O Brasil vive, nesta semana, uma contradição climática de proporções continentais: enquanto o Rio Grande do Sul se curva sob o peso de novas chuvas torrenciais — sobre um solo já exausto de absorver água —, o Centro-Oeste arde sob um calor que flerta com os 40°C. É o mesmo país, mas dois mundos opostos, lembrando-nos de que os extremos climáticos raramente chegam sozinhos e que a natureza, quando desequilibrada, não escolhe um único caminho para se manifestar.
Temporais intensos atingem o Sul enquanto calor se aproxima dos 40°C no Centro-Oeste
Solo encharcado, rios elevados, e agora vem mais água
Por que o Rio Grande do Sul está tão vulnerável a esses novos temporais?
O solo já está encharcado pelas chuvas dos últimos dias e os rios estão elevados. Quando chove novamente em cima disso, não há onde a água ir. É como tentar encher um copo que já está transbordando.
E quanto ao Centro-Oeste? Como é possível estar tão quente enquanto o sul enfrenta chuvas?
São sistemas climáticos diferentes atuando simultaneamente. Uma frente fria está trazendo chuva para o sul, mas o Centro-Oeste ainda está sob influência de um sistema de alta pressão que mantém o ar seco e quente. Isso vai mudar quando a frente fria chegar lá, provavelmente na quarta-feira.
Qual é o maior risco para as pessoas no Rio Grande do Sul?
A combinação de fatores: muita água em pouco tempo, ventos fortes e um solo que não consegue absorver mais nada. Isso causa alagamentos rápidos, quedas de árvores e apagões. Em Porto Alegre e na região metropolitana, o risco é particularmente alto.
Os 250 milímetros de chuva acumulada até domingo — isso é muito?
Para uma semana, sim. É quase um mês de chuva normal caindo em alguns dias. Em pontos isolados, pode ser ainda mais. Isso explica por que os rios transbordam e as cidades alagram.
E no Nordeste, por que o interior está tão seco?
Porque a chuva está concentrada no litoral. O interior fica sob influência de um padrão de ar seco que predomina nessa época. A umidade cai para menos de 20%, o que aumenta o risco de queimadas e torna o ar mais difícil de respirar.
O Pulso
- O Rio Grande do Sul entra em nova semana de temporais com o solo saturado, rios elevados e risco real de alagamentos, quedas de árvores e apagões em cidades como Porto Alegre, Santa Maria e Uruguaiana.
- Acumulados de chuva podem ultrapassar 200mm em várias regiões gaúchas e chegar a 250mm em pontos isolados até domingo, com nova intensificação prevista entre sábado e domingo.
- No Centro-Oeste, Cuiabá pode repetir os 38°C registrados no domingo e aproximar-se de um novo recorde anual de calor, enquanto a baixa umidade eleva o risco de queimadas em Mato Grosso e Tocantins.
- Uma frente fria avança pelo sul do país a partir de quarta-feira, levando temporais também ao Paraná e ao oeste de Mato Grosso do Sul, ampliando a área de risco e a complexidade da resposta às populações afetadas.
O Brasil vive, nesta semana, uma contradição climática de proporções continentais: enquanto o Rio Grande do Sul se curva sob o peso de novas chuvas torrenciais — sobre um solo já exausto de absorver água —, o Centro-Oeste arde sob um calor que flerta com os 40°C. É o mesmo país, mas dois mundos opostos, lembrando-nos de que os extremos climáticos raramente chegam sozinhos e que a natureza, quando desequilibrada, não escolhe um único caminho para se manifestar.
O Rio Grande do Sul começa mais uma semana sob ameaça de temporais. O solo encharcado pelos dias anteriores, os rios já elevados e a previsão de chuvas intensas a partir de terça-feira formam uma combinação perigosa. Meteorologistas alertam para alagamentos, transbordamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia em praticamente todo o estado — com destaque para as regiões oeste, central, sul, leste e a Região Metropolitana de Porto Alegre. Em cidades como Uruguaiana, Santa Maria e Porto Alegre, os acumulados podem passar de 100mm em apenas 24 horas.
Segundo a Climatempo, o volume total de chuva entre esta semana e o próximo domingo pode superar 200mm em várias áreas e chegar a 250mm em pontos isolados. Após uma breve trégua no meio da semana, as chuvas voltam a se intensificar no fim de semana. Santa Catarina e o Paraná também entram na rota das perturbações, especialmente a partir de quarta-feira, quando uma frente fria avança pelo sul do país.
Enquanto o Sul se prepara para a água, o Centro-Oeste enfrenta o extremo oposto. Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e parte de Mato Grosso do Sul vivem dias de sol intenso, ar seco e temperaturas entre 37°C e 39°C. Cuiabá, que já registrou 38,6°C no domingo, pode se aproximar de um novo recorde anual nesta terça-feira. A baixa umidade eleva o risco de queimadas, especialmente em Tocantins, onde Palmas pode chegar aos 37°C.
No Sudeste, o tempo firme predomina com amplitude térmica acentuada: São Paulo oscila entre 14°C pela manhã e 29°C à tarde, enquanto o Rio de Janeiro pode atingir 34°C. No Nordeste, pancadas fracas ficam restritas ao litoral, e Teresina pode chegar aos 35°C com umidade abaixo de 20% no interior. Na Região Norte, o Amazonas e Roraima concentram as chuvas mais expressivas, enquanto o sul do Pará e Rondônia permanecem secos e vulneráveis ao fogo.
