Na véspera do primeiro turno paulista, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad se encontraram pela última vez em um debate que, embora formalmente dedicado a São Paulo, revelou o verdadeiro campo de batalha: a disputa nacional entre Lula e Bolsonaro. Em um estado que historicamente define presidências, os dois candidatos trocaram acusações sobre ligações com o crime organizado e invocaram seus padrinhos políticos com a frequência de quem sabe que governar São Paulo é, antes de tudo, um ensaio para o poder federal. Com Tarcísio liderando com folga nas pesquisas, o debate foi menos um duelo equili
Tarcísio e Haddad nacionalizam debate em SP com trocas de ataques sobre crime
Tarcísio dita o tom enquanto Haddad tenta reconducir o debate
Por que um debate sobre governador de São Paulo virou uma discussão sobre Lula, Bolsonaro e política nacional?
Porque os candidatos têm padrinhos nacionais poderosos e a campanha presidencial está em jogo. Haddad é do PT e Tarcísio tem apoio de Bolsonaro. Eles usam o debate estadual para falar para seus eleitores nacionais.
Mas o debate tinha regras rígidas com temas pré-selecionados. Como conseguiram nacionalizar tanto assim?
Conseguiram porque os temas estaduais — saúde, infraestrutura, segurança — têm conexões óbvias com decisões federais. Haddad culpa Bolsonaro pela pandemia, Tarcísio culpa o PT pela Lava Jato.
E quanto às acusações sobre crime organizado? Parecem muito graves.
São acusações sérias, mas note que cada um cita suspeitos diferentes. Haddad menciona Milton Leite ligado a Tarcísio, Tarcísio menciona Senival Moura ligado a Haddad. É um jogo de espelhos.
Espera — essas pessoas estão sendo investigadas ou já foram condenadas?
A fonte diz que são suspeitos, que estão sob operação. Não há condenações mencionadas. São acusações em andamento.
Tarcísio está muito à frente nas pesquisas. Por que Haddad ainda está lutando?
Porque é o último debate antes do primeiro turno. É a última chance de mudar a narrativa. Ele atacou Flávio nas considerações finais, tentando reconectar o debate à campanha presidencial.
Mas a pesquisa Quaest mostra 44% para Tarcísio contra 24% para Haddad. Isso é uma vantagem enorme.
É. O CEO da Quaest disse que o cenário sugere uma possível eleição em primeiro turno. Haddad está em desvantagem clara.
Qual foi o momento mais importante do debate?
Provavelmente quando Tarcísio declarou apoio explícito a Flávio nas considerações finais, enquanto Haddad o chamou de ameaça para o país. Resumiu toda a disputa presidencial em uma frase.
Mas ninguém sabe ainda se Flávio vai ser eleito presidente. Tarcísio está apostando em um cavalo que pode não vencer.
Verdade. Mas ele está apostando na base de Bolsonaro, que ainda é forte em São Paulo.
The Pulse
- Tarcísio e Haddad transformaram um debate estadual em palanque nacional, citando Lula, Bolsonaro e escândalos federais a cada bloco temático.
- As acusações mútuas sobre conexões com PCC e Comando Vermelho dominaram o bloco de segurança, com nomes como Milton Leite, Senival Moura e Roberta Luchsinger sendo lançados como granadas retóricas.
- Haddad, em desvantagem de 20 pontos nas pesquisas, apostou no ataque para tentar desestabilizar um governador que raramente apareceu em debates ao longo da campanha.
- Tarcísio controlou o ritmo do encontro, desviando perguntas incômodas — como sobre o orçamento secreto — para temas de maior apelo emocional, como famílias de autistas.
- Nas considerações finais, o governador declarou apoio explícito a Flávio Bolsonaro, enquanto Haddad o chamou de ameaça ao país, consolidando o debate como prelúdio da disputa presidencial de 2026.
Na véspera do primeiro turno paulista, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad se encontraram pela última vez em um debate que, embora formalmente dedicado a São Paulo, revelou o verdadeiro campo de batalha: a disputa nacional entre Lula e Bolsonaro. Em um estado que historicamente define presidências, os dois candidatos trocaram acusações sobre ligações com o crime organizado e invocaram seus padrinhos políticos com a frequência de quem sabe que governar São Paulo é, antes de tudo, um ensaio para o poder federal. Com Tarcísio liderando com folga nas pesquisas, o debate foi menos um duelo equilibrado do que um espelho das tensões que dividem o Brasil.
O último debate antes do primeiro turno para o governo de São Paulo aconteceu na terça-feira, 29 de setembro, transmitido pela TV Globo. Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad estavam formalmente ali para discutir São Paulo, mas o encontro rapidamente se tornou um palco para a política nacional — com Lula e Bolsonaro presentes em cada acusação, em cada desvio de tema, em cada golpe retórico.
No bloco de segurança, o tom foi imediatamente agressivo. Haddad tentou ligar Tarcísio a Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal suspeito de vínculos com o PCC. Tarcísio respondeu citando o vereador petista Senival Moura, investigado por suspeita de envolvimento em esquema do PCC, e um evento de Haddad com uma mulher apontada como liderança do tráfico na Favela do Moinho. O governador ainda mencionou a lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em inquéritos que envolvem Lulinha, filho do presidente.
Quando o debate avançou para saúde, ajuste fiscal e infraestrutura, a nacionalização ficou ainda mais evidente. Haddad atribuiu problemas à gestão da pandemia por Bolsonaro; Tarcísio associou atrasos no metrô à Lava Jato e ao PT. No bloco de transporte, Tarcísio ironizou o rival dizendo que em breve Haddad atribuiria ao governo federal a construção do Cristo Redentor. No bloco livre, o duelo se concentrou na privatização da Sabesp — Haddad criticou a venda de ativos e mencionou funcionários mortos em obras; Tarcísio insistiu no programa Integra Tietê, que o petista disse desconhecer.
