Este terremoto foi horrível, ainda pior do que o de 1967
Na noite de uma data comemorativa, dois terremotos de grande magnitude sacudiram o norte da Venezuela em rápida sucessão, transformando celebração em tragédia. A terra, indiferente ao calendário humano, impôs sua força sobre Caracas e regiões vizinhas, derrubando edifícios, cortando energia e abrindo feridas que ainda não têm contagem definitiva. O USGS projeta dezenas de milhares de mortos, enquanto o governo declara emergência nacional e o mundo observa, mais uma vez, a fragilidade das construções humanas diante dos movimentos profundos do planeta.
- Dois terremotos separados por apenas 39 segundos — magnitudes 7,2 e 7,5 — golpearam o norte da Venezuela no início da noite, desencadeando pânico imediato nas ruas de Caracas.
- Prédios desabaram, fachadas ruíram, o aeroporto internacional foi fechado por danos graves e milhares ficaram sem luz ou internet em meio ao caos.
- O USGS estima 40% de probabilidade de entre 10 mil e 100 mil mortes, com 14% de chance de o número ultrapassar essa marca — projeções que pesam sobre um país já em situação vulnerável.
- A líder Delcy Rodríguez declarou estado de emergência nacional, enquanto polícia e bombeiros mobilizaram todos os recursos disponíveis para operações de resgate ainda em andamento.
- O tremor cruzou fronteiras: foi sentido na Colômbia e em quatro estados brasileiros, alertas de tsunami foram emitidos e cancelados no Caribe, e o Brasil informou não ter identificado compatriotas entre as vítimas até o momento.
Na quarta-feira à noite, enquanto venezuelanos celebravam um feriado histórico, dois terremotos — de magnitude 7,2 e 7,5, separados por apenas 39 segundos — sacudiram o norte do país a partir das 18h04, hora local. Pelo menos 20 réplicas se seguiram. O que era dia de festa virou catástrofe.
Em Caracas, o pânico foi imediato. Pessoas fugiram de shoppings e escritórios para as ruas. Astrid Ramirez, publicitária de 41 anos, descreveu gritos e correria pelas escadas. Coro Martinez, 56 anos, ouviu um estrondo e viu objetos se quebrando por toda a casa. Para Maria Romero, aposentada de 80 anos, foi pior do que o terremoto de 1967 — ela precisou ser ajudada pela polícia para sair de casa.
Os danos foram amplos: prédios e residências desabaram, fachadas foram destruídas, vidros se quebraram, e muitos bairros perderam energia e acesso à internet. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar foi fechado por danos graves em sua infraestrutura. Caminhões de bombeiros percorriam a cidade enquanto as autoridades tentavam dimensionar a extensão da destruição.
Horas depois, a líder Delcy Rodríguez declarou estado de emergência nacional e expressou condolências, sem divulgar números de vítimas. O ministro Diosdado Cabello confirmou os desabamentos e garantiu que todos os recursos de segurança e assistência civil estavam sendo empregados.
O USGS estimou 40% de probabilidade de entre 10 mil e 100 mil mortes, com 14% de chance de o número superar essa faixa — projeções matemáticas baseadas nos dados sísmicos, sem considerar as condições específicas do país.
O impacto ultrapassou as fronteiras: a Colômbia sentiu o tremor, alertas de tsunami foram emitidos e cancelados no Caribe, e nos estados brasileiros do Amazonas, Pará, Roraima e Amapá o abalo foi registrado, levando à evacuação de prédios em Macapá e Belém. O governo brasileiro manifestou pesar e informou não ter identificado brasileiros entre as vítimas. No terreno, a contagem ainda estava longe de terminar.
Na quarta-feira à noite, enquanto muitos venezuelanos celebravam em casa uma vitória militar de dois séculos, a terra começou a se mover sob seus pés. Dois terremotos — um de magnitude 7,2 seguido 39 segundos depois por outro de 7,5 — sacudiram o norte da Venezuela a partir das 18h04, hora local. O serviço sismológico americano registrou os tremores a cerca de 45 quilômetros de distância um do outro, e pelo menos 20 réplicas se seguiram nos minutos posteriores. O que começou como um dia de feriado se transformou em caos.
As cenas em Caracas foram de pânico imediato. Em um centro comercial da capital, dezenas de pessoas saíram correndo dos prédios e ficaram na rua, esperando o momento certo para voltar aos escritórios e casas. Astrid Ramirez, uma publicitária de 41 anos que vive na zona oeste, descreveu o momento em que tudo começou a balançar: as pessoas gritavam, todos corriam pelas escadas. Coro Martinez, moradora da zona leste com 56 anos, ouviu um estrondo ensurdecedor — jarras caíram dentro da geladeira, coisas se quebraram por toda parte. Para Maria Romero, uma aposentada de 80 anos na zona sul, foi ainda pior que o terremoto devastador de 1967 que a cidade havia enfrentado décadas atrás. A polícia precisou ajudá-la a sair de casa.
Os danos foram imediatos e generalizados. Prédios e casas desabaram em vários pontos da cidade. Fachadas de edifícios sofreram danos significativos. Vidros se quebraram nas entradas de prédios. Muitos moradores ficaram sem energia elétrica ou acesso à internet logo após o sismo. Caminhões de bombeiros circulavam pelas ruas de Caracas enquanto as autoridades tentavam avaliar a extensão da catástrofe. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, o principal do país, foi fechado devido a graves danos em sua infraestrutura.
Horas depois, a líder venezuelana Delcy Rodríguez fez um pronunciamento declarando estado de emergência nacional. Ela expressou condolências às famílias dos mortos, mas não forneceu números específicos. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, confirmou que prédios e casas haviam desabado e que a polícia e o corpo de bombeiros estavam usando todos os recursos disponíveis de segurança e assistência civil para lidar com a situação. Mas naquele momento inicial, ninguém sabia ao certo quantas pessoas haviam morrido.
O serviço sismológico americano (USGS) ofereceu uma estimativa perturbadora. Baseado em modelos que comparam os registros sísmicos com parâmetros preestabelecidos, a agência calculou uma probabilidade de 40% de que entre 10 mil e 100 mil pessoas tivessem morrido nos terremotos. Havia também 36% de chance de o número estar entre 1 mil e 10 mil mortos, 14% de chance de ultrapassar 100 mil, e 10% de estar entre 100 e 1 mil. O USGS alertou que era provável haver um grande número de vítimas e danos extensos. Essas estimativas não levavam em conta a situação atual do país — eram projeções matemáticas baseadas apenas nos dados sísmicos.
O impacto se estendeu além das fronteiras venezuelanas. Na Colômbia, vizinha ao norte, o tremor também foi sentido. O sistema americano de alerta de tsunami emitiu avisos para possíveis ondas perigosas na região de Porto Rico e das Ilhas Virgens Americanas e Britânicas, no Caribe, embora os alertas tenham sido cancelados minutos depois. No Brasil, moradores das regiões Norte sentiram o tremor — o efeito foi registrado no Amazonas, Pará, Roraima e Amapá. Em Macapá e Belém, prédios foram evacuados por precaução. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro manifestou pesar pelas perdas e informou que até aquele momento não havia identificado brasileiros entre as vítimas.
Enquanto as autoridades venezuelanas acionavam seus recursos de emergência e o mundo observava os números preliminares, a realidade no terreno permanecia caótica e incerta. Os números finais de mortos e feridos ainda não haviam sido contabilizados. O que se sabia era que um evento sísmico de grande magnitude havia atingido um país já fragilizado, deixando edifícios destruídos, pessoas desabrigadas, e uma nação inteira em estado de emergência.
Notable Quotes
Assim que começou, começamos a ouvir pessoas gritando. Todos corriam pelas escadas.— Astrid Ramirez, publicitária de 41 anos em Caracas
Temos prédios e casas que desabaram, e estamos lidando com a situação usando todos os recursos disponíveis de segurança e assistência civil.— Diosdado Cabello, ministro do Interior da Venezuela
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que esses dois terremotos ocorreram com apenas 39 segundos de intervalo? Isso é comum?
Não é exatamente comum, mas também não é impossível. O primeiro tremor de 7,2 pode ter desestabilizado as falhas geológicas próximas, desencadeando o segundo de 7,5 quase imediatamente. Eles ocorreram a cerca de 45 quilômetros de distância um do outro, então provavelmente estavam conectados geologicamente.
As estimativas do USGS de até 100 mil mortos — como eles chegam a esses números?
Eles usam modelos matemáticos que comparam a magnitude, a profundidade e a localização do terremoto com dados históricos de terremotos similares. Não é uma previsão exata, mas uma probabilidade. Naquele momento, 40% de chance de 10 a 100 mil mortos era o que os dados sísmicos sugeriam.
Mas isso não leva em conta onde as pessoas estão, certo? A densidade populacional, os tipos de construção?
Exatamente. O USGS deixou claro que suas estimativas não consideravam o cenário atual do país. Elas eram apenas projeções baseadas nos parâmetros sísmicos. A realidade poderia ser muito diferente dependendo de quantas pessoas estavam em edifícios quando os tremores começaram, da qualidade das construções, de quantos edifícios desabaram de verdade.
Por que o aeroporto principal foi fechado?
Porque sofreu graves danos em sua infraestrutura. Um aeroporto danificado significa que ajuda humanitária, equipes de resgate e suprimentos médicos não conseguem chegar facilmente. Isso complica toda a resposta de emergência.
As pessoas em Caracas já haviam vivido um terremoto assim antes?
Sim, em 1967 houve um terremoto de magnitude 6,3 que foi devastador. Mas as pessoas que vivenciaram aquele tremor — como Maria Romero, que tinha 80 anos — disseram que este de 2026 foi ainda pior. Isso diz algo sobre a intensidade do que aconteceu.