No cantão de Lucerna, um homem ergueu com semanas de trabalho e milhares de francos uma torre de madeira de 24 metros destinada a arder em uma única noite festiva — e ela permanece de pé. A seca de 2026 levou as autoridades suíças a proibir as fogueiras tradicionais do Dia Nacional, transformando um espetáculo efêmero em um monumento involuntário à imprevisibilidade da natureza e das regras humanas. Tentando converter o impasse em oportunidade, o construtor colocou a estrutura à venda na internet, sem encontrar comprador. O que deveria durar horas aguarda agora, intacto, uma resolução que só o
Torre de madeira de 24 metros construída para queimar em uma noite fica sem comprador após proibição suíça
O que deveria durar uma noite se transformou em construção permanente
Por que alguém construiria algo tão grande sabendo que seria destruído em uma noite?
É uma tradição suíça muito antiga. Fogueiras gigantescas no Dia Nacional são celebrações comunitárias, eventos que reúnem pessoas. Para Häfliger, que já havia feito isso antes com sucesso, era um espetáculo planejado.
E quando a proibição chegou, por que ele não simplesmente desmontou a torre?
Porque desmontá-la teria custado tempo e dinheiro adicionais. Ele já havia investido 6 a 7 mil francos. Tentar vender a madeira pareceu mais lógico — talvez alguém a quisesse para outra coisa.
Mas ninguém quis comprar uma pilha de madeira de 120 toneladas?
Não. É um objeto muito específico, muito grande, muito pesado. Não é como vender uma mesa usada. Você precisa de equipamento para transportá-la, espaço para armazená-la, e ela pode desabar a qualquer momento.
Então agora a torre está lá, esperando?
Sim. Até agosto de 2027. Se as condições melhorarem e as autoridades permitirem, talvez Häfliger finalmente consiga queimá-la no próximo Dia Nacional. Se não, ele terá que removê-la.
Qual é a lição aqui?
Que a natureza e a regulamentação ambiental podem mudar seus planos em questão de dias. E que às vezes o que você constrói para desaparecer acaba permanecendo muito mais tempo do que você esperava.
The Pulse
- Uma torre de 120 toneladas e 24 metros foi erguida especificamente para desaparecer em chamas numa única noite de celebração nacional — e a proibição das autoridades a deixou de pé, intacta.
- A seca severa do verão de 2026 levou Lucerna a vetar todas as fogueiras ao ar livre a partir de 6 de agosto, frustrando uma tradição centenária e o investimento de 6 a 7 mil francos suíços do construtor.
- Sem poder queimar e sem querer simplesmente desmontar, Michael Häfliger colocou a estrutura à venda por quase 6 mil francos, sugerindo usos que vão de cenário publicitário a futura fogueira autorizada.
- Nenhum comprador apareceu — o anúncio no site Ricardo encerrou sem lances, e a torre segue ocupando o terreno como um problema sem solução imediata.
- O prazo final é agosto de 2027: a madeira deverá ser removida ou, se as condições e as autoridades permitirem, finalmente queimada — cumprindo com um ano de atraso o propósito para o qual foi construída.
No cantão de Lucerna, um homem ergueu com semanas de trabalho e milhares de francos uma torre de madeira de 24 metros destinada a arder em uma única noite festiva — e ela permanece de pé. A seca de 2026 levou as autoridades suíças a proibir as fogueiras tradicionais do Dia Nacional, transformando um espetáculo efêmero em um monumento involuntário à imprevisibilidade da natureza e das regras humanas. Tentando converter o impasse em oportunidade, o construtor colocou a estrutura à venda na internet, sem encontrar comprador. O que deveria durar horas aguarda agora, intacto, uma resolução que só o tempo — ou o fogo — poderá oferecer.
Michael Häfliger passou semanas no verão de 2026 empilhando troncos em Eich, no cantão de Lucerna, até que a estrutura alcançou 24 metros de altura e cerca de 120 toneladas. O objetivo era queimá-la inteira na noite do Dia Nacional da Suíça, em 1º de agosto — tradição que remonta a séculos e que ele já havia celebrado em anos anteriores com fogueiras igualmente monumentais. O investimento chegou a entre 6 mil e 7 mil francos suíços.
O fogo nunca aconteceu. Em 23 de julho, as autoridades de Lucerna proibiram as fogueiras do feriado devido à seca e ao risco elevado de incêndios florestais. Dias depois, em 6 de agosto, o cantão foi além e estabeleceu um veto absoluto a qualquer fogo ao ar livre. A torre construída para desaparecer em uma noite permaneceu de pé, intacta.
Häfliger transformou o impasse em uma tentativa improvável: colocou a estrutura à venda no Ricardo, principal site de compra e venda suíço, pelo nome de 'Holzhaufen' — pilha de madeira. Por 5.999 francos, o comprador poderia retirar a madeira, usar a torre como cenário para publicidade ou fotografias, ou aguardar uma futura autorização para queimá-la no próprio terreno. O anúncio alertava que a estrutura não era permanente — partes poderiam cair, e o acesso exigiria acordo prévio.
Nenhum interessado apareceu. A página do anúncio foi encerrada sem lances. A torre continua no terreno, presa a um calendário restrito: não pôde ser acesa no feriado para o qual foi criada e não pode virar fogueira de Réveillon por causa das regulamentações de inverno. Resta agosto de 2027 como última janela — quando a estrutura deverá ser removida ou, finalmente, queimada.