Nas considerações finais, o contraste entre os dois ficou cristalizado: Tarcísio declarou apoio explícito a Flávio Bolsonaro para a Presidência, enquanto Haddad o chamou de ameaça ao país. A pesquisa Quaest divulgada no mesmo dia mostrava o governador com 44% das intenções de voto, contra 24% de Haddad — um cenário que aponta para uma possível definição já no primeiro turno, sem que o debate tenha alterado o equilíbrio de forças.
A última confrontação entre os dois principais candidatos ao governo de São Paulo antes do primeiro turno aconteceu na terça-feira, 29 de setembro, em um debate transmitido pela TV Globo que rapidamente transcendeu as fronteiras estaduais. Tarcísio de Freitas, o governador apoiado pelo Republicanos, e Fernando Haddad, ex-ministro pelo PT, transformaram o encontro em um palco para questões nacionais, trocando acusações sobre conexões com suspeitos ligados ao crime organizado e invocando constantemente seus padrinhos políticos: o presidente Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar das regras rígidas que estabeleciam blocos temáticos e regiões pré-selecionadas, os candidatos conseguiram levar para a televisão discussões sobre contas públicas, a pandemia de Covid-19, a Operação Lava Jato, a Operação Carbono Oculto e o programa Pé-de-Meia. Haddad, que está em desvantagem nas pesquisas, aproveitou o espaço para atacar Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, alinhando-se à estratégia nacional de Lula. Tarcísio, por sua vez, manteve Flávio em segundo plano durante a maior parte do debate, mas declarou apoio explícito ao senador nas considerações finais.
No primeiro bloco, dedicado à segurança, Haddad criticou a ausência de Tarcísio em debates anteriores e levantou a questão da presença do Comando Vermelho em São Paulo. O petista também tentou ligar o governador a Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal, suspeito de ter elos com o PCC. Tarcísio rebateu citando o vereador petista Senival Moura, alvo de operação por suspeita de envolvimento em esquema do PCC, e um evento de Haddad com uma mulher apontada como liderança do tráfico na Favela do Moinho. O governador ainda mencionou a lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal junto com Lulinha, filho do presidente, em inquéritos sobre corrupção e tráfico de influência, afirmando que ela faz elogios ao rival nas redes sociais.
Quando o tema mudou para saúde, a nacionalização do debate ficou evidente. Haddad atribuiu o caos na saúde à gestão da pandemia no governo Bolsonaro, enquanto Tarcísio associou atrasos na linha 6-laranja do metrô à Lava Jato, buscando vincular escândalos da operação ao PT. No segundo bloco, Haddad escolheu o Tribunal de Contas do Estado como tema e questionou Tarcísio sobre o orçamento secreto e benefícios fiscais para bilionários. O governador evitou responder diretamente e desviou para o tema das mães de crianças com transtorno do espectro autista, conseguindo ditar o tom da conversa. Quando o debate abordou o ajuste fiscal nacional, Tarcísio questionou se Haddad recomendaria a medida ao presidente, e o petista rebateu dizendo que recebeu um país quebrado de Paulo Guedes e Bolsonaro. Haddad associou Tarcísio a Bolsonaro ao sugerir que ambos prefeririam um governo nos moldes do presidente argentino Javier Milei.
No terceiro bloco, sobre transporte e infraestrutura, Haddad afirmou que obras no estado receberam aportes do governo federal e advertiu que investimentos diminuiriam com uma eventual eleição de Flávio. Tarcísio criticou o adversário por sempre se referir ao governo federal, dizendo ironicamente que em breve Haddad atribuiria ao governo federal a construção do Farol de Salvador e do Cristo Redentor. Os dois se concentraram então em questões estaduais: Haddad criticou as desestatizações da gestão Tarcísio e os indicadores de educação, enquanto o governador criticou a falta de entregas quando o petista era prefeito. No quarto bloco, de tema livre, Tarcísio abriu perguntando sobre resiliência hídrica, e Haddad mirou a privatização da Sabesp, criticando a venda de ativos e mencionando funcionários mortos em obras. Ele afirmou que antes da privatização a empresa era lucrativa mas não tentava agradar a Faria Lima. Ao final, Haddad tentou reconducir o debate para segurança, mas Tarcísio insistiu no saneamento e mencionou o programa Integra Tietê, que o petista disse desconhecer.
Nas considerações finais, o contraste entre os candidatos ficou claro. Tarcísio declarou explicitamente apoio a Flávio, enquanto Haddad o chamou de ameaça para o país, citando os escândalos do Master e do INSS. O debate ocorreu em uma campanha marcada pelo marasmo, com exposição reduzida de Tarcísio e um cenário estável ao longo do tempo. Pesquisa Quaest divulgada no mesmo dia mostrava o governador com 44% das intenções de voto no primeiro turno, contra 24% de Haddad, sugerindo uma possível definição já na primeira etapa. Novamente, apenas os dois principais candidatos foram convidados para o encontro, que contou com a presença de seus respectivos vices, candidatos ao Senado, o prefeito Ricardo Nunes, aliado de Tarcísio, e o deputado Ricardo Salles.
Notable Quotes
Você tem que parar de querer vender tudo— Fernando Haddad, criticando a privatização da Sabesp
É uma ameaça para o país. Eles está envolvido em absolutamente todos os escândalos que estão sendo investigado— Fernando Haddad, sobre Flávio Bolsonaro nas considerações finais