Tiririca, Datena e outros famosos não conseguem se eleger nas eleições de 2026

A câmera e o púlpito político não falam a mesma língua
Tiririca e outros famosos que tentaram se eleger em 2026 descobriram que a visibilidade televisiva não garante votos.
Mark

Como é possível Tiririca perder depois de 16 anos vencendo todas as eleições? Algo mudou fundamentalmente?

Mimi

Ele recebeu pouco mais de 5 mil votos desta vez. É um colapso. Mas a pergunta real é se o eleitorado mudou ou se a fórmula dele simplesmente expirou — se a graça que funcionava em 2010 deixou de funcionar em 2026.

Luke

Mas a gente não sabe por quê. Cinco mil votos é um número, mas não nos diz se as pessoas deixaram de gostar dele, se não compareceram, se votaram em outro candidato do mesmo partido, ou se a dinâmica da política cearense mudou. Precisaríamos de pesquisa pós-eleitoral para entender.

Mark

E quanto aos outros? Datena com 32 mil, Silvia Abravanel com 22 mil — esses números são altos ou baixos para deputado federal?

Mimi

Dependem do estado e da competição. Em São Paulo, 32 mil votos pode ser bastante, mas claramente não foi o suficiente. O padrão que emerge é que nenhum deles se elegeu, apesar de terem visibilidade nacional.

Luke

Exatamente. A gente está vendo que eles não se elegeram, mas não sabemos quantos votos seriam necessários em cada estado, quantos candidatos concorriam, qual era a cota de cada partido. Os números isolados não nos dizem se foi uma derrota apertada ou um fracasso esmagador.

Mark

Então o que podemos afirmar com segurança?

Mimi

Que celebridades que tentaram se eleger em 2026 não conseguiram. Que Tiririca, que havia vencido desde 2010, perdeu desta vez. Que a visibilidade televisiva não garantiu uma cadeira.

Luke

E que essa é uma mudança notável em relação ao padrão anterior. Mas o porquê — se é rejeição, se é fragmentação do voto, se é que o eleitorado está votando diferente — isso ainda é uma pergunta aberta.

  • Tiririca, símbolo de que a fama bastava para governar, foi derrotado pela primeira vez em 16 anos, recebendo apenas 5 mil votos pelo Ceará.
  • Datena, Silvia Abravanel, Rachel Sheherazade e Sikêra Jr. somaram dezenas de milhares de votos cada um — números expressivos no cotidiano, insuficientes nas urnas.
  • Os resultados mais modestos vieram de fora do eixo Rio-São Paulo: Andrea Sorvetão obteve 2,5 mil votos e Humberto Martins, ex-galã de novelas, pouco mais de 1,1 mil.
  • O padrão que emerge é claro: a estratégia de lançar celebridades como candidatos, que parecia consolidada, revelou-se frágil quando testada em escala.
  • O eleitorado sinalizou que visibilidade televisiva e legitimidade política não são equivalentes — e que o rosto familiar, sozinho, não abre as portas do Congresso.

No domingo de outubro de 2026, o Brasil assistiu a um raro momento de sobriedade democrática: rostos familiares da televisão, acostumados ao aplauso fácil das câmeras, foram confrontados com a indiferença silenciosa das urnas. Tiririca, que por 16 anos transformou a popularidade em mandato, encerrou sua sequência vitoriosa com apenas 5 mil votos pelo Ceará. Ao lado dele, Datena, Silvia Abravanel, Rachel Sheherazade e outros descobriram que reconhecimento público e confiança política são moedas distintas — e que o eleitor, quando chega à cabine, faz perguntas que a câmera nunca precisou responder.

No domingo, 4 de outubro de 2026, uma série de nomes conhecidos da televisão brasileira descobriu que câmera e púlpito político não falam a mesma língua. Tiririca, Datena, Silvia Abravanel, Rachel Sheherazade e outros apresentadores e atores que se lançaram como candidatos a deputado federal saíram derrotados das urnas, encerrando a ilusão de que o reconhecimento público garantiria uma cadeira no Congresso.

O caso mais emblemático foi o de Tiririca. Desde 2010, ele havia vencido todas as disputas eleitorais de que participou — 16 anos de vitórias consecutivas que o tornavam quase uma instituição política. Desta vez, concorrendo pelo Ceará na legenda do PSD, recebeu pouco mais de 5 mil votos e ficou de fora do Congresso pela primeira vez em uma década e meia.

