SUS retoma duas doses de reforço da vacina contra pólio a partir de agosto

A pólio está controlada entre nós, mas o mundo preocupa
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações explica por que o Brasil retoma dois reforços vacinais.

O esquema vacinal retorna a cinco doses totais: três iniciais aos 2, 4 e 6 meses, mais reforços aos 15 meses e 4 anos, todas com vacina inativada injetável. A mudança foi motivada por surtos localizados de pólio no mundo e alinha o Brasil ao padrão da Organização Mundial de Saúde, mantendo proteção elevada contra a doença.

  • Esquema retorna a cinco doses: três iniciais aos 2, 4 e 6 meses, mais reforços aos 15 meses e 4 anos
  • Todas as doses serão com vacina injetável, eliminando o risco raro de mutação da vacina oral
  • Mudança entra em vigor em 3 de agosto de 2026
  • Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos, mas surtos localizados no mundo aumentam risco

A partir de agosto, o SUS volta a aplicar duas doses de reforço da vacina contra poliomielite em crianças de 4 anos, utilizando exclusivamente a vacina injetável para evitar riscos raros de mutação viral.

A partir de agosto, o Brasil muda novamente sua estratégia de proteção contra a poliomielite. O Sistema Único de Saúde voltará a aplicar duas doses de reforço da vacina, retornando a um esquema que havia sido interrompido em 2024, mas agora com uma diferença importante: todas as cinco doses serão feitas com a vacina injetável, aquela que usa o vírus inativado.

Até 2024, as crianças recebiam três doses iniciais da vacina injetável aos 2, 4 e 6 meses de vida. Depois vinham dois reforços: um aos 15 meses e outro aos 4 anos. Mas naquele segundo reforço, o governo havia trocado para a vacina oral, a famosa gotinha com vírus enfraquecido. A razão para essa mudança agora é simples, ainda que rara: em situações muito específicas, o vírus atenuado da vacina oral pode sofrer mutações e provocar a própria doença que deveria prevenir. Por isso, o Ministério da Saúde decidiu eliminar esse risco e usar apenas a vacina injetável em todas as ocasiões.

O novo esquema, que entra em vigor no dia 3 de agosto, funciona assim: três doses aos 2, 4 e 6 meses para conferir a proteção básica, seguidas por duas doses de reforço aos 15 meses e aos 4 anos de idade. Todas com a vacina inativada injetável. Qualquer criança menor de 5 anos que não tenha recebido as cinco doses deve ser levada a um posto de saúde para verificar se precisa se atualizar.

A decisão foi tomada pela Câmara Técnica Assessora em Imunizações e comunicada pelo Programa Nacional de Imunizações em uma nota técnica na semana anterior ao anúncio. Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que os reforços são necessários porque a proteção oferecida pela vacina diminui com o tempo. As doses adicionais garantem que essa proteção permaneça em níveis altos.

Mas por que voltar agora a dois reforços? A resposta está no cenário global. Embora a poliomielite esteja controlada no Brasil há 37 anos — o país recebeu em 1994 o certificado de área livre de circulação do vírus — o mundo apresenta surtos localizados que preocupam. Ballalai aponta que essa situação internacional aumenta o risco de o vírus chegar novamente ao país. "A pólio está controlada entre nós. No entanto, a situação mundial vem apresentando surtos localizados que preocupam e aumentam o risco de chegar ao país. Então é melhor manter o esquema de dois reforços. Este é o padrão da Organização Mundial de Saúde", afirma.

A vacina é recomendada para menores de 5 anos porque essa faixa etária corre maior risco de desenvolver quadros graves após a infecção pelo vírus. Em situações de surto, porém, adultos também podem ser vacinados. O Brasil não registra casos de poliomielite há quase quatro décadas, mas o vírus ainda circula em alguns países. A vacinação permanece como a única forma de prevenir a doença e evitar que ela volte a causar os surtos devastadores do passado.

A pólio está controlada entre nós. No entanto, a situação mundial vem apresentando surtos localizados que preocupam e aumentam o risco de chegar ao país. Então é melhor manter o esquema de dois reforços. Este é o padrão da Organização Mundial de Saúde.
— Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o Brasil decidiu abandonar a vacina oral se ela funcionava há tanto tempo?

Model

O risco era raro, mas real. Em situações muito específicas, o vírus enfraquecido da gotinha pode sofrer mutações e provocar a própria doença. Com a vacina injetável, esse risco não existe.

Inventor

Mas se o Brasil está livre da pólio há 37 anos, por que aumentar o número de doses agora?

Model

Porque o mundo não está livre. Há surtos localizados em alguns países, e quanto mais pessoas vacinadas e protegidas, menor a chance do vírus entrar aqui novamente.

Inventor

Qual é o padrão internacional que o Brasil está seguindo?

Model

A Organização Mundial de Saúde recomenda exatamente esse esquema: três doses iniciais e dois reforços. O Brasil estava fora desse padrão quando usava a vacina oral no segundo reforço.

Inventor

Quem precisa se preocupar com essa mudança?

Model

Principalmente pais de crianças menores de 5 anos que não completaram as cinco doses. Eles devem levar os filhos ao posto de saúde para verificar se precisam se atualizar.

Inventor

E se uma criança já recebeu a vacina oral no reforço anterior?

Model

Ela ainda precisa receber a dose injetável de reforço aos 4 anos, conforme o novo esquema. A proteção precisa ser mantida em níveis altos.

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