Tennessee executa primeira mulher em 200 anos; Brasil aboliu pena de morte há 136 anos

Colleen Slemmer, de 19 anos, foi assassinada em 1995; Christa Gail Pike será executada; negro Francisco foi enforcado em 1876 após matar homens da região.
Peço perdão a todos, e a todos perdoo
Últimas palavras de negro Francisco antes de ser enforcado em 1876, a última execução no Brasil.
Mark

Por que essa execução no Tennessee é notícia agora, especialmente em comparação com o Brasil?

Mimi

Porque Pike será a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. É raro. E o contraste com o Brasil é gritante — um país que aboliu a pena de morte há 136 anos, enquanto os EUA continuam executando pessoas.

Luke

Mas precisamos ser claros: Pike foi condenada em 1995 por um assassinato real. A questão não é se ela cometeu o crime, é se o estado deveria matá-la por isso. Isso é diferente.

Mark

E qual era o argumento dela para clemência?

Mimi

Seus advogados citavam traumas de infância, problemas de saúde mental, e décadas de arrependimento no corredor da morte. Argumentavam que ela havia se reabilitado.

Luke

Tudo isso pode ser verdade. Mas o governador Bill Lee simplesmente disse não. Não há registro de que ele tenha explicado por que esses fatores não importavam.

Mark

Como isso se conecta com a história do Brasil?

Mimi

O Brasil usou a pena de morte contra escravizados no século 19, facilitando as execuções por medo de revoltas. Depois aboliu tudo em 1890. A última execução foi negro Francisco em 1876.

Luke

E Francisco também pediu clemência — ao imperador dom Pedro II. Também foi rejeitado. Então temos dois pedidos de perdão negados, separados por 150 anos e continentes diferentes.

Mark

Mulheres são frequentemente executadas nos EUA?

Mimi

Não. Representam apenas 2% de todas as execuções. Missouri foi o último estado a executar uma mulher, em 2023.

Luke

Então Pike é uma exceção dentro de uma exceção. Isso torna a história ainda mais notável — não apenas rara historicamente, mas rara estatisticamente também.

  • Christa Gail Pike será executada no Tennessee em 30 de setembro de 2026, primeira mulher do estado em mais de 200 anos
  • Última execução no Brasil foi em 1876, quando negro Francisco foi enforcado em Pilar, Alagoas
  • Brasil aboliu pena de morte em 1890; execuções ainda são legalmente possíveis apenas em situações de guerra
  • Mulheres representam apenas 2% das execuções nos EUA; cada estado tem legislação própria

Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer em 1995; pedido de clemência foi negado pelo governador Bill Lee na segunda-feira. No Brasil imperial, a pena de morte era usada contra escravizados; lei de 1835-1876 facilitou execuções por medo de revolução como a do Haiti.

Christa Gail Pike será executada no Tennessee nesta quarta-feira, primeira mulher do estado em mais de 200 anos. No Brasil, a última execução foi em 1876, quando negro Francisco foi enforcado; país aboliu pena de morte em 1890.

Christa Gail Pike será executada na quarta-feira, 30 de setembro, no Tennessee. Se a execução ocorrer conforme programado, ela se tornará a primeira mulher executada naquele estado americano em mais de dois séculos — desde 1819. O governador Bill Lee rejeitou seu pedido de clemência na segunda-feira anterior, recusando-se a comutar a sentença de morte em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, uma jovem de 19 anos, morta em Knoxville em 1995. Slemmer tinha apenas 18 anos quando foi vítima do crime. Os advogados de Pike apresentaram argumentos sobre os traumas de sua infância, problemas de saúde mental e o que descrevem como sua reabilitação e arrependimento durante décadas no corredor da morte. Nenhum desses fatores persuadiu o governador a intervir. Em sua declaração, Lee afirmou que, após análise cuidadosa do pedido e revisão minuciosa do caso, manteria a sentença do Tennessee e não interviria na execução.

A execução de Pike ocorre em um contexto histórico que contrasta fortemente com o Brasil. O país aboliu a pena de morte em 1890, logo após a transição de monarquia para república. A última pessoa executada em território brasileiro foi um homem escravizado conhecido como negro Francisco, em 1876 — há 150 anos. Francisco foi enforcado na cidade de Pilar, no que é hoje o estado de Alagoas, após matar homens respeitados da região a pauladas e punhaladas. Registros históricos indicam que pelo menos duas mil pessoas compareceram para assistir à execução. Antes de morrer, Francisco disse: "Peço perdão a todos, e a todos perdoo."

A história da pena de morte no Brasil imperial revela como a lei foi instrumentalizada contra escravizados. Entre 1835 e 1876, o processo de execução foi facilitado. Antes dessa mudança, era necessária unanimidade do júri para condenar alguém à morte. Após a alteração, apenas dois terços dos jurados precisavam concordar. Essa flexibilização foi impulsionada pelo medo de revoltas escravistas — particularmente pela Revolução Haitiana, entre 1791 e 1804, que resultou na única rebelião bem-sucedida contra colonizadores nas Américas. O Brasil também havia vivenciado a Revolta das Carrancas em 1833, quando escravizados se rebelaram e mataram famílias de latifundiários em São Thomé das Letras, no sul de Minas Gerais. Esses eventos aterrorizaram a elite brasileira e levaram à endurecimento das leis penais.

Francisco tentou recorrer ao imperador dom Pedro II, pedindo clemência. O imperador recusou e não concedeu perdão. Mais de um século depois, Pike também buscou clemência — desta vez junto ao governador de um estado americano — e também foi rejeitada.

Os dados revelam a raridade das execuções de mulheres nos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Justiça americano, mulheres representam apenas 2% de todas as execuções na população carcerária do país. Missouri foi o último estado a executar uma mulher condenada, em 2023. Cada estado americano possui sua própria legislação sobre execução de presos, diferentemente do Brasil, que aplica uma lei federal única. Pike será executada sob as leis do Tennessee, um estado que mantém a pena de morte apesar de mais de um século ter se passado desde o Brasil a abolir.

Após uma análise cuidadosa do pedido de clemência de Christa Gail Pike e uma revisão minuciosa do caso, estou mantendo a sentença do Estado do Tennessee e não pretendo intervir
— Governador Bill Lee, rejeitando o pedido de clemência
Peço perdão a todos, e a todos perdoo
— Negro Francisco, antes de sua execução em 1876
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