Suplicy, fundador do PT aos 81 anos, entregou proposta rejeitada há dez dias e acusou Mercadante de não o convidar para reunião de diretrizes. Mercadante respondeu que renda básica já consta genericamente no programa e que 51 propostas serão discutidas democraticamente no momento oportuno.
Suplicy interrompe evento de Lula e cobra renda básica 'enquanto vivo'
Continuarei trabalhando para que instituam a renda básica enquanto eu estiver vivo
Por que Suplicy interrompeu o evento? Parecia uma ação planejada ou foi um impulso?
Ele havia enviado a proposta por e-mail dez dias antes e não recebeu resposta. Não foi convidado para a reunião. Aos 81 anos, no seu aniversário, decidiu ir mesmo assim e confrontar Mercadante.
Mas a renda básica já estava no programa, certo? Mercadante mostrou isso no documento.
Sim, mas como uma menção genérica. Suplicy queria que sua proposta específica fosse considerada, não apenas uma frase sobre "transição para um sistema universal".
E como Lula reagiu?
Apoiou Suplicy completamente. Disse que ele merecia um Prêmio Nobel e prometeu implementar a renda básica se eleito.
Mas Mercadante deixou claro que havia 51 propostas na fila e que tudo seria discutido democraticamente. Isso significa que a promessa de Lula pode não se traduzir em prioridade real.
Exatamente. Suplicy conseguiu o apoio moral, mas não garantias concretas sobre quando ou como sua proposta seria implementada.
Qual é a importância histórica de Suplicy nesse debate?
Ele lutou pela renda básica durante 40 anos, viu a lei ser aprovada no governo Lula anterior, e agora quer garantir que não seja esquecida.
E a questão do convite? Mercadante disse que não conseguiu acompanhar todos os convites por causa do tamanho do plenário.
Verdade, mas para alguém como Suplicy, fundador do PT, não ser convidado para uma reunião sobre diretrizes de governo é uma mensagem, independentemente da desculpa.
Der Puls
- Eduardo Suplicy, fundador do PT, interrompeu reunião de campanha de Lula em 21 de junho
- Suplicy havia enviado proposta de renda básica por e-mail há dez dias e não foi convidado para o evento
- Mercadante respondeu que havia 51 propostas em discussão e que a renda básica já constava genericamente no programa
- Lula apoiou Suplicy e prometeu implementar renda básica se eleito, reconhecendo 40 anos de dedicação
Suplicy, fundador do PT aos 81 anos, entregou proposta rejeitada há dez dias e acusou Mercadante de não o convidar para reunião de diretrizes. Mercadante respondeu que renda básica já consta genericamente no programa e que 51 propostas serão discutidas democraticamente no momento oportuno.
Ex-senador Eduardo Suplicy interrompeu evento de campanha de Lula para cobrar inclusão de proposta de renda básica de cidadania nas diretrizes do governo, criticando falta de convite e consideração.
Eduardo Suplicy entrou na reunião de campanha de Lula na terça-feira, 21 de junho, e não saiu discretamente. Aos 81 anos, no dia de seu aniversário, o ex-senador e fundador do PT interrompeu o evento para confrontar a coordenação sobre algo que o persegue há décadas: a renda básica de cidadania. Ele havia enviado sua proposta por e-mail dez dias antes. Ninguém a havia considerado. Pior ainda, ninguém o havia convidado para estar ali.
Suplicy entregou um papel com suas ideias diretamente a Aloizio Mercadante, ex-ministro que, como presidente da Fundação Perseu Abramo, coordena as diretrizes de governo da chapa Lula-Alckmin. O tom foi de quem se sente negligenciado por seu próprio partido. "Não fui convidado, mas hoje eu estou aqui, e continuarei trabalhando muito para que Lula e Alckmin instituam a renda básica de cidadania, enquanto eu estiver vivo ainda", disse, deixando claro que essa não era uma questão menor para ele.
Mercadante respondeu com a lógica da campanha em construção. Ele explicou que havia recebido 51 propostas diferentes e que a de Suplicy entraria na fila para discussão posterior. As diretrizes divulgadas naquele dia, segundo Mercadante, estabeleciam apenas as linhas gerais do programa. Havia uma menção genérica à renda básica de cidadania no documento — descrita como parte de um sistema universal que seria implementado por etapas, com cobertura crescente. Mas Suplicy queria mais do que uma menção genérica. Queria que sua proposta específica fosse reconhecida e incorporada.
O confronto revelou uma tensão real dentro da coligação. Mercadante argumentou que Suplicy havia cometido "duas graves injustiças" ao sugerir que sua proposta havia sido ignorada, quando na verdade constava do programa. Mas também reconheceu que Suplicy, com 42 anos de filiação ao PT, merecia ser tratado "com toda a deferência". A resposta era diplomática, mas o pano de fundo era claro: havia muitas vozes pedindo espaço, e nem todas caberiam nas prioridades finais.
O que transformou o momento foi a reação de quem estava à mesa. Geraldo Alckmin, o vice na chapa, foi o único que aplaudiu Suplicy enquanto ele falava. Alckmin havia anunciado momentos antes que era aniversário do ex-senador e o chamou de "lutador histórico pela renda de cidadania". Lula, por sua vez, disse que Suplicy estava correto em fazer a reclamação. O ex-presidente foi além: afirmou que se Suplicy não fosse brasileiro, teria ganhado um Prêmio Nobel "umas dez vezes" por sua dedicação de 40 anos ao tema. Lula também parabenizou Mercadante e sua equipe por terem incluído a questão da renda básica no programa e prometeu implementá-la se eleito.
O episódio capturou algo mais amplo sobre a campanha de 2022. Suplicy é uma figura histórica do PT, mas também é alguém cuja agenda específica — a renda básica de cidadania — não era necessariamente a prioridade central da coligação naquele momento. Ele havia lutado por isso durante décadas, vira a ideia ser aprovada por lei durante o governo Lula anterior, e agora, aos 81 anos, queria garantir que ela não fosse apenas uma menção genérica em um documento de campanha. Queria que fosse real, que fosse implementada.
O que ficou em aberto era se a promessa de Lula se converteria em ação concreta. Mercadante havia deixado claro que as prioridades seriam definidas através de um processo democrático envolvendo sete partidos da coligação. A renda básica estava no programa, mas como uma entre muitas propostas. Suplicy saiu daquela reunião tendo feito seu ponto, tendo sido reconhecido por Lula e Alckmin, mas sem garantias de que sua proposta específica seria a que prevaleceria quando chegasse o momento de governar.
Bemerkenswerte Zitate
Não fui convidado, mas hoje eu estou aqui, e continuarei trabalhando muito para que Lula e Alckmin instituam a renda básica de cidadania, enquanto eu estiver vivo ainda— Eduardo Suplicy
Se o Suplicy não fosse brasileiro, se fosse de outro país, a dedicação dele nesses 40 anos de querer a renda básica, ele teria ganhado um Prêmio Nobel umas dez vezes— Luiz Inácio Lula da Silva