Numa terça-feira de outono, Wall Street respirou de alívio: as tecnológicas puxaram os índices para cima e o petróleo mais barato afastou, por ora, o fantasma de uma inflação que volta a apertar. É o velho ritmo dos mercados, feito de receios que surgem e se dissipam, e agora a confiança regressa à inteligência artificial enquanto todos olham para a véspera de uma decisão da Reserva Federal e para os resultados de três gigantes que valem, juntas, mais de dez biliões de dólares. A pergunta que paira não é apenas se a Fed mexe nos juros, mas até quando o capital estará disposto a financiar um fu
Tecnológicas e petróleo mais barato impulsionam Wall Street às vésperas da Fed
A chave estava desligada nas últimas duas semanas
Porque é que esta sessão importa, se o Dow quase não mexeu?
Porque o movimento esteve concentrado na tecnologia. O Nasdaq subiu 1,18% e o S&P 500 0,6%, enquanto o Dow ganhou só 0,03%.
E o que alimentou essa subida?
Vários fatores: a procura cinco vezes superior pela oferta de 25 mil milhões de dólares da Meta, a parceria ampliada entre a Oracle e a OpenAI e o financiamento de 63 mil milhões para a Anthropic comprar tecnologia da Broadcom.
Convém separar o que está confirmado do que é leitura. Os números dos índices e das ações são factos. Já a ideia de que a "chave foi ligada de novo" é a interpretação de um gestor, Jed Ellerbroek.
E o petróleo?
Continua a descer, o que alivia o receio de mais inflação. É o pano de fundo para a Fed.
A Fed deverá manter as taxas entre 3,75% e 4%, mas isso é a previsão do mercado, não uma decisão tomada. O texto diz que pode haver surpresas, sem dizer quais.
Então o que vigiar?
Os resultados da Microsoft, Alphabet e Meta, e sobretudo quanto investem em IA e quando isso dará retorno.
Essa pergunta continua em aberto. Os resultados podem crescer e a dúvida sobre o retorno manter-se.
Le Pouls
- O Nasdaq subiu 1,18% e fechou nos 26.477,81 pontos, puxado por semicondutores e inteligência artificial.
- Um receio que parecia adormecido voltou: quanto as big techs vão gastar em IA e quando esse dinheiro regressará como lucro.
- A Meta colocou 25 mil milhões de dólares em ações com procura cinco vezes superior ao disponível, sinal de apetite intenso.
- A Fed deverá manter as taxas entre 3,75% e 4%, com a queda do petróleo a aliviar a pressão inflacionista.
- Amanhã, os resultados da Microsoft, Alphabet e Meta e a decisão monetária definirão se o entusiasmo se sustenta.
Numa terça-feira de outono, Wall Street respirou de alívio: as tecnológicas puxaram os índices para cima e o petróleo mais barato afastou, por ora, o fantasma de uma inflação que volta a apertar. É o velho ritmo dos mercados, feito de receios que surgem e se dissipam, e agora a confiança regressa à inteligência artificial enquanto todos olham para a véspera de uma decisão da Reserva Federal e para os resultados de três gigantes que valem, juntas, mais de dez biliões de dólares. A pergunta que paira não é apenas se a Fed mexe nos juros, mas até quando o capital estará disposto a financiar um futuro que ainda não rende o que promete.
Wall Street fechou a terça-feira no verde, com o Nasdaq a liderar. O índice tecnológico avançou 1,18%, o S&P 500 ganhou 0,6% e o Dow Jones ficou praticamente parado. Foi o regresso da inteligência artificial ao centro das atenções, na véspera dos resultados trimestrais da Microsoft, da Alphabet e da Meta.
A sessão teve vários motores: a oferta de ações da Meta foi disputada cinco vezes acima do montante disponível, a Oracle reforçou a parceria com a OpenAI e a UPS valorizou com perspetivas sólidas. Nos semicondutores, a Broadcom subiu 4% depois de um financiamento de 63 mil milhões de dólares para a aquisição de tecnologia pela Anthropic, e a AMD avançou mais de 5%.
