Títulos americanos emitem alerta de recessão à frente nos EUA

Quando essa curva se inverte, uma recessão está chegando
O diferencial entre treasuries de dez e dois anos atingiu mínima de quarenta anos, sinalizando contração econômica próxima.
Mark

Por que a curva de juros invertida é tão importante? Não é apenas um número entre muitos?

Mimi

Porque ela inverte a lógica normal do risco. Quando você empresta dinheiro por mais tempo, você quer ser compensado por esse risco. Se as taxas de longo prazo caem abaixo das de curto prazo, significa que os investidores estão apostando que a economia vai piorar — e rápido.

Mark

Mas o mercado de trabalho está criando empregos. Os consumidores estão gastando. Como isso combina com recessão?

Mimi

Não combina bem, é verdade. É por isso que o cenário é tão confuso agora. Os indicadores de atividade real ainda mostram expansão, mas estão desacelerando. É como um carro que ainda está acelerador, mas o pé já está saindo do pedal.

Mark

Então qual indicador você acredita mais?

Mimi

Historicamente, a curva de juros invertida é um dos mais confiáveis. Mas essa confiabilidade vem de décadas de dados. O que está acontecendo agora é que o mercado de trabalho e o consumo ainda estão resistindo de forma que não vimos antes em períodos pré-recessivos.

Mark

E o Federal Reserve? Ele vai parar de aumentar juros?

Mimi

Não vai parar, mas deve desacelerar o ritmo. O problema é que mesmo que pare agora, os efeitos das altas anteriores continuam se propagando pela economia. É como apertar um freio — mesmo que você solte o pedal, o carro ainda está desacelerando.

Mark

Então dezembro é decisivo?

Mimi

Sim. Os dados de novembro e dezembro vão mostrar se essa desaceleração que vemos nos indicadores de tendência e momentum vai se transformar em contração real, ou se o mercado de trabalho e o consumo conseguem sustentar o crescimento um pouco mais.

  • O spread entre os títulos de 10 e 2 anos caiu para -0,71 ponto percentual, o nível mais negativo em quatro décadas — um alarme que historicamente antecede recessões com alta confiabilidade.
  • Apesar do aviso dos mercados, a economia americana criou 261 mil empregos em outubro e o varejo acelerou 1,3%, criando uma contradição desconcertante entre os sinais financeiros e os dados reais.
  • O Índice Econômico Semanal do Fed de Nova York atingiu sua leitura mais baixa em um ano e meio, e as projeções até dezembro apontam para atividade econômica levemente negativa no início de 2023.
  • O Federal Reserve mantém sua trajetória de aperto monetário, e os efeitos acumulados das altas de juros devem intensificar os ventos contrários à economia nos próximos meses.
  • O relatório de empregos de 2 de dezembro torna-se o momento decisivo: confirmará a trajetória recessiva ou oferecerá aos otimistas a evidência de que o crescimento ainda resiste.

Os mercados de títulos americanos, com sua curva de juros mais invertida em quarenta anos, estão repetindo um aviso que a história econômica raramente mente: uma recessão se aproxima. E, no entanto, a economia real ainda respira — empregos sendo criados, consumidores gastando — como se o corpo não soubesse ainda o que o termômetro já indica. É nessa tensão entre o sinal financeiro e a vitalidade cotidiana que os Estados Unidos se encontram no outono de 2022, aguardando os dados que dirão qual das duas narrativas prevalecerá.

Os títulos do Tesouro americano estão emitindo um sinal difícil de ignorar. Na quarta-feira, o diferencial entre as taxas das treasuries de dez e dois anos caiu para -0,71 ponto percentual — a pior leitura em quarenta anos. Quando a curva de juros se inverte dessa forma, com empréstimos de longo prazo custando menos que os de curto prazo, a história econômica é consistente: uma recessão está a caminho. Duane McAllister, da Baird Advisors, confirma que uma inversão sustentada como essa é um indicador bastante confiável de contração econômica iminente.

