Terremoto na Colômbia expõe postura ideológica de Espriella em sua primeira semana

Terremoto de magnitude 7,4 matou 289 pessoas e afetou 11 dos 32 departamentos colombianos, causando destruição generalizada em cidades como Pereira e Manizales.
Recusou ajuda de praticamente todas as nações, aceitando apenas de quatro alinhadas ideologicamente
Decisão controversa de Espriella durante a primeira semana no cargo, anunciada após a janela crítica de resgate.
Mark

Por que um presidente recusaria ajuda internacional em uma emergência?

Mimi

Porque os países que ofereciam ajuda não estavam alinhados com sua ideologia. Espriella aceitou apenas de nações que apoiam sua visão política.

Mark

Mas isso não custou vidas?

Mimi

Potencialmente, sim. A recusa foi anunciada após a janela crítica de setenta e duas horas para resgate. Depois disso, as chances de encontrar sobreviventes caem drasticamente.

Mark

Como ele justificou isso?

Mimi

Seu chanceler disse que foi apenas sobre capacidade técnica. Mas a seleção de quatro países específicos—todos ideologicamente alinhados—sugere outra história.

Mark

E a transição de poder? Isso importa?

Mimi

Muito. Espriella havia acusado seu antecessor de golpe e suspendeu os procedimentos normais. Isso deixou um amigo de Petro no comando da agência de desastres quando o terremoto chegou.

Mark

Então há uma disputa sobre quem recusou a ajuda?

Mimi

Exatamente. O ministro de Espriella culpa o governo anterior. O ex-diretor da agência diz que sua carta era apenas sobre aquele momento específico e que logo depois abriu as portas.

Mark

Qual é a verdade?

Mimi

Os documentos sugerem que ambos têm razão parcial. Mas o resultado é claro: equipes estrangeiras que poderiam ter ajudado não chegaram quando mais importavam.

  • Terremoto de magnitude 7,4 matou 289 pessoas em 11 dos 32 departamentos colombianos
  • Espriella aceitou equipes de resgate apenas de EUA, Israel, Equador e El Salvador
  • Recusa foi anunciada mais de dois dias após o tremor, após a janela crítica de 72 horas
  • México e outras nações enfrentaram entraves burocráticos para enviar ajuda

Espriella recusou equipes de resgate estrangeiras, aceitando apenas de EUA, Israel, Equador e El Salvador, todos alinhados ideologicamente ao novo governo. A recusa foi anunciada após a janela crítica de 72 horas para resgate de sobreviventes, enquanto México e outras nações enfrentaram entraves burocráticos.

Terremoto que matou 289 pessoas na Colômbia força governo ultradireitista de Abelardo de la Espriella a enfrentar crise humanitária na primeira semana, gerando controvérsia ao recusar ajuda internacional de países não alinhados ideologicamente.

Um terremoto de magnitude 7,4 sacudiu a Colômbia no dia 10 de agosto, deixando 289 mortos espalhados por onze dos trinta e dois departamentos do país. A tragédia chegou em um momento particularmente delicado: apenas três dias após Abelardo de la Espriella, um presidente de ultradireita, ter tomado posse. O que deveria ter sido uma semana dedicada a medidas de segurança pública e austeridade econômica—promessas centrais de sua campanha—virou uma crise humanitária que expôs as prioridades ideológicas de seu governo nascente.

Espriella respondeu rápido em alguns aspectos. Decretou calamidade pública, uma medida que flexibiliza contratações e agiliza procedimentos estatais. Suspendeu um giro pelo país que havia planejado. Mas a decisão mais controversa veio dias depois: recusou equipes de busca e resgate de praticamente todas as nações que ofereceram ajuda, aceitando apenas de quatro países—Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador—todos alinhados ideologicamente ao novo governo. O problema era o timing. A recusa foi anunciada mais de dois dias após o tremor, quando a janela crítica de setenta e duas horas para encontrar sobreviventes sob os escombros já estava se fechando.

A transição de poder colombiana havia sido tumultuada. Espriella havia vencido as eleições de junho por uma margem apertada e, em julho, acusou seu antecessor Gustavo Petro de tentar um golpe de Estado, suspendendo os procedimentos normais de transição. Isso deixou a Unidade Nacional para Gestão de Risco de Desastres sob o comando de Javier Pava, um amigo de Petro, quando o terremoto chegou. O novo presidente ainda não havia empossado seu próprio diretor para o cargo—um geólogo chamado David Tamayo—o que só aconteceu na noite de terça-feira, um dia após o desastre.

O chanceler colombiano Omar Bula insistiu que a seleção de equipes estrangeiras levou em conta apenas capacidade técnica e certificação internacional, sem considerações políticas. Mas a realidade no terreno contava uma história diferente. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que a Cidade do México não conseguiu enviar suas brigadas militares de resgate por entraves burocráticos impostos por Bogotá. Jornalistas que visitaram as cidades mais afetadas—Pereira e Manizales—não viram equipes internacionais em ação, apenas bombeiros de cidades menos atingidas como Bogotá. Em uma coletiva de imprensa, o prefeito de Pereira negou a falta de ajuda internacional sem citar qualquer assistência estrangeira que tivesse chegado.

A ajuda internacional é padrão em desastres dessa magnitude. Quando a Venezuela foi atingida por um terremoto menos de dois meses antes, havia um centro cirúrgico brasileiro no local do epicentro. Mas na Colômbia, a recusa criou um vácuo.

O ministro do Interior, Rodrigo Lara, responsabilizou o governo anterior pela decisão enquanto a apoiava. Disse que Pava havia emitido uma carta no início da tarde de terça-feira—um dia após o terremoto—indicando que naquele momento não havia necessidade de equipes especializadas estrangeiras. Lara argumentou que havia resgatistas locais suficientes, citando cento e sessenta em Quibdó que estavam ociosos porque não havia mais sobreviventes para encontrar. Segundo ele, assim que Tamayo assumiu a UNGRD, a ajuda internacional foi aceita.

Pava, em suas redes sociais, reconheceu a carta mas a contextualizou como relativa àquele momento específico, baseada em informações de governos locais. Afirmou que uma hora depois reuniu-se com o ministro de Relações Exteriores para avaliar ofertas disponíveis—EUA, Israel, El Salvador e Peru—e decidiu aceitar apoio americano pela capacidade tecnológica. Pouco depois, enviou novos documentos aceitando ajuda humanitária e abrindo espaço para hospitais de campanha do exterior, especialmente em Chocó e Pereira.

Espriella visitou as áreas afetadas. Em Pereira, esteve duas vezes, passando por pontos muito atingidos da cidade. Em Manizales, observou alguns prédios, cumprimentou pessoas e voltou ao seu carro em meio a um forte esquema de segurança. Mas a semana revelou algo além da resposta a um desastre natural: ela expôs como as convicções ideológicas de um governo novo e frágil moldavam suas decisões nos momentos em que vidas estavam em jogo.

Considerou apenas a capacidade técnica e a certificação internacional das equipes, sem qualquer consideração ideológica ou política
— Omar Bula, chanceler colombiano
Temos um bom número de resgatistas locais. Este governo abriu as portas aos resgatistas internacionais. Foi o governo anterior que as fechou
— Rodrigo Lara, ministro do Interior
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