Tadalafila viraliza nas redes, mas médicos alertam sobre riscos e falta de comprovação

Eles passam a achar que só vão ter um sexo satisfatório se tiverem tomado o remédio
Como a dependência psicológica da tadalafila funciona em homens que a usam sem indicação médica.

Em dez anos, as vendas de tadalafila no Brasil saltaram de 3 milhões para 75 milhões de caixas — um crescimento de mais de 2.000% alimentado não pela necessidade clínica, mas pelo poder das redes sociais e pela promessa de uma masculinidade aprimorada. O medicamento, criado para tratar condições específicas como disfunção erétil e hipertensão pulmonar, migrou do consultório para a academia e para o quarto de homens jovens e saudáveis que buscam nele algo que a ciência não confirma que ele oferece. Especialistas observam, preocupados, que quando a medicina se encontra com o desejo de perfeição amplificado por influenciadores, o que se vende como investimento em si mesmo pode ser, na verdade, o início de uma dependência silenciosa.

  • As vendas de tadalafila cresceram mais de 2.000% em uma década, impulsionadas por influenciadores que prometem ganhos sexuais e musculares sem qualquer respaldo científico.
  • Homens jovens e saudáveis consomem o medicamento como se fosse suplemento, ignorando que seus únicos usos clinicamente validados são disfunção erétil, hipertensão pulmonar e problemas prostáticos.
  • A Anvisa e o Ministério da Saúde já emitiram alertas formais, mas a voz dos influenciadores — e até de alguns profissionais de saúde — continua mais alta nas redes sociais.
  • O risco mais invisível é psicológico: usuários regulares podem desenvolver a crença de que só conseguem desempenho sexual satisfatório com o remédio, criando uma dependência que não é química, mas é real.
  • Combinada com álcool, energéticos ou anabolizantes, a tadalafila pode causar danos sérios — e essa mistura é comum entre frequentadores de academia que a usam como pré-treino.
  • Médicos pedem o óbvio, mas necessário: nenhum medicamento deve ser usado sem indicação clínica individualizada, independentemente do que viralizou ontem.

A tadalafila se tornou um dos medicamentos mais vendidos do Brasil não por epidemia de disfunção erétil, mas por um fenômeno de redes sociais. Em dez anos, as vendas saltaram de 3 milhões para quase 75 milhões de caixas — crescimento de mais de 2.000% —, impulsionadas por influenciadores que prometem desempenho sexual ampliado e ganhos musculares. Nenhuma dessas promessas tem comprovação científica.

O remédio é um vasodilatador com indicações legítimas e bem definidas: disfunção erétil, hipertensão arterial pulmonar e sintomas urinários ligados à próstata. Mas escapou do consultório. Homens saudáveis passaram a usá-lo para potencializar relações sexuais; frequentadores de academia o adotaram como pré-treino. Especialistas são categóricos: a tadalafila não aumenta o desejo, não produz ereção automática e não constrói músculo.

O perigo mais subestimado é psicológico. Quem usa o medicamento com regularidade pode desenvolver a convicção de que só consegue uma relação satisfatória após tomá-lo. Não é dependência química no sentido fisiológico — mas a mente cria uma verdade própria, igualmente limitante. Somam-se a isso efeitos colaterais comuns como dor de cabeça, congestão nasal e desconfortos gástricos, e riscos graves quando combinado com álcool, energéticos ou anabolizantes.

A Anvisa e o Ministério da Saúde já emitiram alertas específicos. Mesmo assim, nas redes sociais, a narrativa do 'investimento em si mesmo' prevalece. Enquanto influenciadores — e até alguns profissionais de saúde — continuam promovendo a ideia, mais homens jovens compram uma caixa de tadala acreditando estar se cuidando, sem saber que estão percorrendo um caminho que a medicina não recomenda.

A tadalafila virou febre. Homens jovens e saudáveis a procuram nas farmácias, influenciadores a promovem nas redes sociais, e as vendas explodiram: de 3 milhões de caixas em 2015 para quase 75 milhões em 2025. Um crescimento de mais de 2.000% em dez anos, impulsionado por promessas que médicos agora dizem não ter fundamento científico.

