Na noite de 28 de agosto, Roseany Lima e Wallace Oliveira foram mortos a tiros enquanto trabalhavam em seu trailer de comidas no bairro Novo Mondubim, em Fortaleza — não porque fossem alvos, mas porque o acaso e o erro humano os colocaram no caminho de uma violência que não lhes pertencia. Um suspeito preso confessou que o casal foi confundido com outra pessoa, vítima de uma retaliação do tráfico por uma denúncia feita dias antes. Três filhos ficaram órfãos, e a cidade se vê diante de uma tragédia que revela como a violência organizada pode ceifar vidas completamente alheias aos seus próprios
Suspeito diz que casal morto em Fortaleza foi vítima de engano
A gente não consegue nem encontrar forças para pensar
Então o que o Gabriel está dizendo é que mataram a pessoa errada? Completamente errada?
Segundo ele, sim. Wallace não era o alvo. O alvo era outro homem que tinha denunciado uma mulher com dinheiro do tráfico. Gabriel viu as fotos das vítimas depois e teve certeza do engano.
Mas isso é só o que Gabriel diz. Victor nega ser o atirador. E a gente não sabe quem é o terceiro suspeito ou o que ele alega. Temos a versão de um dos acusados, não necessariamente a verdade.
E como é que um crime assim é encomendado? De onde vem a ordem?
De um número em São Paulo. Alguém ligou para Gabriel com uma foto do alvo e R$ 200 para entregar uma arma. Tudo muito organizado, muito profissional.
Mas ninguém foi preso em São Paulo. Ninguém foi identificado. Temos uma ligação, uma foto, um pagamento — mas o comando do crime está em aberto.
E a mulher com os R$ 70 mil? Ela foi presa? Liberada?
Gabriel diz que foi liberada depois que R$ 20 mil foram pagos aos policiais militares. Mas isso é uma acusação grave contra a polícia. Não há confirmação disso.
Exatamente. Gabriel está acusando policiais de corrupção, mas não há investigação confirmada disso nos documentos que temos. É uma alegação dentro de um depoimento de um suspeito de homicídio.
Então o casal morreu por estar no lugar errado na hora errada?
Parece que sim. Roseany entrou na frente do atirador, segundo Gabriel. Puro acaso.
Ou Gabriel está mentindo para parecer menos culpado. Ou está protegendo alguém. Não sabemos.
Le Pouls
- Um casal de comerciantes foi assassinado a tiros enquanto trabalhava, deixando três filhos e um bairro inteiro em choque.
- O suspeito preso revelou que Wallace foi morto por engano — confundido com o verdadeiro alvo — e que Roseany foi atingida por estar no lugar errado na hora errada.
- Por trás do crime há uma cadeia de retaliação do tráfico: o alvo real havia denunciado uma mulher com R$ 70 mil em dinheiro ilícito, e a morte foi encomendada por um contato em São Paulo.
- Três suspeitos foram presos e indiciados por homicídio e integração em organização criminosa, com o inquérito já encaminhado à Justiça.
- O caso expõe como estruturas criminosas operam à distância — com ordens vindas de outro estado, armas entregues por R$ 200 e vidas ceifadas por engano.
Na noite de 28 de agosto, Roseany Lima e Wallace Oliveira foram mortos a tiros enquanto trabalhavam em seu trailer de comidas no bairro Novo Mondubim, em Fortaleza — não porque fossem alvos, mas porque o acaso e o erro humano os colocaram no caminho de uma violência que não lhes pertencia. Um suspeito preso confessou que o casal foi confundido com outra pessoa, vítima de uma retaliação do tráfico por uma denúncia feita dias antes. Três filhos ficaram órfãos, e a cidade se vê diante de uma tragédia que revela como a violência organizada pode ceifar vidas completamente alheias aos seus próprios conflitos.
Na noite de 28 de agosto, Roseany Lima, 48 anos, e Wallace Oliveira, 46, trabalhavam como de costume no trailer de comidas que operavam no bairro Novo Mondubim, em Fortaleza. Dois tiros os mataram ali mesmo. Deixaram três filhos — o mais velho, de 19 anos, recém-ingressado no curso de medicina.
Duas semanas depois, a polícia prendeu Gabriel Soares de Freitas, 24 anos, um dos três suspeitos. Em depoimento, ele revelou o que redefiniu toda a tragédia: o casal não era o alvo. Wallace foi morto por engano, confundido com outra pessoa. Roseany entrou na frente do atirador por acaso e também foi atingida.