Os números dos demais candidatos revelam um padrão consistente. Datena acumulou cerca de 32 mil votos em São Paulo, insuficientes para se eleger. Silvia Abravanel, estreante nas eleições, conquistou 22 mil. Rachel Sheherazade somou 14 mil. Sikêra Jr. ficou com 23 mil, e Geraldo Luís não chegou aos 7 mil. Fora do eixo Rio-São Paulo, os resultados foram ainda mais modestos: Andrea Sorvetão recebeu 2,5 mil votos, e Humberto Martins, ex-galã de novelas, pouco mais de 1,1 mil — o menor número entre todos os candidatos famosos.

O que o domingo de outubro sugeriu é uma desconexão fundamental entre visibilidade televisiva e disposição do eleitor de conferir poder político a uma celebridade. Estreantes ou veteranos de tentativas anteriores, todos compartilhavam a crença de que o rosto familiar seria suficiente. As urnas responderam que não é.

No domingo, 4 de outubro, uma série de nomes conhecidos da televisão brasileira descobriu que a câmera e o púlpito político não falam a mesma língua. Tiririca, Datena, Silvia Abravanel, Rachel Sheherazade e uma meia dúzia de outros apresentadores e atores que se lançaram como candidatos a deputado federal — e em alguns casos estadual — saíram derrotados das urnas, encerrando uma ilusão que parecia consolidada: a de que o reconhecimento público garantiria uma cadeira no congresso.

O caso mais emblemático é o do humorista Tiririca. Desde 2010, quando estreou nas disputas eleitorais, ele havia vencido todas as corridas de que participou. Eram 16 anos de vitórias consecutivas, um trajeto que o mantinha na Câmara dos Deputados e o tornava praticamente uma instituição política. Desta vez, concorrendo pelo Ceará na legenda do PSD, recebeu pouco mais de 5 mil votos — um número que o deixou de fora do congresso pela primeira vez em uma década e meia. Para um político que havia construído sua carreira sobre a base da popularidade, o resultado foi particularmente contundente.

Os números dos demais candidatos revelam um padrão: a televisão não se converte automaticamente em votos. Datena, que havia tentado a prefeitura de São Paulo em 2024 e agora buscava uma vaga de deputado federal pelo estado, acumulou aproximadamente 32 mil votos — insuficientes para se eleger. Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos e estreante nas eleições, conquistou cerca de 22 mil votos. Rachel Sheherazade, que construiu sua carreira como jornalista e apresentadora, somou apenas 14 mil votos em São Paulo. Sikêra Jr, outro apresentador que tentou a sorte em São Paulo pela legenda dos Republicanos, ficou com 23 mil votos. Geraldo Luís, que se lançou pela Avante, não chegou nem aos 7 mil.

Fora do eixo Rio-São Paulo, os resultados foram ainda mais modestos. Andrea Sorvetão, ex-paquita que concorreu ao cargo de deputada federal pelo Rio de Janeiro, recebeu apenas 2,5 mil votos. Humberto Martins, ator que foi galã de novelas e também concorreu pelo Rio na legenda da Democracia Cristã, obteve pouco mais de 1,1 mil votos — o menor número entre todos os candidatos famosos que disputaram. Inês Brasil, conhecida por memes virais e pela frase "Alô, alô, vocês sabem quem sou eu?", tentou se eleger como deputada estadual no Rio e recebeu cerca de 3 mil votos.

O que esses resultados sugerem é uma desconexão fundamental entre a visibilidade televisiva e a disposição do eleitor de conferir poder político a uma celebridade. A estratégia de lançar nomes conhecidos nas eleições, que pareceu funcionar para Tiririca durante 16 anos, mostrou-se frágil quando testada em massa. Alguns desses candidatos eram estreantes na política — como Silvia Abravanel — enquanto outros já haviam tentado cargos executivos. Mas todos compartilhavam uma característica: acreditavam que o rosto familiar seria suficiente. O domingo de outubro de 2026 sugeriu que não é.

Tiririca havia sido eleito em todas as corridas eleitorais de que participou desde 2010, mas não conseguiu um novo pleito
— Contexto da campanha
Quer a matéria completa? Leia o original em Terra ↗
Fale Conosco FAQ