O Rio Grande do Sul enfrenta uma nova semana de chuvas torrenciais a partir de terça-feira. O solo já está encharcado pelos temporais dos dias anteriores, os rios correm elevados, e agora vem mais água — muita mais. Os meteorologistas alertam para alagamentos, quedas de árvores, apagões e novos transbordamentos. Enquanto isso, a milhares de quilômetros dali, no Centro-Oeste, o termômetro sobe implacavelmente em direção aos 40°C.
Na terça-feira, os temporais devem atingir praticamente todo o Rio Grande do Sul, com particular intensidade nas regiões oeste, central, sul e leste, além da Região Metropolitana de Porto Alegre. A chuva pode começar ainda durante a madrugada e prosseguir ao longo do dia inteiro, acompanhada de raios, rajadas de vento e granizo em alguns pontos. Em cidades como Uruguaiana, Santa Maria, Bagé, Santa Cruz do Sul e Porto Alegre, os acumulados podem ultrapassar 100 milímetros em apenas 24 horas. Porto Alegre terá chuva em qualquer hora do dia, com máximas próximas dos 21°C e risco de temporais. A combinação de muita água em pouco tempo, ventos fortes e um solo já saturado de umidade aumenta significativamente o risco de transtornos na capital e nas cidades vizinhas.
Segundo a Climatempo, entre esta semana e o próximo domingo, os volumes acumulados podem passar de 200 milímetros em várias áreas do estado e superar 250 milímetros em pontos isolados. A chuva perderá um pouco de força após quarta-feira, mas voltará a intensificar-se no fim de semana, principalmente entre sábado e domingo. Santa Catarina também começará a sentir os efeitos dessas áreas de chuva na terça-feira, com pancadas atingindo principalmente o oeste e o sul do estado, perto da divisa com o Rio Grande do Sul. Na quarta-feira, a chuva se espalha por outras regiões catarinenses, acompanhada de trovoadas e vento forte.
No Paraná, a terça-feira ainda terá tempo firme em boa parte do estado, mas a mudança significativa é esperada a partir de quarta-feira, quando as áreas de chuva avançam pelo oeste, noroeste e centro paranaense. Há também possibilidade de temporais perto da divisa com São Paulo e Mato Grosso do Sul. Enquanto o sul do país se prepara para a água, o Centro-Oeste enfrenta o oposto: calor forte e ar seco. Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e boa parte de Mato Grosso do Sul terão muitas horas de sol, poucas nuvens e temperaturas elevadas durante as tardes. Em Mato Grosso, os termômetros podem variar entre 37°C e 39°C até quarta-feira. Cuiabá já registrou 38,6°C no domingo passado e pode alcançar novamente os 38°C nesta terça-feira, aproximando-se de um novo recorde de calor para o ano. Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, pode chegar aos 34°C.
A partir de quarta-feira, porém, a aproximação de uma frente fria aumenta a possibilidade de chuva e temporais no sul e no oeste de Mato Grosso do Sul, principalmente em cidades como Dourados, Ponta Porã, Amambai e Naviraí. O Sudeste também terá predomínio de sol e pouca chuva nesta terça-feira. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo terão tempo firme na maior parte do dia, com chance apenas de chuva fraca e isolada em pontos do litoral e no extremo leste mineiro. São Paulo deve ter manhã mais fria, com temperatura perto dos 14°C, e tarde de até 29°C. No Rio de Janeiro, os termômetros podem chegar aos 33°C ou 34°C. Belo Horizonte terá sol entre poucas nuvens e máxima próxima dos 28°C. A umidade do ar ficará mais baixa no oeste e no norte paulista, no Triângulo Mineiro e em áreas do centro, oeste e sul de Minas Gerais, com índices variando entre 12% e 20% durante as horas mais quentes do dia.
No Nordeste, a chuva fica concentrada na faixa litorânea, com pancadas fracas e passageiras entre Salvador e o litoral do Rio Grande do Norte, além de pontos do litoral do Maranhão, Piauí e Ceará. No interior nordestino, o sol predomina e o ar permanece seco, com umidade podendo cair para menos de 20% em várias áreas. Teresina pode chegar aos 35°C. Na Região Norte, as pancadas de chuva serão mais frequentes no Amazonas, em Roraima, no Amapá e no norte do Pará, com risco de chuva moderada a forte em áreas do oeste e do norte do Amazonas, além do leste de Roraima e do litoral paraense. No Tocantins, em Rondônia e no sul do Pará, o tempo seco predomina, e Palmas pode registrar máxima próxima dos 37°C, com umidade baixa e maior risco de queimadas. Na quarta-feira, a chuva ganha força no Amazonas e em Roraima, com possibilidade de trovoadas, mas o tempo continua firme no Tocantins e em boa parte do sul paraense.
Citações Notáveis
A combinação de muita água em pouco tempo, ventos fortes e solo já saturado aumenta o risco de transtornos na capital e nas cidades da região metropolitana— Previsão meteorológica para Porto Alegre