Segundo Gabriel, ele recebeu uma ligação de São Paulo com uma proposta: buscar uma arma e entregá-la a Victor Rodrigues Freire, de 27 anos, apontado pela polícia como o atirador. Gabriel recebeu R$ 200 pela entrega. Passou pela praça onde o alvo deveria estar, viu alguém que parecia corresponder à foto recebida e mandou a localização. Só depois, ao ver as fotos das vítimas nas redes sociais, percebeu que tinham matado as pessoas erradas.
O verdadeiro alvo havia denunciado à polícia uma mulher que carregava R$ 70 mil em dinheiro do tráfico. A morte foi encomendada como retaliação por essa denúncia. Victor, capturado no bairro Aracapé, nega ter atirado — diz que apenas conduzia a moto e que nunca recebeu os R$ 5 mil prometidos. A Secretaria da Segurança Pública sustenta que as provas apontam para ele como o atirador. Um terceiro suspeito, de 27 anos, também foi preso.
Os três foram indiciados por homicídio e integração em organização criminosa. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Judiciário e ao Ministério Público do Ceará. No bairro, Roseany e Wallace são lembrados como trabalhadores dedicados e muito família. O primo de Roseany resumiu a dor coletiva: 'A gente não consegue nem encontrar forças para pensar no que pode ter sido.'
Na noite de 28 de agosto, Roseany Lima e Wallace Oliveira estavam trabalhando como faziam todas as noites — preparando pedidos de clientes no trailer de comidas que operavam no bairro Novo Mondubim, em Fortaleza. Dois tiros os mataram ali mesmo, enquanto trabalhavam. Roseany tinha 48 anos. Wallace tinha 46. Deixaram três filhos, o mais velho com 19 anos, recém-ingressado em medicina.
Duas semanas depois, a polícia prendeu Gabriel Soares de Freitas, de 24 anos, um dos três suspeitos envolvidos no crime. No depoimento, Gabriel contou uma história que redefine o que aconteceu naquela noite: o casal não era o alvo. Ele afirmou que Wallace Oliveira foi morto por engano — que alguém o confundiu com outra pessoa. Quanto a Roseany, Gabriel disse que ela simplesmente entrou na frente do atirador e foi atingida também.
Segundo o relato de Gabriel à polícia, ele recebeu uma ligação de um número em São Paulo com uma proposta: buscar uma arma perto de um supermercado no bairro Jangurussu e entregar a Victor Rodrigues Freire, de 27 anos, que seria o atirador. Gabriel recebeu R$ 200 pela entrega. Junto com a proposta, veio uma foto do homem que deveria morrer. Gabriel passou pela praça onde o alvo estava e, vendo alguém que parecia corresponder à foto, mandou a localização para Victor. Depois, viu as fotos das vítimas nas redes sociais e teve certeza de que tinham matado a pessoa errada.
O verdadeiro alvo, conforme Gabriel contou, tinha cometido um crime que o levou à morte: dias antes, uma mulher estava com R$ 70 mil em espécie — dinheiro do tráfico de drogas — na mesa do trailer. O homem denunciou a mulher à polícia. Quando uma equipe policial chegou, Gabriel disse que R$ 20 mil foram repassados aos policiais militares para liberarem a mulher. A morte foi encomendada como retaliação por essa denúncia.
Victor Rodrigues Freire foi capturado no bairro Aracapé. A polícia o identifica como o atirador, embora ele negue. Victor afirma que recebeu uma proposta de R$ 5 mil para participar do crime, mas diz que apenas conduzia a moto e que nunca recebeu o dinheiro. A Secretaria da Segurança Pública, porém, sustenta que o conjunto de provas aponta que ele foi quem disparou. Um terceiro suspeito, de 27 anos, foi capturado no sábado anterior; sua identidade não foi divulgada.
Os três foram indiciados pelos crimes de homicídio e de integrar organização criminosa. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público do Estado do Ceará. A investigação segue em andamento, mas a polícia considera o caso estruturado o suficiente para avançar.
Roseany e Wallace eram conhecidos e queridos no bairro. Além do trailer que operavam à noite, já tinham trabalhado com transporte escolar. Clientes lembram da atenção de Roseany com as crianças. O primo de Roseany, Júnior Vidal, descreveu o casal como muito família e muito trabalhador. "A gente não consegue nem encontrar forças para pensar no que pode ter sido", disse ele em entrevista. A associação de moradores do bairro se manifestou com pesar. Nas redes sociais, amigos destacaram a parceria do casal e como viveram e amaram intensamente. Agora, três filhos crescem sem eles.
Citations marquantes
A gente não consegue nem encontrar forças para pensar no que pode ter sido— Júnior Vidal, primo de Roseany Lima
Gabriel disse que recebeu uma proposta de um número de São Paulo para buscar uma arma e entregar a Victor— Relato policial do depoimento de Gabriel Soares de Freitas