Há histórias que revelam, com clareza perturbadora, como o poder pode ser usado para silenciar e destruir. Em São Paulo, o empresário Thiago Brennand foi condenado pela quarta vez pela Justiça — a terceira por estupro —, desta vez a dez anos e meio de prisão por violências cometidas em 2016 contra uma mulher que conheceu pelas redes sociais. O caso expõe não apenas a brutalidade dos abusos repetidos, mas o uso deliberado da imagem como instrumento de controle, e o longo silêncio que o medo impõe às vítimas antes que a Justiça possa, enfim, ser alcançada.
Thiago Brennand condenado a 10 anos por estupro e filmagem de abusos
Precisou se mudar e instalar uma porta blindada para se proteger
Por que essa condenação é diferente das outras três?
Porque ela documenta um padrão específico de controle através da tecnologia. Não era só a violência física — era a filmagem, a ameaça de exposição pública. Isso amplia o dano para além do momento do abuso.
A vítima demorou anos para denunciar. O que a fez finalmente procurar a polícia?
Ela viu outras mulheres falando publicamente sobre o que ele tinha feito. Quando a história saiu na televisão, ela percebeu que não estava sozinha e que talvez pudesse ser acreditada. O medo da filha dela descobrir os vídeos tinha sido mais forte que o medo de não denunciar.
Qual é o peso de uma porta blindada nessa história?
É o símbolo de como a perseguição a forçou a viver em estado de cerco. Não era só o trauma do abuso — era a necessidade de se proteger fisicamente de alguém que não aceitava que ela tivesse deixado de estar com ele.
Quantas mulheres sabemos que ele agrediu?
Pelo menos quatro que chegaram à Justiça. Mas o padrão é claro: ele conhece mulheres, seduz, depois força. E quando elas tentam sair, ele não deixa.
O que acontece agora?
Ele continua preso. A sentença pode ser contestada. E há outras condenações que também podem ser revistas. O sistema continua processando o que ele fez.
Le Pouls
- Durante três semanas, Brennand forçou a vítima a relações sexuais contra sua vontade e filmou os abusos, usando o material como ameaça para impedi-la de se afastar.
- O terror de que os vídeos chegassem à sua filha de três anos manteve a mulher em silêncio por anos — ela só procurou a polícia quando as acusações contra o empresário vieram a público no programa Fantástico.
- A vítima foi forçada a se mudar de casa e instalar uma porta blindada, enquanto desenvolvia transtornos alimentares, queda de cabelo e danos psicológicos que a afastaram de qualquer relacionamento afetivo.
- A sentença reconhece formalmente a 'violência e grave ameaça' sofridas, mas ainda cabe recurso — e o processo tramita sob segredo de justiça, limitando a transparência pública do caso.
- Esta é a quarta condenação de Brennand, que acumula três sentenças por estupro e uma por lesão corporal, permanecendo preso desde abril de 2023.
Há histórias que revelam, com clareza perturbadora, como o poder pode ser usado para silenciar e destruir. Em São Paulo, o empresário Thiago Brennand foi condenado pela quarta vez pela Justiça — a terceira por estupro —, desta vez a dez anos e meio de prisão por violências cometidas em 2016 contra uma mulher que conheceu pelas redes sociais. O caso expõe não apenas a brutalidade dos abusos repetidos, mas o uso deliberado da imagem como instrumento de controle, e o longo silêncio que o medo impõe às vítimas antes que a Justiça possa, enfim, ser alcançada.
Um empresário paulistano foi condenado na última segunda-feira a dez anos e meio de prisão por estuprar uma mulher em 2016, filmar os abusos e ameaçar divulgar os vídeos nas redes sociais. A sentença, proferida pela Vara do Foro Central de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, descreve como Thiago Brennand conheceu a vítima pelo Instagram, iniciou um relacionamento e rapidamente passou a coagi-la a relações sexuais contra sua vontade — repetidamente, ao longo de três semanas, enquanto registrava tudo em vídeo para usar como instrumento de controle.
