Toda nova fronteira de segurança costuma nascer de uma fresta antiga, esquecida por tempo demais, e a exploração ns2jb mostra isso no Switch 2. Um pesquisador, Sammy Hajhamid, conhecido como pepsipu, revelou que é possível executar código não autorizado em componentes internos do console sem alterar o aparelho, a partir de uma falha no aplicativo SmileBASIC 4 que atravessou a retrocompatibilidade e chegou ao serviço de arquivos. O avanço é real, mas tem medida: ele não entrega as chaves que protegem o sistema nem o núcleo que comanda tudo, e depende de um computador auxiliar a cada reinicializ
Switch 2 ganha primeiro jailbreak por software, mas limites para emulação e pirataria seguem
O acesso para no FS: o kernel e as chaves seguem fora do alcance
Então o Switch 2 foi "destravado"? É isso que o ns2jb significa?
Não exatamente. É um jailbreak por software, sem chip e sem mexer no hardware, mas o acesso para no FS, o gerenciador de arquivos. Não chega ao kernel.
E por que o SmileBASIC 4 entra nisso?
É a porta de entrada. Um app antigo do Switch original, já fora da eShop, que roda no Switch 2 por retrocompatibilidade. A falha nele leva à do FS.
Vale separar o que foi mostrado do que foi alegado. O vídeo com Cinnamoroll, Miku e Peter Griffin no Mario Kart World é uma demonstração. Já a possibilidade de homebrew, modificar jogos e copiar saves é o que o pesquisador relata. O que foi publicado é mais limitado: pequenas funções no serviço de arquivos.
E a falha no FS é nova?
Segundo Mike Heskin, o hexkyz, ela já era conhecida e chegou a estar no Atmosphère, mas era considerada inviável. O novo foi a maneira de organizar dados na memória para explorá-la.
Essa avaliação é dele, em análise no Discord. É de alguém bem qualificado, mas ainda é uma fonte só.
Dá para piratear jogos com isso?
Não foi demonstrado. Sem as chaves criptográficas e sem o kernel, há limites sérios.
E emulação no PC também não. O acesso aos arquivos pode ajudar a pesquisa, mas não resolve o trabalho de reproduzir o console.
E o computador auxiliar?
É tethered: precisa do computador e repetir o processo a cada reinicialização. Heskin acha teoricamente possível dispensá-lo.
"Teoricamente" é a palavra-chave. Ninguém mostrou isso ainda.
The Pulse
- Uma falha antiga no SmileBASIC 4 virou porta de entrada para o serviço de arquivos do Switch 2, na versão 23.0.1 do firmware.
- A demonstração em vídeo com personagens inesperados em Mario Kart World espalhou o método rapidamente entre entusiastas e pesquisadores.
- O acesso obtido alcança o nível mais alto possível dentro do userland, mas as camadas de proteção acima dele continuam de pé.
- Como o ns2jb é um tethered jailbreak, ele exige computador auxiliar e precisa ser refeito a cada reinicialização, o que segue como o principal gargalo.
- A próxima disputa é saber se outros aplicativos ou o navegador poderão substituir o computador, algo considerado possível, mas ainda não demonstrado.
Toda nova fronteira de segurança costuma nascer de uma fresta antiga, esquecida por tempo demais, e a exploração ns2jb mostra isso no Switch 2. Um pesquisador, Sammy Hajhamid, conhecido como pepsipu, revelou que é possível executar código não autorizado em componentes internos do console sem alterar o aparelho, a partir de uma falha no aplicativo SmileBASIC 4 que atravessou a retrocompatibilidade e chegou ao serviço de arquivos. O avanço é real, mas tem medida: ele não entrega as chaves que protegem o sistema nem o núcleo que comanda tudo, e depende de um computador auxiliar a cada reinicialização. Trata-se, portanto, de um passo técnico importante que ainda não cruzou a barreira decisiva.
Em Mario Kart World surgiram personagens que o jogo não traz de fábrica, como Cinnamoroll, Hatsune Miku e Peter Griffin. As imagens foram a vitrine pública de uma exploração chamada ns2jb, divulgada por Sammy Hajhamid, o pepsipu. Ela executa código não autorizado em componentes internos do Switch 2, sem chip extra e sem mexer no hardware, testada na versão 23.0.1 do firmware.
A cadeia começa no SmileBASIC 4, um aplicativo de programação do Switch original que deixou a eShop, mas ainda roda no sucessor. Uma falha nele abre caminho para uma segunda, no FS, o gerenciador de arquivos do sistema. O resultado é código com permissões acima das concedidas a jogos comuns. Segundo o pesquisador, isso permite rodar homebrew, modificar jogos, copiar dados salvos e estudar o console. O material liberado, porém, é mais modesto que o vídeo: verifica apenas a execução de pequenas funções no serviço de arquivos.