Michael Häfliger passou semanas no verão de 2026 empilhando troncos em Eich, no cantão de Lucerna, na Suíça. Seu objetivo era simples e direto: construir uma torre de madeira tão alta quanto um prédio de oito andares, enchê-la de combustível e queimá-la inteira em uma única noite de celebração. Quando o trabalho terminou, no final de junho, a estrutura alcançava 24 metros de altura e pesava aproximadamente 120 toneladas. Häfliger e seus colaboradores haviam investido entre 6 mil e 7 mil francos suíços em madeira, equipamento e preparação. Tudo estava pronto para o Dia Nacional da Suíça, comemorado em 1º de agosto, quando fogueiras gigantescas acendem em diferentes regiões do país em tradição que remonta a séculos.
Mas o fogo nunca aconteceu. No final de julho, as autoridades de Lucerna determinaram que as fogueiras tradicionais do feriado não poderiam ser acesas. O verão havia sido seco demais. O risco de incêndios florestais era alto demais. A decisão foi tomada em 23 de julho, apenas dias antes da celebração. Häfliger compreendeu a preocupação das autoridades, embora tenha questionado o timing — ainda havia possibilidade de chuva antes do feriado, argumentou. Mas a proibição se manteve. Pior ainda, em 6 de agosto, o cantão estabeleceu um veto absoluto ao fogo ao ar livre em qualquer circunstância, válido até nova determinação. Nem mesmo fogueiras em locais preparados estavam permitidas. A estrutura que havia sido construída especificamente para desaparecer em chamas permaneceu de pé, intacta, um monumento involuntário à frustração.
Häfliger não era novato nesse tipo de empreendimento. Nos anos anteriores, ele havia erguido outras grandes fogueiras para a mesma celebração. Em 2025, uma estrutura que alcançou aproximadamente 25 metros e reuniu mais de 100 toneladas de madeira havia sido incendiada sem problemas. Desta vez, porém, a natureza e a burocracia conspiraram contra seus planos. Sem poder realizar a queima, ele transformou o problema em uma oportunidade improvável. A torre foi colocada à venda no Ricardo, um dos principais sites de compra e venda da Suíça, com o nome simples de "Holzhaufen" — pilha de madeira, em alemão.
O anúncio inicial oferecia a estrutura por 5.999 francos suíços. A descrição revisada reduziu ligeiramente as estimativas de tamanho e peso — agora cerca de 20 metros e aproximadamente 100 toneladas — deixando claro que as medidas exatas não eram garantidas. O vendedor oferecia várias possibilidades para um eventual comprador. A madeira poderia ser retirada do terreno, ou poderia permanecer temporariamente no local. Uma empresa poderia usar a torre como suporte para publicidade, cenário para fotografias ou gravações, ou ações promocionais. Havia ainda uma terceira opção: esperar até que uma queima voltasse a ser autorizada e então realizar o fogo no próprio terreno, desde que todas as exigências das autoridades fossem cumpridas. Os recursos de uma eventual venda seriam destinados a projetos florestais locais.
Mas havia advertências importantes. A torre não havia sido projetada para funcionar como uma construção permanente. Ela nasceu para ser uma fogueira. Partes poderiam cair. A estrutura inteira poderia eventualmente desabar. Subir, entrar ou trabalhar perto dela exigiria acordo prévio e seria feito sob responsabilidade de quem decidisse utilizar o espaço. Havia também um prazo: todo o conjunto deveria desaparecer do terreno até 1º de agosto de 2027, seja por meio de retirada da madeira ou por uma futura queima autorizada.
Häfliger havia considerado outras alternativas. Queimar a torre durante o Ano-Novo? Impossível. No cantão de Lucerna, a regulamentação proíbe a queima ao ar livre de resíduos de floresta, campo e jardim entre 1º de novembro e 31 de março. Fora desse período, outras regras continuam valendo e determinadas queimas podem depender de condições específicas ou autorização. A torre acabou presa a um calendário extremamente limitado: não pôde ser acesa no feriado para o qual havia sido construída, não poderia ser transformada em uma fogueira de Réveillon e continuaria dependendo das condições ambientais e da liberação das autoridades.
A tentativa de venda terminou sem sucesso. A página do anúncio no Ricardo aparece atualmente marcada como "artigo não vendido". O histórico da plataforma não registra qualquer lance. A montanha de madeira continua sendo um problema de Häfliger e dos responsáveis pelo projeto. Há uma ironia peculiar nessa situação: a estrutura criada para produzir uma enorme chama permaneceu visível por muito mais tempo justamente porque não pôde ser incendiada. O que deveria durar apenas uma noite se transformou em uma construção temporária com dezenas de metros de altura, toneladas de madeira e até potencial para publicidade. Se nenhuma outra solução aparecer e as condições permitirem, o calendário ainda reserva uma última possibilidade para a ideia original: agosto de 2027, quando a torre deverá desaparecer — seja removida ou, finalmente, queimada.
Notable Quotes
Häfliger compreendeu a preocupação das autoridades com a seca, embora questionasse a decisão tomada com antecedência, quando ainda havia possibilidade de chuva antes do feriado— Michael Häfliger, construtor da torre