Suprema Corte dos EUA autoriza deportações para países terceiros sem direito de defesa

Mais de 25 mil migrantes foram deportados para 29 países, com relatos de espancamentos, agressões sexuais, detenções e desaparecimentos, além de transferências ilegais de volta aos países de origem.
Deportados para países onde os EUA aconselha seus cidadãos a não ir
Migrantes foram enviados para o Sudão do Sul e outros países com conflito armado e criminalidade generalizada.
Mark

Por que a Suprema Corte permitiu isso? Qual foi o argumento legal?

Mimi

A corte suspendeu a ordem de um juiz que havia dito que a política violava o devido processo legal — basicamente, o direito de ser ouvido antes de ser deportado. O governo argumentou que precisava dessa ferramenta para remover criminosos perigosos rapidamente.

Luke

Mas o juiz Murphy encontrou evidências de que a política estava atingindo pessoas que não eram criminosas, certo? Pessoas que já tinham proteção legal?

Mimi

Sim. Ele descobriu que o governo estava violando suas próprias ordens repetidamente. E há relatos de pessoas sendo espancadas, desaparecendo, sendo enviadas ilegalmente de volta aos países dos quais os EUA as havia protegido.

Mark

Então qual é o risco real aqui?

Mimi

Mais de 25 mil pessoas já foram deportadas para 29 países sob essa política. Alguns desses países — Sudão do Sul, por exemplo — têm conflito armado ativo e criminalidade generalizada.

Luke

Mas precisamos ser claros: esses relatos de abuso vêm de onde? Quantos casos documentados existem? A ação judicial menciona "relatos", mas não especifica números.

Mimi

Você tem razão. Os documentos da ação judicial descrevem padrões — espancamentos, agressões sexuais, detenções — mas não fornecem um levantamento sistemático de quantos casos ocorreram.

Mark

E quanto às crianças e pessoas vulneráveis que a ONU mencionou?

Mimi

A ONU enviou cartas dizendo que crianças, mulheres, pessoas LGBT e vítimas de tráfico estão em risco elevado, mas como Luke apontou, eles não documentaram casos individuais na carta.

Luke

Então temos uma política que afeta 25 mil pessoas, com relatos de abuso, mas sem um levantamento público claro de quantos foram prejudicados ou como. Isso é importante para entender a escala real do problema.

Mimi

É verdade. O que sabemos é que a Suprema Corte removeu a proteção legal que Murphy havia criado, então a política pode continuar sem essas restrições.

  • Suprema Corte autoriza deportações para países terceiros sem direito de defesa em 29 de setembro de 2026
  • Mais de 25 mil migrantes deportados para 29 países em 2025
  • Juiz Murphy havia considerado a política inconstitucional; Suprema Corte suspendeu sua ordem
  • Destinos incluem Sudão do Sul, Uganda, Guiné Equatorial, Libéria e República Centro-Africana

A decisão suspende ordem de juiz que considerava a política ilegal e viola garantias de devido processo legal da Constituição americana. Migrantes foram enviados para países como Sudão do Sul, Uganda e Guiné Equatorial, alguns com histórico de criminalidade, sequestro e conflito armado.

A Suprema Corte dos EUA aprovou que o governo Trump retome deportações de migrantes para países que não são sua terra natal, sem oferecer oportunidade de demonstrar riscos. Mais de 25 mil migrantes foram deportados para 29 países sob essa política em 2025.

Na terça-feira 29 de setembro, a Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou o governo Trump a retomar uma prática que havia sido suspensa por um juiz federal: deportar migrantes para países que não são seus países de origem, sem lhes dar oportunidade de demonstrar que enfrentariam perseguição ou tortura nesses destinos. A decisão derrubou uma ordem do juiz distrital Brian Murphy, de Boston, que havia considerado a política inconstitucional.

A política funciona assim: o Departamento de Segurança Interna identifica migrantes que não podem ser devolvidos aos seus países de origem — frequentemente porque já receberam alguma forma de proteção legal dos EUA — e os envia para um terceiro país. Se esse país terceiro forneceu garantias diplomáticas de que não perseguirá nem torturará os deportados, a remoção pode ocorrer sem aviso prévio. Se não forneceu tais garantias, o migrante é informado do destino, mas as autoridades americanas só avaliam o risco de perseguição ou tortura se o próprio indivíduo levantar a questão. Em nenhum dos casos há uma audiência formal onde a pessoa possa apresentar sua defesa.

Desde que foi implementada em 2025, a política resultou na deportação de mais de 25 mil migrantes para 29 países diferentes. A grande maioria foi enviada para o México, mas os registros mostram que pessoas também foram removidas para o Sudão do Sul — um país que o próprio Departamento de Estado americano aconselha cidadãos americanos a evitar devido aos riscos de criminalidade, sequestro e conflito armado — além de Uganda, Guiné Equatorial, Libéria e República Centro-Africana.

O caso começou quando grupos de defesa dos direitos dos imigrantes entraram com uma ação coletiva em nome de migrantes que enfrentavam remoção. Em fevereiro deste ano, o juiz Murphy decidiu que a política violava a lei de imigração e a Quinta Emenda da Constituição, que garante o devido processo legal — basicamente, o direito de ser notificado e ter oportunidade de ser ouvido antes que o governo tome medidas adversas contra você. Murphy descobriu que o governo havia violado suas próprias ordens repetidamente, inclusive tentando enviar um grupo de migrantes para o Sudão do Sul apesar de uma ordem específica proibindo isso.

O Departamento de Justiça pediu à Suprema Corte que suspendesse a decisão de Murphy, argumentando que as deportações para países terceiros são "uma ferramenta essencial" para remover estrangeiros, incluindo criminosos perigosos. A Suprema Corte concordou, primeiro suspendendo a ordem preliminar de Murphy e depois revogando as restrições que ele havia imposto especificamente para proteger migrantes de serem enviados ao Sudão do Sul.

Mas os críticos — incluindo o próprio juiz Murphy — apontam que a política não atinge apenas criminosos. Ela também afeta migrantes que já haviam obtido proteção legal contra deportação para seus países de origem. De acordo com os documentos da ação judicial, a política resultou em transferências ilegais de pessoas de volta aos seus países de origem por parte de países terceiros, bem como em relatos de espancamentos, agressões sexuais, detenções e desaparecimentos. Os autores da ação argumentam que o governo está ignorando "os danos significativos decorrentes da deportação de milhares de residentes de longa data dos EUA — muitos sem antecedentes criminais."

Em resposta, mais de uma dúzia de especialistas em direitos humanos da ONU enviaram cartas ao governo americano na semana passada, pedindo a suspensão de políticas que, segundo afirmaram, expõem migrantes a risco elevado de abuso. Eles destacaram que crianças, mulheres, pessoas com deficiência, vítimas de tráfico de pessoas, pessoas LGBT, defensores de direitos humanos e apátridas estão entre os mais vulneráveis. A decisão da Suprema Corte remove uma barreira legal significativa para que o governo continue e potencialmente expanda essas deportações.

As deportações para países terceiros são uma ferramenta essencial para remover certos estrangeiros, incluindo alguns dos criminosos estrangeiros mais perigosos
— Departamento de Justiça dos EUA
Crianças, mulheres, pessoas com deficiência, vítimas de tráfico de pessoas, pessoas LGBT, defensores de direitos humanos, apátridas e outras pessoas em situações de extrema vulnerabilidade estão em maior risco
— Especialistas em direitos humanos da ONU
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