Três adolescentes do Texas criam prótese biônica controlada pelo cérebro e ganham US$ 50 mil

O projeto foi motivado por Aiden, amigo dos criadores que é amputado e enfrentava limitações com próteses convencionais, servindo como testador do protótipo.
Tudo começou em torno de ajudar nosso amigo
Samuel Skotnikov explicou a origem da Neuroflex, nascida não de ambição acadêmica, mas de uma amizade.

Em Highland Village e Flower Mound, no Texas, três adolescentes transformaram a amizade em engenharia ao criar a Neuroflex — uma prótese biônica que lê o pensamento por fora do crânio, sem cirurgias, sem implantes. Motivados pela limitação vivida por um amigo amputado, Samuel Skotnikov, Chanyoung Kim e Eeshaan Prashanth alcançaram 98% de precisão e venceram US$ 50 mil na maior feira de ciências do mundo. O que eles revelam é uma verdade antiga: as maiores inovações nascem não de laboratórios, mas de laços humanos que se recusam a aceitar o impossível.

  • Milhões de amputados ao redor do mundo enfrentam uma escolha cruel: pagar até US$ 100 mil por uma prótese avançada ou viver com modelos rígidos que limitam cada passo.
  • A Neuroflex surge como ruptura direta nesse cenário, prometendo controle cerebral sem cirurgia e custo estimado de apenas US$ 1.000 — cem vezes mais barato que as alternativas de ponta.
  • O sistema híbrido de inteligência artificial interpreta sinais de EEG com 98,67% de precisão, reduzindo em 35% o gasto de energia do usuário em comparação com próteses convencionais.
  • O protótipo foi validado em testes reais com Aiden, o amigo amputado que inspirou o projeto, mas ainda aguarda ensaios clínicos e certificações regulatórias para se tornar um produto médico.
  • O prêmio Gordon E. Moore Award na Regeneron ISEF 2025 projetou os três estudantes para o centro do debate global sobre acessibilidade em reabilitação e tecnologia assistiva.

Três adolescentes do Texas — Samuel Skotnikov, 17 anos, e seus colegas Chanyoung Kim e Eeshaan Prashanth, ambos de 16 — criaram a Neuroflex, uma prótese de perna biônica que obedece ao pensamento sem exigir nenhuma cirurgia. Uma faixa de EEG colocada na cabeça capta os sinais elétricos do cérebro, e um sistema de inteligência artificial os interpreta para mover a prótese com 98,67% de precisão. O feito rendeu ao trio o Gordon E. Moore Award na Regeneron ISEF 2025, a maior feira de ciências do mundo, junto com um cheque de US$ 50 mil.

A origem do projeto é tão importante quanto a tecnologia em si. Tudo começou com Aiden, amigo dos três que é amputado e compartilhou a frustração com as limitações de sua prótese convencional. Essa conversa simples empurrou o grupo para a pesquisa — e Aiden tornou-se também o testador do protótipo, caminhando em uma esteira enquanto a equipe ajustava o sistema em tempo real.

A Neuroflex foi projetada para amputações transfemorais, acima do joelho, um dos casos mais complexos da reabilitação. Motores, articulações realistas e inteligência artificial trabalham juntos para imitar o andar natural, reduzindo em cerca de 35% o gasto de energia em relação a próteses convencionais. Por dispensar implantes cirúrgicos, a tecnologia elimina riscos, internações e longas recuperações — basta vestir a prótese e a faixa.

O dado mais disruptivo, porém, pode ser o preço: a Neuroflex custaria cerca de US$ 1.000, contra até US$ 100.000 das próteses biônicas avançadas disponíveis no mercado. Essa diferença de cem vezes ataca diretamente uma das maiores barreiras da reabilitação global. Ainda assim, o caminho até as prateleiras é longo — ensaios clínicos, garantias de segurança e certificações regulatórias aguardam o protótipo. Os próprios criadores já miram esse horizonte: "Queremos espalhar a tecnologia e ajudar outras pessoas também", disse Prashanth, sinalizando que a ambição vai muito além de Aiden.

Três adolescentes do Texas criaram algo que parecia impossível: uma perna biônica que obedece ao pensamento. A Neuroflex, como chamam, lê os sinais elétricos do cérebro através de uma faixa colocada na cabeça e move a prótese conforme a intenção do usuário — tudo sem uma única cirurgia, sem implantes, sem agulhas no corpo. Samuel Skotnikov, de 17 anos, e seus colegas Chanyoung Kim e Eeshaan Prashanth, ambos de 16, estudam na mesma escola em Highland Village e Flower Mound. Nos testes, o protótipo acertou o movimento desejado em cerca de 98% das vezes. A Regeneron ISEF 2025, a maior feira de ciências do mundo, reconheceu o feito com o Gordon E. Moore Award, entregando aos três um cheque de US$ 50 mil.

O que torna essa história especial não é apenas a tecnologia, mas o que a motivou. Tudo começou com Aiden, amigo dos três que é amputado. Ele compartilhou a frustração de viver com uma prótese que não o ajudava como deveria, e essa conversa simples empurrou o trio para a pesquisa. Skotnikov explicou depois: "Tudo começou em torno de ajudar nosso amigo. Ele compartilhou a dificuldade dele e como a prótese atual não estava ajudando muito. Isso nos fez mergulhar na pesquisa sobre próteses, com o objetivo de criar algo melhor para ele." Aiden não foi apenas inspiração — foi também o testador. A equipe avaliou cada movimento em uma esteira, ajustando o sistema em tempo real, e foi nesses testes que o aparelho atingiu aquele índice impressionante de acerto.

