagens?
Sim, literalmente. Disse que podia ficar com 20% do petróleo, funcionar como "anjo da guarda" da rota. É uma ameaça económica directa ao Irão.
Mas isso é viável? Tomar o controlo de uma passagem internacional à força? Isso não violaria o direito internacional?
Tecnicamente sim, seria uma violação. Mas Trump está a usar a linguagem de ameaça como ferramenta negocial. Se o Irão ceder nas negociações, talvez nunca chegue a esse ponto.
Então as negociações na Suíça estão a decorrer enquanto tudo isto acontece?
Sim, JD Vance está lá com negociadores iranianos. Mas é difícil negociar quando há ameaças de aniquilação no ar e os combates continuam no Líbano.
Uma coisa que não fica clara: o Irão encerrou o estreito em retaliação pelos ataques de 28 de fevereiro. Mas quem atacou quem primeiro? Qual é a sequência real dos eventos?
A fonte diz que o conflito começou com "ataques israelo-americanos em 28 de fevereiro". Mas não especifica o que provocou esses ataques. Há claramente uma história anterior que não está aqui contada.
Der Puls
- Trump ameaçou 'aniquilar' o Irão e tomar o estreito de Ormuz à força caso Teerão não cesse o apoio ao Hezbollah e não chegue a acordo nas negociações em curso.
- O cessar-fogo assinado na quarta-feira entre Trump e o presidente iraniano Pezeshkian não travou os combates: mais de 120 mortos foram registados no sul do Líbano nas últimas 48 horas.
- O Irão fechou o estreito de Ormuz — por onde passava um quinto da produção mundial de petróleo — como retaliação, transformando uma rota comercial vital numa arma geopolítica.
- Negociações mediadas pelo Paquistão e Qatar decorrem na Suíça, com o vice-presidente JD Vance presente, mas avançam sob a sombra das ameaças e da violência contínua no terreno.
- Israel e Hezbollah acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo, enquanto Israel garante que as suas forças operarão 'sem restrições' no sul libanês perante qualquer ameaça.
No frágil intervalo entre um acordo assinado e uma paz que ainda não chegou ao terreno, Donald Trump escalou as suas ameaças ao Irão, exigindo que Teerão contenha o Hezbollah no Líbano sob pena de ataques ainda mais devastadores. O cessar-fogo proclamado na quarta-feira revela-se, na prática, uma promessa incumprida: mais de 120 libaneses morreram nas últimas 48 horas, enquanto diplomatas negociam na Suíça e combatentes continuam a morrer no sul do Líbano. É o velho paradoxo da guerra moderna — os papéis assinados e os corpos contados raramente habitam o mesmo mundo.
Donald Trump escalou as suas ameaças contra o Irão na sexta-feira, declarando através da rede Truth Social que atacaria Teerão com força ainda maior se os iranianos não conseguissem conter o Hezbollah no Líbano. A exigência surgiu dias depois de um memorando de entendimento assinado entre Trump e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian — um acordo que deveria ter encerrado as hostilidades entre Israel e o grupo xiita, mas que a realidade no terreno rapidamente desmentiu.
Desde que o cessar-fogo entrou em vigor no sábado, os combates prosseguem no sul libanês. O Ministério da Saúde libanês documentou mais de 120 mortos em ataques israelitas nas últimas 48 horas, expondo a fragilidade do acordo e o abismo entre a diplomacia e a guerra vivida pelos civis.
Em entrevista à Fox News, Trump foi ainda mais explícito: disse ter avisado os negociadores iranianos, reunidos na Suíça com o vice-presidente JD Vance, que não hesitaria em 'aniquilar' o Irão se as conversações fracassassem. O Irão anunciara no sábado o encerramento do estreito de Ormuz — por onde transitava um quinto da produção mundial de petróleo — como retaliação pelos ataques israelitas. Trump respondeu sugerindo que os Estados Unidos poderiam tomar o controlo da passagem à força, cobrar portagens aos navios e até ficar com 20% do petróleo que por ali circula.