Mike Heskin, o hexkyz, da equipe do Atmosphère, colocou o achado em perspectiva. A falha no FS já era conhecida há tempo, mas era considerada inviável de explorar. Para ele, a verdadeira inovação foi a forma como a inteligência artificial usada por Hajhamid organizou dados na memória para tornar a falha aproveitável. Ele também traçou limites: o acesso ao FS revela códigos de jogos e módulos, mas não entrega as chaves criptográficas nem o kernel, que controla o núcleo do sistema.
Ainda há a limitação prática de ser um tethered jailbreak, que exige computador auxiliar e nova execução a cada reinicialização. Heskin acredita que outros aplicativos, ou até o navegador, poderiam alcançar a mesma falha, e que eliminar o computador é teoricamente possível, embora não demonstrado.
Para o desenvolvimento independente, a descoberta abre espaço para novas ferramentas e, quem sabe, emuladores no próprio console. Já a emulação de jogos exclusivos no PC não ganhou solução funcional. O mesmo vale para a pirataria: interferir no carregamento de programas não significa rodar cópias não autorizadas de jogos comerciais, e nenhuma ferramenta com esse fim foi demonstrada. A pergunta que fica é se alguém conseguirá dispensar o computador auxiliar.
Em Mario Kart World, apareceram personagens que o jogo não traz de fábrica: Cinnamoroll, Hatsune Miku e Peter Griffin. As imagens foram a demonstração pública de uma exploração batizada de ns2jb, publicada pelo pesquisador Sammy Hajhamid, conhecido como "pepsipu". Segundo os detalhes divulgados, ela permite executar código não autorizado em componentes internos do Switch 2 sem chip instalado e sem nenhuma alteração física no aparelho. A prova de conceito foi feita na versão 23.0.1 do firmware.
A cadeia começa no SmileBASIC 4, aplicativo de programação do Switch original que já saiu da Nintendo eShop, mas roda no sucessor graças à retrocompatibilidade. Uma falha nele serve de porta de entrada. Dali, o pesquisador explora uma segunda vulnerabilidade, no FS, o componente que gerencia os arquivos do sistema. O resultado é código rodando com permissões acima das concedidas a jogos e aplicativos comuns, o que ultrapassa parte das restrições do ambiente chamado userland.
Segundo o pesquisador, isso abre caminho para executar programas independentes (homebrew), modificar jogos, copiar dados salvos e estudar o funcionamento interno do console. O material liberado ao público, porém, é mais modesto que a demonstração em vídeo: apenas verifica a execução de pequenas funções dentro do serviço de arquivos.
Quem colocou a descoberta em perspectiva foi Mike Heskin, o hexkyz, pesquisador de segurança da equipe do Atmosphère. Em análise compartilhada no Discord, ele explicou que a falha no FS já era conhecida havia bastante tempo e chegou a estar presente no projeto, mas era vista como inviável de explorar. Para ele, a contribuição mais inovadora da inteligência artificial usada por Hajhamid foi a forma de organizar e manipular dados na memória para tornar essa falha aproveitável.
Heskin também delimitou o alcance. Com acesso ao FS é possível extrair códigos de jogos, aplicativos e alguns módulos do sistema para análise. Isso não entrega as chaves criptográficas de segurança do console, nem dá acesso automático ao kernel, que controla as funções centrais do sistema operacional. Segundo ele, comprometer o FS é o nível mais alto de acesso possível dentro do userland, mas as camadas de proteção acima dele seguem como obstáculo.
Há ainda uma limitação prática: o ns2jb é um tethered jailbreak. Ele depende de um computador auxiliar e precisa ser executado de novo a cada reinicialização do console. Heskin observa que o SmileBASIC 4 é só uma das entradas possíveis para a falha no FS, que poderia ser alcançada por outros aplicativos ou até pelo navegador. Ele considera teoricamente possível eliminar a dependência do computador, embora isso não tenha sido demonstrado.
Para a comunidade de desenvolvimento independente, a descoberta abre espaço para novas ferramentas e programas, incluindo futuros emuladores rodando no próprio Switch 2. O acesso aos arquivos internos também pode ajudar nas pesquisas de emulação do console em computadores, mas não resolve os desafios de reproduzir seu funcionamento em outra plataforma. Até agora, o ns2jb não mostrou solução funcional para emular jogos exclusivos do Switch 2 no PC.
O mesmo cuidado vale para a pirataria. A exploração permite interferir em mecanismos de carregamento de programas, mas isso não significa instalar e executar livremente cópias não autorizadas de jogos comerciais. Nenhuma ferramenta funcional com essa finalidade foi demonstrada, e a ausência de kernel e de chaves de segurança mantém limites importantes. O ponto a observar daqui em diante é se alguém conseguirá dispensar o computador auxiliar.
Notable Quotes
A falha no FS já era conhecida e chegou a estar no Atmosphère, mas era vista como inviável; a novidade foi a organização dos dados na memória.— Mike Heskin (hexkyz), pesquisador de segurança do Atmosphère