A Neuroflex é uma prótese transfemoral, ou seja, para quem perdeu a perna acima do joelho, um dos casos mais difíceis de resolver na reabilitação. Quanto mais alta a amputação, mais articulações precisam ser recriadas, e mais desafiador é devolver um andar natural. O aparelho combina hardware e software: motores movem a estrutura, um tornozelo com articulações realistas imita o movimento natural do pé, e um sistema de inteligência artificial interpreta o que o cérebro quer fazer. O resultado é um movimento mais leve e econômico — a Neuroflex reduziria em cerca de 35% o gasto de energia em comparação com próteses convencionais, o que significa menos cansaço a cada passo.

O coração da tecnologia está em ler o cérebro sem invadi-lo. A faixa de EEG, sigla para eletroencefalografia, capta os sinais elétricos da atividade cerebral pela parte externa do crânio. Nada é implantado. Esses dados cerebrais são confusos e cheios de ruído, então a equipe criou um sistema híbrido de inteligência artificial para interpretá-los e descobrir qual movimento a pessoa quer fazer. O modelo classifica a intenção do usuário com 98,67% de precisão — um número impressionante para um trabalho de ensino médio. Depois de entender a ordem, os motores se acionam para apoiar e antecipar o movimento, num ciclo de retorno constante em que o aparelho aprende e se ajusta ao usuário.

O detalhe de "sem cirurgia" não é um capricho, é o que muda o jogo. Muitas próteses controladas pelo cérebro dependem de implantes cirúrgicos, que exigem procedimentos caros, arriscados e nem sempre disponíveis. Ao usar uma faixa externa de EEG, a Neuroflex elimina essa barreira. Para o amputado, isso significa acesso mais simples e seguro — não há internação, não há risco cirúrgico, não há longa recuperação. Basta vestir a prótese e a faixa. A tecnologia sai do hospital e se aproxima da casa da pessoa.

Talvez o dado mais revolucionário não seja o cérebro, mas o preço. Segundo a equipe, a Neuroflex pode ser produzida por cerca de US$ 1.000, enquanto próteses biônicas avançadas chegam a custar até US$ 100.000. É uma diferença de até cem vezes, que pode separar quem anda de quem fica sem. O custo alto é hoje um dos maiores vilões da reabilitação. Muitos amputados simplesmente não têm como pagar por uma prótese de qualidade e acabam com modelos rígidos e limitados, ou sem prótese nenhuma. Uma alternativa barata e funcional ataca diretamente essa exclusão.

Por mais empolgante que seja, a Neuroflex ainda está no começo da estrada. O que existe é um protótipo vencedor de feira de ciências, validado em testes com uma pessoa, e não um dispositivo médico aprovado por órgãos de saúde. Entre a bancada e a farmácia hospitalar há um caminho longo que passa por mais testes, ensaios clínicos, garantias de segurança e certificações. Os próprios criadores sabem disso e já miram o futuro. "Queremos espalhar a tecnologia e ajudar outras pessoas também", disse Prashanth, sinalizando que a ambição vai além de Aiden. O que esses adolescentes mostraram, unindo cérebro, sensores e inteligência artificial a baixo custo, é o suficiente para acender uma esperança real para amputados em todo o mundo.

Tudo começou em torno de ajudar nosso amigo. Ele compartilhou a dificuldade dele e como a prótese atual não estava ajudando muito. Isso nos fez mergulhar na pesquisa sobre próteses, com o objetivo de criar algo melhor para ele.
— Samuel Skotnikov, criador da Neuroflex
Queremos espalhar a tecnologia e ajudar outras pessoas também.
— Eeshaan Prashanth, criador da Neuroflex
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que você acha que esses três adolescentes conseguiram fazer algo que grandes laboratórios levam anos para alcançar?

Model

Porque começaram com uma pessoa real, não com uma abstração. Aiden era amigo deles. Quando você está tentando resolver um problema para alguém que você conhece, a exigência é diferente.

Inventor

A faixa de EEG é tecnologia antiga. O que mudou?

Model

A inteligência artificial. Ler o cérebro de fora sempre foi barulhento e impreciso. Mas um modelo bem treinado consegue filtrar o ruído e encontrar o padrão. Eles fizeram isso funcionar em 98% das vezes.

Inventor

Isso é realmente seguro? Sem cirurgia, sem implantes?

Model

Mais seguro do que a alternativa. Nenhuma invasão do corpo significa nenhum risco cirúrgico, nenhuma infecção de implante, nenhuma recuperação. Você coloca a faixa e começa a usar.

Inventor

Mas quanto tempo até isso estar disponível para as pessoas?

Model

Aí está o problema. Protótipo é uma coisa. Produto médico é outra. Precisam de ensaios clínicos, certificações, tudo isso leva anos. Mas a direção está clara.

Inventor

E o preço? US$ 1.000 é realmente viável?

Model

Se conseguirem escalar a produção, sim. O custo está em componentes que já existem e são baratos. Não é ficção científica cara, é engenharia inteligente.

Inventor

O que você acha que esses três adolescentes ensinaram ao mundo?

Model

Que você não precisa de um laboratório de bilhões de dólares para atacar um problema real. Você precisa de curiosidade, de alguém que você quer ajudar, e de disposição para aprender.

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