As negociações na Suíça, mediadas pelo Paquistão e Qatar, decorrem sob uma nuvem de incerteza. Israel e Hezbollah afirmam estar comprometidos com o cessar-fogo, mas acusam-se mutuamente de violações. O que começou como um acordo celebrado com pompa transformou-se rapidamente numa espiral de ameaças e contra-ameaças — com o Líbano e os seus civis a suportarem o custo mais elevado.
Donald Trump escalou as suas ameaças contra o Irão na sexta-feira, declarando que atacaria Teerão com força ainda maior se os iranianos não conseguissem conter o Hezbollah no Líbano. A declaração, feita através da rede Truth Social, exigiu que o Irão impedisse imediatamente os seus aliados de "causarem problemas" — uma referência directa ao grupo xiita que continua a operar apesar de um acordo de cessar-fogo assinado na quarta-feira entre Trump e o Presidente iraniano Masoud Pezeshkian.
O memorando de entendimento deveria ter encerrado as hostilidades entre Israel e Hezbollah no Líbano. Mas a realidade no terreno contradiz o papel assinado. Desde que o cessar-fogo entrou em vigor no sábado, os combates prosseguem no sul libanês. O Ministério da Saúde libanês documentou mais de 120 mortos em ataques israelitas apenas nas últimas 48 horas — um número que expõe a fragilidade do acordo e a continuação da violência apesar das promessas diplomáticas.
Em entrevista à cadeia Fox News, Trump reforçou as suas ameaças de forma ainda mais explícita. Disse ter avisado os negociadores iranianos, que se encontram na Suíça em conversações com o vice-presidente JD Vance, que não hesitaria em "aniquilar" o Irão se as negociações fracassassem ou se Teerão mantivesse o encerramento do estreito de Ormuz. O Irão tinha anunciado no sábado o fecho desta passagem estratégica em retaliação pelos ataques israelitas no Líbano. "Disse-lhes que, se fechassem o estreito, ficariam sem país. Eles nem sequer vão conseguir voltar para o seu maldito país", afirmou Trump.
O estreito de Ormuz é uma das rotas comerciais mais críticas do mundo, por onde transitava um quinto da produção mundial de petróleo antes do conflito. O seu encerramento pelo Irão representa uma arma económica significativa e uma escalada que Trump está determinado a reverter — por qualquer meio. O Presidente sugeriu que os Estados Unidos poderiam tomar o controlo da passagem à força e até actuar como "cobrador de portagem", cobrando taxas pelo trânsito de navios. Chegou mesmo a propor que os EUA poderiam ficar com 20% do petróleo que passa pela rota, funcionando como o que chamou de "anjo da guarda do estreito".
As negociações em curso na Suíça, mediadas pelo Paquistão e Qatar, decorrem sob uma nuvem de incerteza. Enquanto Trump e os seus negociadores tentam alcançar um acordo com o Irão, a ofensiva israelita no sul do Líbano continua sem trégua. Israel e Hezbollah afirmam estar comprometidos com o cessar-fogo, mas acusam-se mutuamente de violações. Israel já garantiu que manterá as suas forças no sul libanês e que estas operarão "sem restrições" perante ameaças. O Irão, por sua vez, colocou o cessar-fogo no Líbano no topo da sua agenda negocial.
A situação revela uma dinâmica complexa: Trump procura forçar uma resolução através de ameaças militares e económicas, enquanto o Irão utiliza o encerramento do estreito de Ormuz como moeda de troca. Os combates continuam no terreno, as mortes acumulam-se, e a diplomacia parece estar a perder terreno para a retórica de confrontação. O que começou como um acordo de cessar-fogo assinado com pompa transformou-se rapidamente numa série de ameaças e contra-ameaças, com o Líbano e os seus civis a suportarem o custo mais elevado.
Bemerkenswerte Zitate
O Irão deve imediatamente impedir que os seus aliados causem problemas. Se não o fizerem, atacaremos o Irão com muita força outra vez, só que com mais força— Donald Trump, na rede Truth Social
Se fechassem o estreito, ficariam sem país. Eles nem sequer vão conseguir voltar para o seu maldito país— Donald Trump, em entrevista à Fox News