Tarifas dos EUA podem encarecer iPhones e outros produtos Apple

Você poderia encher vários campos de futebol com pessoas especializadas
Tim Cook explicando por que a Apple fabrica na Ásia, não nos EUA, em entrevista de 2017.
Mark

Por que a Apple não consegue simplesmente mudar a produção para os EUA e evitar essas tarifas?

Mimi

Porque não é só sobre mover uma fábrica. É sobre um ecossistema inteiro de expertise que levou décadas para se formar. Na China e em outros países asiáticos, você tem engenheiros especializados, fornecedores de peças, infraestrutura de transporte, tudo conectado. Nos EUA, isso não existe na mesma escala.

Mark

Então o consumidor brasileiro vai pagar mais caro por um iPhone?

Mimi

Provavelmente, sim. A menos que Trump mude de ideia sobre as tarifas ou que a Apple decida absorver o custo reduzindo seu lucro. A primeira é mais provável que a segunda.

Mark

E por quanto tempo isso vai durar?

Mimi

Enquanto as tarifas estiverem em vigor. Se a política mudar, os preços podem voltar. Mas se isso virar permanente, a indústria de tecnologia vai precisar se reorganizar — e isso leva tempo.

Mark

A Apple poderia trazer produção para o Brasil?

Mimi

Teoricamente, sim. Mas faltam aqui os mesmos ingredientes que existem na Ásia: expertise concentrada, fornecedores especializados, infraestrutura. Seria um investimento gigantesco e de longo prazo.

Mark

Então estamos presos a essa situação?

Mimi

Por enquanto, sim. A Ásia tem uma vantagem competitiva que não desaparece rapidinho. O que pode mudar é a política comercial — aí sim as coisas se mexem.

  • As tarifas impostas pelos EUA sobre produtos asiáticos ameaçam encarecer iPhones, Macbooks e outros eletrônicos nos próximos meses.
  • Nove em cada dez iPhones são fabricados na China, e os demais dispositivos Apple saem de linhas no Vietnã, Malásia e Tailândia — país que enfrenta tarifa de 36%.
  • Componentes críticos como processadores dependem de Taiwan, Japão e Coreia do Sul, tornando a cadeia produtiva vulnerável a qualquer tensão comercial com a Ásia.
  • Empresas poderiam absorver os custos cortando margens de lucro, mas analistas consideram isso improvável no cenário atual.
  • A concentração de expertise, infraestrutura e mão de obra especializada na Ásia — descrita pelo próprio Tim Cook como inigualável — torna a relocalização da produção uma questão de anos, não de decisões imediatas.

Quando uma potência econômica impõe barreiras ao comércio com a Ásia, ela toca numa teia tecida ao longo de décadas: a quase totalidade dos iPhones nasce em fábricas chinesas, e os componentes que os animam percorrem Taiwan, Japão e Coreia do Sul antes de chegar às mãos dos consumidores. As tarifas americanas sobre produtos asiáticos não são apenas uma disputa entre governos — são uma pressão que desce pela cadeia produtiva até o bolso de quem compra um telefone em qualquer parte do mundo. Mover essa engrenagem para outro continente levaria anos, não meses, e enquanto isso o preço da tecnologia tende a subir.

A Apple produz nove em cada dez iPhones na China, segundo dados da Evercore ISI. Nos últimos anos, a empresa tentou diversificar, deslocando parte da produção para Índia e Vietnã, mas a dependência asiática vai muito além dos telefones: Macbooks, iPads, Apple Watches e AirPods são montados na Malásia, Vietnã e Tailândia — este último sujeito a uma tarifa americana de 36%. Componentes críticos, como os processadores que abastecem o mercado global, vêm de Taiwan, Japão e Coreia do Sul.

Essa rede intrincada significa que as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos asiáticos chegam diretamente ao consumidor. Eletrônicos devem ficar mais caros nos próximos meses, a menos que o governo americano recue na política tarifária ou que as empresas absorvam os custos — o que analistas consideram pouco provável.

Em entrevista de 2017 ao programa 60 Minutes, Tim Cook explicou por que a produção não se move facilmente: fabricar um iPhone exige um ecossistema de conhecimento especializado que não existe em outro lugar. Enquanto nos EUA seria possível reunir numa sala todos os engenheiros capazes de construir as ferramentas necessárias, na China daria para preencher vários campos de futebol com profissionais especializados em cada etapa do processo. Esse acúmulo de talento, infraestrutura e eficiência de custos leva décadas para se formar — e não se desfaz em meses. Enquanto a política comercial americana não muda, consumidores ao redor do mundo, incluindo os brasileiros, devem sentir a pressão nos preços de seus dispositivos.

A maioria dos iPhones vendidos no mundo sai de fábricas na China. Estima-se que nove em cada dez telefones da Apple são produzidos lá, conforme dados da Evercore ISI, uma firma especializada em análise de mercado. Nos últimos anos, a empresa tem tentado diversificar, movimentando parte da produção para a Índia e o Vietnã. Mas a dependência asiática vai além dos telefones: Macbooks, iPads, Apple Watches e AirPods saem de linhas de montagem na Malásia, Vietnã e Tailândia — este último país enfrentando uma tarifa de 36%.

O quadro fica mais complexo quando se considera o fornecimento de peças. Componentes críticos vêm do Japão, Coreia do Sul e Taiwan. Nesta última, aliás, concentra-se a fabricação de grande parte dos processadores que abastecem o mercado global de eletrônicos. Essa rede intrincada de produção e suprimento significa que qualquer pressão sobre o comércio asiático afeta diretamente o que chega às mãos dos consumidores.

As tarifas impostas pelos EUA sobre produtos asiáticos criam um cenário preocupante para quem compra tecnologia. Produtos e serviços relacionados à eletrônica devem ficar mais caros nos próximos meses, a menos que o governo americano recue na política tarifária ou que as próprias empresas absorvam os custos reduzindo suas margens de lucro — uma possibilidade remota no mercado atual.

Por que a Ásia domina tanto a fabricação de eletrônicos? A resposta está em três pilares: expertise, infraestrutura e custo. Tim Cook, presidente executivo da Apple, explicou isso em uma entrevista de 2017 ao programa 60 Minutes da rede americana CBS. Segundo ele, fabricar um iPhone exige ferramentas extremamente avançadas e um ecossistema de conhecimento especializado que não existe em outro lugar do planeta. Os EUA poderiam reunir numa sala todos os engenheiros capazes de construir essas ferramentas, disse Cook, mas na China seria possível preencher vários campos de futebol com profissionais especializados em cada aspecto da produção.

Essa concentração de talento, infraestrutura e eficiência de custos não se muda da noite para o dia. Mesmo que a Apple ou outras fabricantes quisessem trazer produção de volta para os EUA ou para outros países, o tempo necessário seria medido em anos, não meses. Enquanto isso, os consumidores brasileiros e de outras partes do mundo enfrentarão pressão nos preços de seus dispositivos, a menos que algo mude na política comercial americana ou nas estratégias das próprias empresas de tecnologia.

A razão é expertise, e a quantidade de expertise em uma só localidade, além do tipo de expertise
— Tim Cook, CEO da Apple, em entrevista ao programa 60 Minutes em 2017
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