O gestor Jed Ellerbroek descreveu um padrão conhecido: o mercado preocupa-se com os gastos em IA e depois volta a confiar. Nas últimas semanas, disse, a chave esteve desligada; agora voltou a ligar-se. A descida do petróleo ajudou, ao aliviar o medo de uma inflação ainda mais alta.
A Reserva Federal conclui amanhã a sua reunião, com a expectativa de manter os juros. Ellerbroek antecipa uma decisão menos previsível do que o habitual, sobretudo por causa das eleições intercalares da próxima semana. Os próximos dias dirão se os resultados das gigantes sustentam a confiança na IA e o que a Fed decidirá.
Wall Street fechou a sessão desta terça-feira no verde, com o Nasdaq a liderar os ganhos. O índice tecnológico avançou 1,18% e terminou nos 26.477,81 pontos. O S&P 500 subiu 0,6%, para 7.722,6 pontos, e o industrial Dow Jones ficou praticamente parado, com um ganho de 0,03%, nos 52.377,57 pontos.
Os investidores voltaram a apostar nas ações ligadas aos semicondutores e à inteligência artificial (IA), na véspera de a Microsoft, a Alphabet e a Meta apresentarem os resultados trimestrais. Juntas, as três empresas valem mais de 10 biliões de dólares em bolsa. Esperam-se números que mostrem um crescimento sólido, mas o foco deverá estar noutro ponto: quanto vão investir em IA e quando é que esse investimento se traduzirá em retorno significativo.
A sessão teve vários motores. A oferta de ações da Meta Platforms, no valor de 25 mil milhões de dólares, recebeu uma procura cinco vezes superior ao montante disponível. A Oracle está a ampliar a parceria com a OpenAI. E a United Parcel Service (UPS) valorizou depois de apresentar perspetivas futuras sólidas.
Nos semicondutores, a Broadcom subiu 4%, depois de um grupo de bancos (Bank of America, Citi e Morgan Stanley) e a Blackstone terem anunciado um financiamento de 63 mil milhões de dólares para a aquisição da tecnologia da empresa pela Anthropic. A Micron Technology ganhou 2,77% e a Advanced Micro Devices avançou 5,45%.
Jed Ellerbroek, gestor da Argent Capital Management, descreveu à Bloomberg um padrão recorrente: o mercado passa por períodos em que se preocupa com os gastos em IA e depois regressa ao normal, com a tecnologia a puxar de novo. Nas últimas duas semanas, disse, a chave esteve desligada; nos dois primeiros dias desta semana, voltou a ser ligada.
O entusiasmo sente-se desde o arranque da semana e coincide com a descida dos preços do petróleo nos mercados internacionais, o que alivia os receios de uma subida ainda maior da inflação.
A Reserva Federal conclui amanhã a reunião de política monetária de dois dias. O mercado prevê que mantenha as taxas de juro no intervalo de 3,75% a 4%, embora possa haver surpresas. Ellerbroek considera que esta parece ser uma rara reunião sem grandes acontecimentos sob a gestão de Warsh. Na sua leitura, a estratégia de comunicação do presidente da Fed deverá resultar em menos reuniões sem surpresas, mas nesta haverá uma, sobretudo por causa das eleições intercalares da próxima semana. Imagina que a reunião de dezembro será igualmente agitada.
Os próximos dias dirão se os resultados das três gigantes tecnológicas sustentam a confiança nos investimentos em IA, e o que dirá a Fed sobre os juros.
Citations marquantes
O mercado passa por estes intervalos periódicos em que se preocupa com os gastos em IA, e depois tende a voltar ao normal e o setor de tecnologia impulsiona de novo.— Jed Ellerbroek, gestor da Argent Capital Management, à Bloomberg