A mulher não denunciou na época. Tinha uma filha de apenas três anos e vivia sob o peso da ameaça de que aquelas imagens seriam expostas publicamente. Brennand não aceitava o fim do relacionamento e a perseguia. Ela precisou mudar de endereço e instalar uma porta blindada para se sentir minimamente segura. Só procurou as autoridades depois que as primeiras acusações contra o empresário vieram a público, divulgadas pelo Fantástico.
Os danos deixados foram extensos: transtornos alimentares, queda de cabelo, sequelas psíquicas e emocionais que a afastaram de qualquer possibilidade de novos relacionamentos. A Justiça reconheceu em sentença que ela foi submetida a violência e grave ameaça.
Esta é a quarta condenação de Brennand — a terceira por estupro. Ele já havia sido sentenciado por abusar de uma mulher norte-americana em Porto Feliz, por agredir uma mulher em uma academia e por estuprar uma massagista em sua residência. Preso desde abril de 2023, ele ainda pode recorrer da sentença mais recente. O processo tramita sob segredo de justiça, e sua defesa não se manifestou publicamente.
Um empresário de São Paulo foi condenado a dez anos e meio de prisão pela Justiça estadual na segunda-feira passada por estuprar uma mulher em 2016. O caso envolveu não apenas a violência sexual repetida, mas também a filmagem dos abusos e ameaças de divulgar o material nas redes sociais — uma camada adicional de controle e humilhação que marcou profundamente a vida da vítima nos anos seguintes.
Segundo a sentença da Vara do Foro Central de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Thiago Brennand conheceu a mulher pelo Instagram e a convidou para sair. No começo, ela concordou em manter relações sexuais com ele. Mas logo percebeu que o comportamento dele era agressivo. O que começou como um encontro se transformou em um padrão de coerção que se estendeu por três semanas. Brennand a obrigava a ter relações sexuais contra sua vontade, repetidamente, enquanto registrava tudo em vídeo. Depois, usava aquele material como arma: dizia que divulgaria as imagens na internet se ela tentasse se afastar.
A vítima não denunciou na época. Tinha uma filha pequena, com apenas três anos, e o terror de que aquelas imagens chegassem até ela a mantinha em silêncio. Brennand não aceitava o fim do relacionamento e a perseguia. Ela precisou se mudar de casa e instalar uma porta blindada, medidas desesperadas para se proteger de uma invasão que temia que acontecesse. Só procurou a polícia depois que as primeiras acusações contra o empresário vieram à tona publicamente, divulgadas pelo programa Fantástico.
Os danos foram profundos e duradouros. A mulher desenvolveu transtornos alimentares, perdeu cabelo, sofreu danos psíquicos e emocionais que a afastaram de qualquer possibilidade de relacionamento com outros homens. A Justiça reconheceu em sua sentença que ela havia sido submetida a "violência e grave ameaça", forçada a manter relações sexuais contra sua vontade.
Esta é a quarta condenação de Brennand na Justiça e a terceira especificamente por estupro. Em outubro de 2023, ele foi condenado por estuprar uma mulher norte-americana em Porto Feliz, no interior de São Paulo — pena de dez anos que depois foi reduzida para oito anos e meio após recurso da defesa. Em novembro de 2023, recebeu sentença de um ano e oito meses em regime semiaberto por lesão corporal, após agredir uma mulher em uma academia em agosto de 2022. E em janeiro deste ano, foi condenado a oito anos de prisão por estuprar uma massagista em sua residência em Porto Feliz, em março de 2022.
Brenand está preso desde abril de 2023. A sentença desta semana ainda cabe recurso, o que significa que o processo não chegou ao fim. O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que o processo tramita sob segredo de justiça, limitando as informações públicas disponíveis. A defesa do empresário não se manifestou até o momento da publicação.
Citations marquantes
A vítima foi estuprada diversas vezes pelo empresário ao longo de três semanas, e Brennand ainda disse que divulgaria os vídeos que fez dos abusos sexuais contra ela.— Acusação do Ministério Público
A Justiça considerou que as provas confirmam que a mulher sofreu violência e grave ameaça, sendo forçada a manter conjunção carnal com Brennand.— Sentença da Vara do Foro Central de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher