Títulos prefixados vencem disputa no semestre; IPCA+ também avança

Quem travar hoje um prefixado a 14% garante retorno robusto
Investidores que fixam taxa agora têm vantagem sobre projeções de Selic em 10,50% nos próximos dois anos.
Mark

Por que os títulos prefixados se saíram tão bem no semestre inteiro, enquanto em junho especificamente o ganho foi mais modesto?

Mimi

Porque junho foi um mês de consolidação. A Selic subiu para 15%, o Banco Central sinalizou que manteria esse patamar, e o mercado já tinha precificado boa parte dessa trajetória nos meses anteriores. Os ganhos reais do semestre vieram de uma combinação: títulos que foram comprados quando as taxas eram ainda mais altas, mais a valorização acumulada ao longo dos meses.

Luke

Mas é importante notar que nem todos os papéis ganharam. Os IPCA+ de curto prazo, com vencimento em 2029 e 2035, tiveram quedas em junho. Então a história não é tão uniforme quanto parece.

Mark

E por que os títulos de médio e longo prazo resistiram melhor às pressões?

Mimi

Porque são justamente o horizonte que o Banco Central usa para tomar decisões. Quando há incerteza sobre o rumo dos juros, os papéis mais longos sofrem mais volatilidade. Mas nesse semestre, com a Selic subindo e o BC sinalizando estabilidade, os investidores se sentiram mais confortáveis comprando papéis que vencem em 2032, 2040, 2050.

Luke

Embora seja justo dizer que "conforto" é relativo. O BC está preocupado com inflação resistente e mercado de trabalho aquecido. Essas não são sinalizações de tranquilidade total.

Mark

Então para quem está entrando agora, a rentabilidade é realmente menor?

Mimi

Sim. Quem comprou prefixados a 14% há alguns meses está em uma posição melhor do que quem está comprando agora. Mas 14% ainda é uma taxa muito atrativa comparada ao que o mercado projeta para os próximos dois anos — o Focus aponta Selic em torno de 10,50%.

Luke

E isso assume que as projeções do Focus estão corretas. Se a inflação não ceder como esperado, a Selic pode não cair tanto quanto previsto. É um risco real.

Mark

Qual é a estratégia mais segura para um investidor novo?

Mimi

Depende do horizonte. Se você quer liquidez e segurança, Selic faz sentido para prazos curtos e médios. Se quer fixar rentabilidade agora e levar até o vencimento, prefixados são interessantes. Se quer proteção contra inflação, IPCA+ de médio a longo prazo é a aposta.

Luke

Mas nenhuma dessas é "segura" em sentido absoluto. Todas dependem de como a economia se comportar nos próximos anos. O que é seguro é que você está travando uma taxa hoje, e essa taxa é historicamente elevada.

  • Todos os títulos prefixados encerraram o semestre no azul; curto prazo ganhou quase 10%
  • Selic elevada para 15% ao ano em junho; BC sinalizou manutenção por período prolongado
  • Prefixado com vencimento em 2032 registrou maior alta em junho: 1,85% de rentabilidade
  • Focus projeta Selic em torno de 10,50% nos próximos dois anos
  • Taxa de desocupação ficou abaixo do esperado em maio; inflação permanece resistente

Todos os títulos prefixados encerraram o semestre no azul, com curto prazo ganhando quase 10%, enquanto Tesouro Selic ultrapassou dois dígitos no acumulado. Títulos de médio e longo prazo sentiram menos pressão; prefixados com vencimento em 2032 registraram maior alta em junho com 1,85% de rentabilidade.

Títulos públicos prefixados e atrelados à inflação apresentaram desempenho positivo no primeiro semestre de 2025, com destaque para papéis de médio e longo prazo em cenário de Selic elevada a 15% ao ano.

Junho terminou com uma vitória clara para os títulos prefixados do Tesouro Direto. Enquanto a discussão sobre mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras ocupava o noticiário — e depois desapareceu sem maiores consequências — a maioria dos papéis públicos fechou o mês em terreno positivo, ainda que os ganhos não tenham sido espetaculares. Mas quando se amplia o olhar para os seis primeiros meses do ano, a história muda de tom completamente.

Todos os títulos prefixados acumularam ganhos no semestre, com destaque para os de curto prazo, que subiram quase 10%. Os papéis atrelados à inflação também apresentaram desempenho semelhante, com apenas uma queda registrada no período. O Tesouro Selic, porém, foi quem realmente impressionou, ultrapassando a marca dos dois dígitos no acumulado do semestre. A razão por trás desse movimento está enraizada na natureza dos títulos públicos: como preço e taxa são inversamente proporcionais, quando a demanda por um papel aumenta, seu preço sobe e a taxa cai. E a demanda, por sua vez, é profundamente influenciada pelas perspectivas fiscais do governo.

