Susana André: Uma vida dedicada ao jornalismo e à descoberta do mundo

A realidade é sempre mais surpreendente do que a ficção
Reflexão de Susana André sobre o que aprendeu em duas décadas de jornalismo internacional.
Mark

O que a fez começar tão cedo, com uma escova de cabelo como microfone?

Mimi

Acho que era a necessidade de contar histórias, de fazer perguntas. Não havia diferença entre brincar e trabalhar — era tudo a mesma coisa.

Mark

E quando chegou à SIC em 1995, o que encontrou?

Mimi

Um lugar onde o jornalismo era feito com as mãos, literalmente. Cassetes, corridas entre salas, entrega de peças em mão. Era caótico e perfeito ao mesmo tempo.

Mark

Passou por vários programas antes de chegar ao Internacional. O que mudou quando começou a viajar?

Mimi

Tudo. Deixei de contar histórias sobre o mundo e passei a estar dentro delas. Angola, Gaza, a Venezuela — cada lugar me mostrou algo que nenhuma reportagem de estúdio conseguiria transmitir.

Mark

Há pessoas que ficam marcadas por esses encontros?

Mimi

Sim. As pessoas que conheci nessas viagens vão comigo para sempre. Não é só informação que se recolhe — é humanidade.

Mark

E agora, depois de tudo isto?

Mimi

Confirmei o que sempre suspeitei: a realidade é sempre mais estranha e mais bela do que qualquer coisa que possamos inventar.

  • Uma vocação nascida na infância — entre noites no Alentejo e viagens de interrail — transformou-se numa carreira de três décadas no jornalismo televisivo português.
  • A SIC de 1995 era um lugar quase artesanal, onde cassetes circulavam à mão e equipas estrangeiras visitavam Carnaxide como se vissem um milagre funcionar.
  • Após anos como pivô e na equipa de Grande Reportagem, Susana André encontrou na editoria de Internacional o espaço onde jornalismo e mundo se fundiram de forma plena.
  • De Angola a Gaza, da Venezuela à Hungria, cada reportagem confirmou a sua convicção mais funda: a realidade observada de perto supera sempre a ficção mais elaborada.

Há carreiras que parecem inevitáveis — como se a pessoa tivesse nascido já a caminho delas. Susana André começou a entrevistar familiares com uma escova de cabelo e, décadas depois, encontra-se a cobrir conflitos e crises em quatro continentes pela SIC Notícias. A sua trajetória, de pivô a correspondente internacional desde 1995, é o retrato de uma jornalista para quem o mundo real sempre foi mais vasto e mais surpreendente do que qualquer história inventada.

Susana André não escolheu o jornalismo — reconheceu-o. Ainda criança, entrevistava familiares com uma escova de cabelo à mesa de jantar, e passava noites na propriedade da avó no Alentejo a ouvir histórias que pareciam de outro mundo. Aos 18 anos, comprou um bilhete de interrail e partiu pela Europa com uma certeza simples: queria compreender o que acontecia além de Portugal.

Essa curiosidade levou-a primeiro à rádio e depois à SIC em 1995, numa época em que o jornalismo televisivo funcionava de forma quase artesanal — imagens em cassetes, reportagens entregues em mão, e equipas estrangeiras que visitavam Carnaxide admiradas por tudo funcionar. André passou pelo Primeiro Jornal, pelo Jornal da Noite, pelas equipas de fim de semana e pela Edição da Noite da SIC Notícias, tendo sido pivô durante cinco anos. Entre 2004 e 2010, integrou a equipa de Grande Reportagem, aprofundando o jornalismo que sempre a interessou.

Nos últimos sete anos, já na editoria de Internacional, fez aquilo que sempre desejou: juntar o jornalismo com o mundo, literalmente. Viajou para Angola, Venezuela, Etiópia, Turquia, Jordânia, Hungria, Polónia, Alemanha, Israel, Gaza e territórios palestinianos. Cada viagem foi uma confirmação do que suspeitava desde criança — que a realidade, quando observada de perto, é sempre mais surpreendente do que qualquer ficção. O jornalismo revelou-se, afinal, o lugar perfeito para essa descoberta sem fim.

Há uma certa magia em começar. Susana André começou com uma escova de cabelo como microfone, entrevistando familiares à mesa de jantar, e depois com um microfone de plástico, transformando refeições em sessões de jornalismo improvisado. Antes disso, havia as noites passadas na propriedade da avó no Alentejo, sob o céu estrelado, ouvindo histórias que pareciam saídas de outro mundo. Aos 18 anos, comprou um bilhete de interrail e partiu pela Europa, movida por uma certeza simples: queria ser jornalista e queria compreender o que acontecia além das fronteiras de Portugal.

Essa curiosidade a levou primeiro à rádio, depois à SIC em 1995, numa época em que o jornalismo televisivo funcionava de forma quase artesanal. As imagens eram guardadas em cassetes. Os jornalistas corriam entre as salas de edição e a central de notícias para entregar as reportagens em mão. Equipas estrangeiras visitavam as instalações de Carnaxide para ver como era possível produzir jornais daquela forma — como se fosse milagre que tudo funcionasse. André passou pelo Primeiro Jornal, pelo Jornal da Noite, pelas equipas de fim de semana e pela Edição da Noite da SIC Notícias. Durante cinco anos foi pivô, apresentando também o Programa Rotas de Verão. Entre 2004 e 2010, integrou a equipa de Grande Reportagem, aprofundando o tipo de jornalismo que a interessava.

Os últimos sete anos marcaram uma mudança significativa. Na editoria de Internacional, conseguiu fazer aquilo que sempre desejou: juntar o jornalismo com o mundo, literalmente. Viajou para Angola, Venezuela, Etiópia, Turquia, Guiné-Bissau, Jordânia, Hungria, Polónia, Alemanha, Israel, Gaza e territórios palestinianos, produzindo grandes reportagens que a colocaram frente a frente com realidades complexas e pessoas cujas histórias a marcaram permanentemente. Cada viagem foi uma confirmação de algo que suspeitava desde criança: que a realidade, quando observada de perto, é sempre mais surpreendente do que qualquer ficção que alguém pudesse inventar. O jornalismo, afinal, revelou-se o lugar perfeito para essa descoberta contínua.

O jornalismo é o lugar perfeito para constatar que a realidade é sempre mais surpreendente do que a ficção
— Susana André
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