O medicamento é um vasodilatador — dilata os vasos sanguíneos e melhora o fluxo de sangue em certas regiões do corpo. Sua indicação legítima é clara: tratar disfunção erétil, hipertensão arterial pulmonar e sintomas urinários ligados ao aumento da próstata. Mas a tadalafila escapou do consultório. Homens saudáveis começaram a usá-la para potencializar o desempenho sexual. Depois, frequentadores de academia a adotaram na esperança de ganhar massa muscular. Nenhum desses usos tem comprovação científica.

Especialistas são claros: a tadalafila não aumenta o desejo sexual. Não cria uma ereção automática. Não constrói músculo. A Anvisa e o Ministério da Saúde já emitiram alertas específicos sobre seu uso como estimulante de pré-treino. Para médicos ouvidos pela DW, o hype em torno do remédio representa uma tendência preocupante — não apenas porque os benefícios prometidos não existem, mas porque o uso descontrolado cria um problema psicológico real.

Homens que tomam tadalafila regularmente podem desenvolver dependência psicológica. Não é dependência química — o corpo não fica viciado no sentido fisiológico. Mas a mente fica. Eles passam a acreditar que só conseguem ter uma relação sexual satisfatória se tiverem tomado o remédio antes. É uma ilusão que se torna verdade vivida.

Os efeitos colaterais mais comuns são dor de cabeça, dores musculares, congestão nasal, vermelhidão no rosto e desconfortos gastrointestinais — azia, queimação no estômago. Em casos mais raros, os efeitos podem ser graves. E o risco aumenta significativamente quando a tadalafila é combinada com outras substâncias: álcool, bebidas energéticas, anabolizantes, drogas recreativas. Essa mistura pode causar danos sérios.

O alerta dos especialistas é direto: não se automedique. A tadalafila só deve ser usada quando há indicação médica específica para cada pessoa. Mas a realidade nas redes sociais é outra. Influenciadores continuam vendendo a ideia. Usuários compartilham experiências. Até profissionais de saúde participam da promoção. E a cada dia, mais homens jovens e saudáveis compram uma caixa de tadala, acreditando que estão investindo em si mesmos — quando, na verdade, estão entrando em um caminho que a medicina não recomenda.

A tadalafila pode favorecer uma dependência psicológica, apesar de não causar dependência química
— Médicos ouvidos pela DW
O benefício do uso do remédio em pessoas saudáveis não foi comprovado em nenhum dos dois casos
— Especialistas em saúde
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a tadalafila virou tão popular se os médicos dizem que não funciona para esses usos?

Model

Porque funciona para algo — melhora o fluxo sanguíneo. E quando você toma um remédio e depois tem uma experiência positiva, seu cérebro conecta os dois. A expectativa vira realidade vivida. As redes sociais amplificam isso exponencialmente.

Inventor

Então é só placebo?

Model

Não é só. O medicamento realmente dilata os vasos. Mas o ganho muscular, o desejo sexual aumentado — isso não tem base científica. O que existe é a crença, reforçada todos os dias por alguém com milhões de seguidores.

Inventor

E a dependência psicológica que os médicos mencionam — como funciona?

Model

Você toma o remédio, tem uma noite boa, e seu cérebro aprende: "Preciso disso para funcionar". Depois, sem o remédio, você fica ansioso, inseguro. Não é vício químico, mas é real. É tão real quanto qualquer outra crença que governa nosso comportamento.

Inventor

Qual é o risco maior aqui?

Model

A combinação. Um homem toma tadalafila, bebe cerveja, toma um energético, talvez use anabolizante. Seu coração está trabalhando em um regime que não foi desenhado para suportar. Os efeitos colaterais podem ser graves.

Inventor

E por que os influenciadores continuam promovendo?

Model

Porque vende. E porque muitos deles realmente acreditam. Eles tomam, têm uma experiência positiva, e compartilham. Ninguém está sendo malicioso — estão apenas amplificando uma ilusão que a indústria farmacêutica, as redes sociais e a cultura de otimização do corpo já criaram.

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