A área apresenta riscos conhecidos há anos
Aos 21 anos, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas foi lançada de 40 metros sem corda presa ao corpo em uma ponte desativada há três décadas em Limeira, São Paulo — e não sobreviveu. O que sua morte revela não é apenas a falha de dois instrutores ou de duas empresas, mas a anatomia de um descuido coletivo: estruturas perigosas sem controle, atividades comerciais sem fiscalização, e órgãos públicos que se olham mutuamente enquanto o risco permanece aberto ao público. A pergunta que ela mesma fez nas redes sociais antes do salto — 'quem foi o doido que deixou?' — tornou-se, tragicamente, o centro de uma investigação criminal.
- Maria Eduarda foi lançada sem equipamento de segurança de uma altura de 40 metros e morreu — o momento foi filmado e circulou nas redes sociais antes que qualquer autoridade pudesse agir.
- Seis pessoas foram presas pela Polícia Militar; as empresas identificadas nas imagens, Entre Cordas e Ih Voei, cobravam R$ 130 por salto e realizavam a atividade regularmente, inclusive com crianças.
- A Ponte do Esqueleto estava desativada há mais de 30 anos e acumulava histórico de acidentes, mas permanecia acessível e era usada como ponto comercial de adrenalina sem qualquer barreira efetiva.
- A prefeitura de Limeira afirma ter enviado ofícios ao governo federal desde o início de 2025 pedindo medidas de segurança — e agora anuncia processo contra a União por omissão na fiscalização da estrutura.
- O caso expõe uma falha em camadas sobrepostas: empresas sem licença adequada, estrutura sem controle de acesso, fiscalização federal ausente e uma morte que a própria vítima não antecipava.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas tinha 21 anos quando foi lançada de 40 metros sem que a corda de segurança estivesse presa ao seu corpo. O salto aconteceu na Ponte do Esqueleto, em Limeira, São Paulo, durante uma atividade comercial de rope jumping. O vídeo do momento se espalhou pelas redes sociais — uma imagem que sintetiza, de forma brutal, tudo o que deu errado.
A Polícia Militar prendeu seis pessoas. Três permanecem detidas. Os instrutores presentes nas imagens usavam camisas das empresas Entre Cordas e Ih Voei, que operavam saltos comerciais na mesma estrutura com regularidade — cobrando R$ 130 por atividade em dezembro de 2025 e documentando tudo online, inclusive saltos com crianças. Nenhuma das empresas respondeu aos pedidos de comentário.
A ponte não era um segredo. Desativada há mais de três décadas, com histórico de acidentes e riscos amplamente conhecidos, ela continuava acessível e atrativa para atividades de adrenalina. O prefeito de Limeira, Murilo Félix, reconheceu que os perigos eram conhecidos há anos. A prefeitura afirma ter cobrado providências do governo federal desde o início de 2025 e agora anuncia que vai processar a União por omissão.
Antes do salto, Maria Eduarda postou nas redes sociais com a leveza de quem não imagina o que está por vir. A resposta à sua pergunta despretensiosa agora se desdobra em investigação criminal, disputas administrativas entre entes federativos — e o peso irreversível de uma morte que não precisava ter acontecido.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas tinha 21 anos quando foi lançada de uma altura de 40 metros sem que a corda de segurança estivesse presa a seu corpo. O salto aconteceu na Ponte do Esqueleto, em Limeira, São Paulo, durante uma atividade comercial de rope jumping. O momento foi registrado em vídeo e se espalhou pelas redes sociais — uma imagem que não deveria existir, mas existe.
A Polícia Militar prendeu seis pessoas pela morte de Maria Eduarda. Segundo atualizações posteriores, três delas permanecem detidas. Os instrutores visíveis nas imagens do vídeo usavam camisas identificadas com os nomes de duas empresas: Entre Cordas e Ih Voei. Ambas foram procuradas para comentar o ocorrido, mas não responderam.
Os perfis dessas empresas nas redes sociais mostram um histórico de saltos de rope jumping realizados na mesma estrutura. Havia registros de atividades com crianças. Em dezembro de 2025, a Entre Cordas cobrava R$ 130 por salto. A prática era comercializada como entretenimento, oferecida regularmente, documentada e compartilhada online como se fosse segura e rotineira.
A Ponte do Esqueleto não era um local novo ou desconhecido. A estrutura acumula um histórico de acidentes e estava desativada há mais de três décadas. Apesar disso, funcionava como ponto de atração para atividades de adrenalina. O prefeito de Limeira, Murilo Félix, do Podemos, afirmou que a área "apresenta riscos conhecidos há anos".
A prefeitura municipal argumenta que a responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à ponte é exclusivamente do governo federal. A administração afirma ter encaminhado ofícios pedindo medidas de segurança desde o início de 2025 e que vinha cobrando providências junto aos órgãos federais responsáveis. Agora, a prefeitura anunciou que vai processar a União por omissão.
O que emerge dessa sequência de fatos é uma falha em múltiplas camadas: empresas operando sem fiscalização adequada, uma estrutura perigosa sem controle de acesso, órgãos federais aparentemente ausentes, e uma jovem que postou nas redes sociais antes do salto perguntando, com a leveza de quem não imagina o que vai acontecer, "quem foi o doido que deixou?" A resposta a essa pergunta agora envolve investigação criminal, processos administrativos e uma morte que não precisava ter acontecido.
Notable Quotes
A responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto é exclusivamente do governo federal— Prefeitura de Limeira
A área apresenta riscos conhecidos há anos— Prefeito Murilo Félix
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como uma atividade como essa funcionava abertamente, com crianças, sem que ninguém parasse?
Porque estava invisível. Estava nas redes sociais, era comercializada, havia vídeos — mas ninguém que pudesse fiscalizar estava olhando. Ou estava olhando e não agiu.
A ponte estava desativada há 30 anos. Como é que se chega a um ponto em que uma estrutura assim vira ponto turístico?
Abandono federal. Quando ninguém cuida, o espaço vira de quem consegue ocupá-lo primeiro. As empresas viram uma oportunidade. A prefeitura via o risco mas não tinha autoridade para fechar.
E as empresas — elas sabiam que era perigoso?
Os vídeos mostram instrutores lançando pessoas. Eles documentavam o que faziam. A questão é se acreditavam que era seguro ou se simplesmente não se importavam.
O que muda agora com as prisões?
Talvez responsabilize os operadores diretos. Mas a estrutura que permitiu isso — a ponte abandonada, a falta de fiscalização — isso continua existindo.
A prefeitura diz que pediu ajuda ao governo federal. É verdade?
Pode ser. Mas pedir ajuda e não ter resposta é diferente de não ter feito nada. A questão é por que levou uma morte para que algo acontecesse.