Telão gigante do Rock in Rio 2026: quem dominou a tecnologia de 2 mil m²

Tem uma tela tão grande, e ao mesmo tempo você coloca um recurso muito simples
O diretor criativo de Pedro Sampaio sobre o contraste entre a megaestrutura e o uso de iPhones pelos dançarinos.
Mark

Por que alguns artistas conseguiram dominar aquele telão e outros não?

Mimi

Porque a gente está falando de uma decisão de investimento real. Não é só aparecer lá e deixar a câmera rodar. Você precisa pensar em como seu corpo, seus gestos, suas imagens funcionam numa tela de dois mil metros quadrados.

Luke

Mas a gente sabe que nem todo artista teve o mesmo tempo de preparação, certo? O Bring Me The Horizon entrou no primeiro fim de semana sem poder aprender com os outros.

Mimi

Exato. Mas eles chegaram com uma identidade visual tão clara — a coisa do videogame — que funcionou mesmo assim. Gilberto Gil teve mais tempo para pensar, trabalhou com um estúdio específico, gravou movimentos em estúdio.

Mark

E quanto ao custo? O festival realmente não cobra nada?

Mimi

Não cobra aluguel da estrutura. Mas o investimento em produção visual, em direção criativa, em operação ao vivo — isso sai do bolso do artista ou de sua produtora.

Luke

A gente deveria ser claro: a gente não sabe quanto cada um gastou. A gente sabe que investiram tempo e recursos, mas os números específicos não foram divulgados.

Mark

E como isso muda a experiência do público?

Mimi

Muda completamente. Quando funciona bem, como no caso do Gil ou do Pedro Sampaio, você não está só vendo um show — você está dentro de uma narrativa visual que foi pensada especificamente para aquele espaço.

Luke

Embora seja justo dizer que nem todo mundo no público estava lá especificamente para ver a tecnologia. Muita gente foi para ouvir a música.

Mimi

Verdade. Mas a tecnologia, quando bem usada, não compete com a música — ela amplifica.

  • Telão de LED com mais de 2 mil metros quadrados cobrindo o Palco Mundo
  • Festival fornece infraestrutura sem cobrar aluguel; artistas investem em produção visual exclusiva
  • Gilberto Gil, Bring Me The Horizon, Pedro Sampaio e Hwasa foram destaque na exploração da tecnologia

O novo telão coloca o festival na mesma linha visual de eventos como Coachella e turnês de Beyoncé e Taylor Swift. Artistas investem tempo e recursos em produções visuais exclusivas, não pagam aluguel pela estrutura fornecida pelo festival.

O Rock in Rio 2026 estreou um telão de LED com 2 mil metros quadrados que transformou o Palco Mundo. Artistas como Gilberto Gil, Bring Me The Horizon e Pedro Sampaio se destacaram ao explorar a tecnologia com produções visuais exclusivas.

O Rock in Rio 2026 chegou com uma transformação que colocou o festival na mesma dimensão visual de Coachella e das turnês de Beyoncé e Taylor Swift: um telão de LED com mais de dois mil metros quadrados cobrindo toda a fachada do Palco Mundo. A estrutura monumental exigiu dos artistas uma decisão que ia além de simplesmente subir ao palco. Enquanto alguns nomes foram engolidos pela própria escala da tela, outros entenderam que aquele espaço demandava produções visuais pensadas especificamente para aquele contexto.

O festival não cobra dos artistas pelo uso da infraestrutura de LED, som e iluminação — tudo é fornecido e custeado como parte da estrutura oficial do Palco Mundo. O que cada artista precisa investir é tempo e recursos de produção para criar conteúdos visuais e direções de câmera sob medida. Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio, explicou que o festival envia previamente um rider técnico detalhando os equipamentos disponíveis. "O uso desse telão é altamente desafiador. O material para ser trabalhado não é material de grafismos, é uma decisão de investir tempo mesmo. Isso fica na mão de cada artista", afirmou. A lógica é a dos grandes festivais: os artistas podem trazer seus efeitos especiais, enquanto o festival fornece o que tem de som, luz e LED instalados para aproveitarem o que quiserem.

Gilberto Gil foi quem mais explorou o potencial narrativo dos telões. Com projeções assinadas pelo estúdio Radiográfico, o Palco Mundo ganhou um conceito visual criado a partir do próprio corpo do artista. Gil aparecia em diferentes versões de si mesmo — em closes, gestos e movimentos que se misturavam às imagens captadas ao vivo. A equipe levou o artista ao estúdio e registrou seus movimentos e expressões, posteriormente transformados em imagens e metáforas para as canções. O material foi pré-renderizado e planejado para receber, durante a apresentação, uma camada de imagens captadas ao vivo. Pedro Garavaglia, sócio-diretor do estúdio, explicou que a proposta era apresentar "um Gil olhando para frente, para o futuro" e que a dimensão do Palco Mundo foi considerada desde o início do processo criativo.

O Bring Me The Horizon chegou ao festival com uma identidade visual desenhada para transformar a apresentação em um grande videogame. O diferencial foi fazer isso logo no primeiro fim de semana, sem ter a vantagem de acompanhar a repercussão dos shows anteriores. Antes mesmo do início, os telões convidavam o público a "apertar start" e perguntavam se ele topava jogar, enquanto um aviso de conteúdo sensível preparava para a "violência e o gore" que fariam parte do espetáculo. Ao longo do show, caveiras, tumbas e destroços compunham o cenário, enquanto os integrantes apareciam nos telões como personagens de um jogo.

Pedro Sampaio também soube explorar muito bem a dimensão do novo painel. Logo na abertura, um salto filmado de baixo fazia parecer que o artista pulava sobre o público, aproveitando a escala monumental da tela. Vito Soares, diretor criativo da apresentação, explicou que a equipe ficou vidrada em trazer uma perspectiva diferente, não convencional — ver debaixo do pé de uma pessoa num telão gigantesco. Ao longo da apresentação, a equipe combinou letterings, texturas e imagens de câmera para manter o público integrado ao espetáculo. Um dos recursos mais curiosos foi colocar iPhones nas mãos dos dançarinos, que se filmavam no palco enquanto as imagens eram transmitidas em tempo real para o iMAG, criando uma espécie de POV da apresentação. "Foi legal brincar com a tecnologia nesses contrapontos. Tem uma tela tão grande, e ao mesmo tempo você coloca um recurso muito simples, que é um celular", resumiu Vito. A operação das imagens ficou a cargo da VJ Kiara, responsável por transformar esse planejamento em imagens ao vivo.

Hwasa também fez bom uso do gigantismo da nova tela. Durante o show, os telões projetavam imagens com zooms que valorizavam a presença da cantora, além de letterings com os nomes das músicas e trechos das letras em português, ajudando o público a acompanhar a apresentação. O recurso funcionou especialmente bem para uma artista que estreava no Rock in Rio diante de uma plateia que ainda conhecia pouco de seu repertório. O que ficou claro ao longo do festival é que a nova tela não era apenas um cenário passivo — era um instrumento que exigia decisões criativas, planejamento técnico e uma compreensão profunda de como transformar escala em narrativa.

O uso desse telão é altamente desafiador. O material para ser trabalhado não é material de grafismos, é uma decisão de investir tempo mesmo.
— Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio
Foi legal brincar com a tecnologia nesses contrapontos. Tem uma tela tão grande, e ao mesmo tempo você coloca um recurso muito simples, que é um celular.
— Vito Soares, diretor criativo da apresentação de Pedro Sampaio
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