A milhares de anos-luz da Terra, um telescópio em órbita registrou a passagem de um mundo colossal diante de duas estrelas ao mesmo tempo — e nesse instante de luz interrompida, a astronomia ganhou um novo recordista. O TESS da NASA identificou o TIC 172900988b, o exoplaneta circumbinário mais massivo já encontrado, com quase três vezes a massa de Júpiter, orbitando um sistema binário de 3,1 bilhões de anos na constelação de Câncer. A descoberta não é apenas um feito técnico: ela confirma que mundos gigantescos podem nascer e persistir em ambientes estelares duplos, ampliando nossa compreensão
Telescópio TESS descobre exoplaneta mais massivo em sistema binário com 3,1 bilhões de anos
Um planeta que sobreviveu bilhões de anos entre duas estrelas
Por que um planeta orbitando duas estrelas é tão raro de encontrar? Parece que deveria haver muitos desses por aí.
A gravidade de dois sóis cria uma dinâmica orbital muito instável. A maioria dos sistemas binários expulsa qualquer planeta que tente se formar entre eles. Quando um persiste, é uma anomalia — e quando é tão massivo quanto este, é ainda mais extraordinário.
Mas espera — o artigo diz que o TESS já encontrou mais de 60 exoplanetas. Quantos desses são circumbinários? Porque se for apenas um ou dois, a raridade faz sentido. Se for uma dúzia, então talvez não seja tão excepcional quanto parece.
Ótima pergunta. O artigo não especifica quantos dos 60 são circumbinários. Mas o fato de este ser o mais massivo já encontrado sugere que a maioria é bem menor.
E quanto à idade do sistema — 3,1 bilhões de anos. Isso muda algo sobre como o planeta se formou?
Muda tudo. Um planeta tão massivo em um sistema tão antigo significa que ele sobreviveu a bilhões de anos de perturbações gravitacionais. Sistemas binários jovens frequentemente expulsam seus planetas. Este persistiu.
Mas o artigo não explica o mecanismo de formação, certo? Não sabemos se o planeta se formou ali ou foi capturado. Essa é uma questão em aberto.
Absolutamente. O artigo foca na detecção, não na origem. Isso seria o próximo passo da pesquisa.
A técnica de múltiplos trânsitos — é nova ou o TESS apenas a aplicou melhor?
Não é nova. Astrônomos discutiam essa assinatura há anos. Mas o TESS tem a sensibilidade e a cobertura para realmente encontrá-la em escala. É como ter um microscópio melhor — o fenômeno sempre existiu, mas agora você consegue vê-lo.
E quanto aos 2.100 candidatos que o TESS ainda está analisando? Alguns deles poderiam ser circumbinários ainda não confirmados?
Muito provavelmente. Este descoberta é um sinal de que há mais por vir.
Então o TESS ainda tem muito trabalho pela frente.
Sim. E cada descoberta como esta refina nossa compreensão de como planetas podem existir em ambientes que pensávamos serem impossíveis.
Il Polso
- Um planeta quase três vezes mais massivo que Júpiter foi detectado orbitando simultaneamente duas estrelas — superando o recorde anterior de forma expressiva.
- A detecção dependeu de um evento raro: o planeta transitou a primeira estrela e, cinco dias depois, a segunda, tudo dentro da mesma conjunção observada em um único setor de dados.
- O sistema fica a 824 anos-luz de distância e tem 3,1 bilhões de anos — mais velho do que a própria Terra quando ela ainda se formava.
- O período orbital longo do planeta, entre 189 e 204 dias, representa exatamente o tipo de mundo que missões anteriores teriam dificuldade em detectar.
- A descoberta, já disponível no arXiv e em processo de publicação, reforça o papel do TESS como ferramenta essencial para revelar planetas em sistemas binários complexos.
A milhares de anos-luz da Terra, um telescópio em órbita registrou a passagem de um mundo colossal diante de duas estrelas ao mesmo tempo — e nesse instante de luz interrompida, a astronomia ganhou um novo recordista. O TESS da NASA identificou o TIC 172900988b, o exoplaneta circumbinário mais massivo já encontrado, com quase três vezes a massa de Júpiter, orbitando um sistema binário de 3,1 bilhões de anos na constelação de Câncer. A descoberta não é apenas um feito técnico: ela confirma que mundos gigantescos podem nascer e persistir em ambientes estelares duplos, ampliando nossa compreensão dos lugares onde planetas podem existir.
O telescópio espacial TESS, operado pela NASA em missão estendida, identificou o exoplaneta circumbinário mais massivo já registrado pela ciência. Designado TIC 172900988b, o planeta é ligeiramente maior que Júpiter, mas carrega uma massa equivalente a quase três vezes a do gigante gasoso do nosso Sistema Solar — superando com folga o recorde anterior, mantido pelo Kepler-1647b.