Mas os dados mais recentes complicam essa leitura. Em outubro, o mercado de trabalho criou 261 mil empregos — um avanço sólido, ainda que o mais lento em quase dois anos — e os gastos no varejo aceleraram 1,3% em relação a setembro. Esses dois pilares, emprego e consumo, continuam sinalizando expansão, não retração. A economia americana apresenta, portanto, um quadro dividido: os mercados financeiros apontam para uma direção enquanto a atividade cotidiana aponta para outra.

O que não está em dúvida é que o crescimento está desacelerando. Os indicadores de tendência e momentum de outubro se aproximam dos pontos de virada que historicamente marcam o início de uma recessão, e as projeções até dezembro sugerem atividade econômica levemente negativa. O Federal Reserve de Nova York registrou sua leitura semanal mais baixa em um ano e meio. Enquanto isso, o Fed mantém sua trajetória de alta de juros, cujos efeitos acumulados devem pressionar ainda mais a economia nos próximos meses.

Os dados de novembro e dezembro serão o teste definitivo. O relatório de empregos previsto para 2 de dezembro pode confirmar a trajetória recessiva ou oferecer aos otimistas a evidência de que as forças do crescimento ainda resistem. Por ora, o mercado de treasuries fez sua aposta — e a economia real ainda não decidiu se concorda.

Os títulos do Tesouro americano estão enviando um sinal que os mercados não conseguem ignorar. Na quarta-feira, o diferencial entre as taxas de juros das treasuries de dez anos e dois anos caiu para menos 0,71 ponto percentual — a pior leitura em quarenta anos. Quando essa curva se inverte, quando empréstimos de longo prazo custam menos que os de curto prazo, a história econômica é clara: uma recessão está chegando.

Duane McAllister, gestor sênior de portfólio da Baird Advisors, resume o que os dados históricos mostram: uma inversão sustentada como essa funciona como um indicador bastante confiável de que a contração econômica se aproxima. O spread de três meses e dez anos também já está negativo, reforçando o aviso. Diversos indicadores de atividade amplamente acompanhados pelos analistas apontam na mesma direção — para uma provável recessão.

Mas há uma complicação. Os números mais recentes da economia americana pintam um quadro misto, e em dois fronts críticos, o crescimento ainda resiste. Em outubro, o mercado de trabalho criou 261 mil empregos, um avanço sólido mesmo que tenha sido o mais lento em quase dois anos. Ao mesmo tempo, os gastos no varejo aceleraram, subindo 1,3% em relação a setembro. Esses dois pilares — emprego e consumo — continuam sinalizando expansão econômica, não contração.

O que está claro, porém, é que o crescimento está desacelerando. Os indicadores de tendência e momentum econômico de outubro, publicados nas atualizações semanais do Relatório de Ciclo de Negócios, continuam próximos aos seus respectivos pontos de virada que marcam o início de uma recessão. As projeções prospectivas de ambos até dezembro apontam para a possibilidade de uma atividade econômica levemente negativa. O Índice Econômico Semanal publicado pelo Federal Reserve de Nova York registrou sua leitura mais baixa em um ano e meio — e extrapolando a tendência recente, a contração econômica deve começar no início de 2023.

O Federal Reserve, enquanto isso, continua sua trajetória de aumento de juros. O ritmo deve desacelerar, mas os efeitos das altas anteriores e o aperto adicional da política monetária continuarão intensificando os ventos contrários para a economia nos próximos meses. É um cenário em que as forças do crescimento enfrentam pressão crescente.

Os dados econômicos de novembro e dezembro representam um teste crítico. Neste momento, é muito difícil determinar se as forças do crescimento sucumbirão à contração. O mercado de treasuries está sinalizando que uma nova recessão se avizinha, mas os otimistas esperam que o relatório de empregos de novembro, que sairá no dia 2 de dezembro, mostre uma tendência contrária. Tudo dependerá do que esses números revelarem.

Uma inversão sustentada como essa funciona como um indicador bastante confiável de que a contração econômica se aproxima
— Duane McAllister, gestor sênior de portfólio da Baird Advisors
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