O mês de junho trouxe um ingrediente extra: a decisão do Banco Central de elevar a taxa Selic para 15% ao ano, acompanhada de uma sinalização clara de que não haveria novos aumentos nas reuniões seguintes e que esse patamar seria mantido por um período prolongado. Essa combinação reforçou a atratividade dos títulos públicos. Como explica Rafael Bellas, coordenador de produtos da InvestSmart XP, a manutenção de juros tão elevados, com o Banco Central sinalizando estabilidade, torna esses ativos particularmente atraentes. Embora os juros reais para títulos mais longos, como o Tesouro IPCA+, tenham recuado levemente, eles ainda oferecem ganhos reais significativos.

Os títulos de médio e longo prazo foram os que melhor resistiram às pressões do cenário, encerrando o mês em uma zona de conforto maior — justamente o horizonte que o Banco Central considera ao tomar decisões monetárias. Entre os vencimentos disponíveis, o prefixado com prazo para 2032 registrou a maior alta em junho, com rentabilidade de 1,85%, seguido pelo papel com vencimento em 2028, que ganhou 0,99%. Entre os títulos atrelados à inflação, o papel com vencimento em 2040 se destacou com 0,59%, enquanto os papéis com prazos menores, como aqueles vencendo em 2029 e 2035, registraram quedas modestas de -0,21% e -0,18%, respectivamente.

Para quem entrou no mercado quando as taxas eram mais altas, a situação é confortável. Investidores que garantiram títulos prefixados a 14% ao ano ou papéis atrelados à inflação próximos a 8% têm agora um horizonte de ganhos mais claro. Mas para quem está entrando agora, a rentabilidade contratada será menor do que aquela disponível quando o cenário doméstico apresentava mais riscos. Ainda assim, o ambiente permanece excelente para novos investidores. Leonardo Araújo, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, aponta que quando a taxa básica está nesse patamar, o custo de oportunidade de investir em outras classes, como ações ou fundos multimercado, aumenta significativamente, fazendo a renda fixa pública ganhar brilho adicional.

O Boletim Focus já projeta que a Selic pode cair para algo em torno de 10,50% nos próximos dois anos. Isso significa que quem travar hoje um título prefixado a 14% ao ano está garantindo um retorno robusto em relação ao que o mercado projeta para o futuro. Sempre que o mercado começa a sinalizar o fim do ciclo de alta de juros — o que ainda demorará a acontecer — os prefixados ganham atratividade, pois ao travar a taxa agora, é possível garantir um retorno elevado por vários anos mesmo que a Selic comece a cair nos próximos trimestres. Araújo reforça que prefixados com taxas acima de 14% ao ano permanecem em um patamar bastante atrativo para quem está disposto a manter o título até o vencimento.

Lucas Ghilardi, analista e sócio da The Hill Capital, vê os títulos de curto prazo, com dois a três anos de duração, como potenciais vencedores para os próximos anos. Mas sua aposta preferida permanece em IPCA+ com duração média a longa, de cinco a sete anos, pois garantir um ganho real de 7% acima da inflação no Brasil para um período estendido costuma superar o CDI com folga em muito pouco tempo. O Banco Central, porém, segue atento. Na ata divulgada após a decisão que levou a Selic a 15%, a autoridade monetária deixou clara suas preocupações: a inflação resistente e o mercado de trabalho aquecido encabeçam a lista. O IPCA-15 divulgado na semana anterior mostrou uma desaceleração ante maio, mas a taxa de desocupação do Brasil ficou abaixo do esperado no trimestre móvel encerrado em maio, confirmando a resiliência da economia. Um mercado de trabalho aquecido colabora para mais inflação e, consequentemente, juros maiores, razão pela qual ambos os indicadores são motivo de preocupação para os dirigentes do Banco Central. Nos próximos meses, esses números continuarão sendo o termômetro que guiará os próximos passos da política monetária.

A manutenção de juros em patamares tão altos, com o Banco Central sinalizando um período prolongado de taxa elevada, reforça a atratividade desses ativos
— Rafael Bellas, coordenador de produtos da InvestSmart XP
Quando a taxa básica está nesse patamar, o custo de oportunidade de investir em outras classes como ações ou fundos multimercado aumenta bastante, então a renda fixa pública ganha um brilho a mais
— Leonardo Araújo, especialista em investimentos e sócio da GT Capital
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