A detecção foi possível graças a uma técnica que os astrônomos já antecipavam teoricamente antes mesmo do Kepler: os múltiplos trânsitos em uma única conjunção. Ao analisar a curva de luz capturada pelo TESS, os pesquisadores encontraram um eclipse primário seguido de dois secundários. O planeta passou diante da primeira estrela e, cinco dias depois, diante da segunda — tudo dentro do mesmo evento observacional. Essa assinatura dupla tornou sua presença inequívoca.
O sistema que abriga esse mundo colossal fica a cerca de 824 anos-luz de distância, na constelação de Câncer, e tem 3,1 bilhões de anos de idade. O período orbital do TIC 172900988b varia entre 189 e 204 dias, posicionando-o em uma região quente demais para abrigar vida como a conhecemos. Ainda assim, sua existência oferece uma perspectiva fascinante sobre a formação e a persistência de planetas em ambientes estelares duplos.
O Dr. Veselin Kostov, pesquisador principal do estudo, destaca que a descoberta ilustra o potencial do TESS em encontrar planetas circumbinários com longos períodos orbitais — exatamente o tipo de mundo que poderia escapar à detecção de missões anteriores. Com mais de 60 exoplanetas confirmados e 2.100 candidatos identificados durante sua missão primária, o telescópio continua a expandir o mapa dos lugares onde mundos podem existir.
O telescópio espacial TESS, em operação estendida pela NASA, acaba de entregar uma descoberta que reescreve o registro de planetas orbitando sistemas binários. Astrônomos identificaram um exoplaneta designado TIC 172900988b que é ligeiramente maior que Júpiter, mas carrega uma massa equivalente a quase três vezes a do gigante gasoso do nosso Sistema Solar. Trata-se do planeta circumbinário mais massivo já encontrado — uma distinção que marca um passo significativo na compreensão de como mundos podem formar e persistir em ambientes estelares duplos.
O Dr. Veselin Kostov, pesquisador principal do estudo, situa esta descoberta em um contexto mais amplo. Muito antes do telescópio Kepler começar a detectar planetas transitando sistemas binários, astrônomos já debatiam as assinaturas que estes mundos deixariam nos dados — especificamente, a ocorrência de múltiplos trânsitos durante uma única conjunção. O fenômeno ocorre quando um planeta passa em frente a uma ou ambas as estrelas do sistema ao longo de seu período orbital, criando um padrão de luz que revela sua presença.
A detecção do TIC 172900988b exemplifica precisamente este padrão. Quando os pesquisadores analisaram a curva de luz capturada pelo TESS, encontraram um eclipse primário seguido de dois secundários. O planeta transitou a primeira estrela e, cinco dias depois, transitou a segunda — tudo dentro da mesma conjunção. Este duplo trânsito, observado em um único setor dos dados do telescópio, forneceu a assinatura inequívoca de um planeta orbitando ambas as estrelas.
Os números que definem este mundo são impressionantes. Com 1,01 vez o tamanho de Júpiter e 11,07 vezes o tamanho da Terra, o TIC 172900988b supera em massa o recorde anterior mantido pelo Kepler-1647b — que era considerado o segundo mais massivo entre os planetas circumbinários conhecidos. A diferença é substancial: o novo descoberto é aproximadamente duas vezes mais massivo que seu antecessor. O período orbital do TIC 172900988b varia entre 189 e 204 dias, o que o coloca em uma região do sistema demasiado quente para abrigar qualquer forma de vida tal como a conhecemos.
O sistema que hospeda este planeta gigante fica a cerca de 824 anos-luz de distância, na constelação de Câncer, e possui uma idade de 3,1 bilhões de anos. Esta antiguidade oferece uma perspectiva fascinante: o planeta circumbinário mais massivo que conhecemos orbita um sistema que já era antigo quando a Terra ainda era jovem. A equipe de pesquisadores observa que o TIC 172900988b representa um exemplo eloquente do potencial do TESS em descobrir planetas circumbinários com períodos orbitais longos — exatamente o tipo de mundo que poderia escapar à detecção de missões anteriores devido às limitações de tempo de observação.
Durante sua missão primária, o TESS já havia identificado mais de 60 exoplanetas confirmados e 2.100 candidatos adicionais. Esta descoberta, ainda em fase de publicação na revista AAS mas já disponível no repositório arXiv, reforça a capacidade do telescópio de revelar mundos em ambientes complexos. A técnica de múltiplos trânsitos em uma única conjunção provou ser uma ferramenta poderosa para identificar planetas que orbitam duas estrelas simultaneamente — abrindo novas avenidas para futuras buscas por sistemas binários que abrigam mundos ainda desconhecidos.
Citazioni salienti
O planeta transitou a estrela primária do sistema e, após cinco dias, transitou a secundária, tudo durante a mesma conjunção— Equipe de pesquisa do TESS
Este exoplaneta é um exemplo do potencial de descobertas do TESS em relação aos planetas circumbinários com períodos orbitais acima da duração da janela de observação— Autores do estudo