Aos 82 anos, Eduardo Suplicy transformou um diagnóstico íntimo — o Mal de Parkinson — em argumento público, revelando que o tratamento com Cannabis medicinal lhe devolveu mobilidade e alívio que a medicina convencional sozinha não garantia. Ao tornar sua história pessoal visível, o deputado estadual paulista coloca em evidência uma contradição persistente: um medicamento que funciona para quem pode importá-lo permanece inacessível para quem depende do sistema público de saúde. A audiência pública convocada para esta terça-feira na Câmara dos Deputados recebe, assim, não apenas um político, mas
Suplicy anuncia diagnóstico de Parkinson e trata com Cannabis medicinal
Transformar diagnóstico pessoal em argumento para mudar a lei
Por que você decidiu falar sobre isso agora, publicamente?
Porque tenho uma plataforma e uma doença. Muitas pessoas não têm nenhuma das duas. Se meu diagnóstico pode ajudar a abrir portas para que outros tenham acesso a um medicamento que funciona, então vale a pena expor minha vida.
E o tratamento realmente funcionou para você?
Funcionou. A dor desapareceu, os tremores melhoraram. Mas isso não é o ponto principal. O ponto é que eu pude pagar por isso, pude importar, pude consultar especialistas. A maioria das pessoas não pode.
O SUS não oferece Cannabis medicinal?
Não oferece. E não oferece porque não há regulamentação clara. É um círculo vicioso — sem regulamentação, não há produção em larga escala; sem produção, não há como oferecer pelo SUS.
Você acha que sua história vai mudar alguma coisa?
Não sei. Mas uma audiência pública na Câmara é um começo. Se conseguir que uma pessoa a mais tenha acesso a esse tratamento, já valeu.
O Pulso
- Suplicy identificou os primeiros sinais — tremores, dores musculares e tropeços — apenas quando um geriatra os nomeou como estágio inicial do Parkinson, no final de 2022.
- Desde fevereiro, o deputado toma quinze gotas diárias de Cannabis importada e relata melhora significativa: a dor na perna desapareceu, os tremores recuaram e a caminhada ficou mais firme.
- O medicamento que o está ajudando não existe no SUS, criando um abismo entre quem pode pagar pela importação e quem depende de associações terapêuticas que precisam recorrer à Justiça para obter autorização.
- Ao revelar o diagnóstico publicamente, Suplicy converte uma vulnerabilidade pessoal em instrumento político, dando rosto humano a um debate que costuma se perder em abstrações legislativas.
- Uma audiência pública na Comissão de Legislação Participativa da Câmara, nesta terça-feira, recebe seu testemunho como pressão viva sobre a proposta de regulamentação do cultivo e distribuição de Cannabis no Brasil.
Aos 82 anos, Eduardo Suplicy transformou um diagnóstico íntimo — o Mal de Parkinson — em argumento público, revelando que o tratamento com Cannabis medicinal lhe devolveu mobilidade e alívio que a medicina convencional sozinha não garantia. Ao tornar sua história pessoal visível, o deputado estadual paulista coloca em evidência uma contradição persistente: um medicamento que funciona para quem pode importá-lo permanece inacessível para quem depende do sistema público de saúde. A audiência pública convocada para esta terça-feira na Câmara dos Deputados recebe, assim, não apenas um político, mas um paciente — e com ele, a urgência concreta de uma regulamentação que ainda não chegou.
Eduardo Suplicy tinha 82 anos quando os primeiros sinais apareceram: as mãos tremiam durante as refeições, a perna esquerda doía, e tropeços frequentes começaram a interromper sua rotina. Ele não reconheceu imediatamente o que estava acontecendo. Foi o geriatra Nelson Carvalhaes quem identificou o problema em estágio inicial, e conversas posteriores com a neurologista Luana Oliveira, do núcleo de Cannabis medicinal do Hospital Sírio-Libanês, ajudaram a confirmar o diagnóstico: Mal de Parkinson.
Em fevereiro de 2023, o deputado estadual paulista importou um frasco de Cannabis industrializada e iniciou o tratamento — cinco gotas pela manhã, cinco à tarde, cinco à noite — mantendo também o uso de Prolopa, medicamento convencional para a doença. Os resultados foram expressivos: a dor na perna desapareceu, os tremores diminuíram, e ele voltou a caminhar com mais segurança. Três vezes por semana, trabalha com uma personal trainer para sustentar a melhora.
A decisão de revelar o diagnóstico em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, não foi apenas um gesto de transparência pessoal. Suplicy é há anos um dos principais defensores da regulamentação da Cannabis medicinal no Brasil, e sua própria experiência agora empresta concretude a um debate que frequentemente permanece no campo das abstrações. O medicamento que o está ajudando não está disponível no SUS. Pacientes sem recursos financeiros dependem de associações terapêuticas que precisam recorrer à Justiça para conseguir autorização de uso — um labirinto que muitos não conseguem atravessar.
Nesta terça-feira, 19 de setembro, Suplicy participou de uma audiência pública na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, em Brasília, onde se debateu a proposta de regulamentação do cultivo e distribuição de Cannabis no país. Ele foi como testemunha viva: não apenas o político que defende a causa, mas o paciente que a vive — e que sabe, por experiência própria, o que está em jogo para quem não pode pagar pelo acesso.
Eduardo Suplicy, aos 82 anos, anunciou publicamente que foi diagnosticado com a doença de Parkinson e iniciou tratamento com Cannabis medicinal. O deputado estadual de São Paulo revelou o diagnóstico em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, transformando uma questão pessoal de saúde em argumento para uma luta política que o define há anos.
Os primeiros sinais surgiram no final de 2022, mas Suplicy não os reconheceu imediatamente como sintomas de uma doença degenerativa. Foi o geriatra Nelson Carvalhaes quem identificou o problema em estágio inicial. Depois, conversas com a neurologista Luana Oliveira, que trabalha no núcleo de Cannabis medicinal do Hospital Sírio-Libanês, ajudaram o político a nomear o que estava acontecendo: tremores nas mãos durante as refeições, dores musculares na perna esquerda e desequilíbrios que o faziam tropeçar. O diagnóstico foi confirmado — Mal de Parkinson, uma condição que afeta progressivamente o sistema nervoso central.
Em fevereiro deste ano, Suplicy importou um frasco de Cannabis industrializada e começou o tratamento. Toma cinco gotas pela manhã, cinco à tarde e cinco à noite, mantendo também a prescrição de Prolopa, medicamento convencional para Parkinson. Os resultados, segundo ele, foram significativos: a dor na perna desapareceu, os tremores melhoraram, e consegue caminhar com mais firmeza. Três vezes por semana, trabalha com uma personal trainer para manter a rotina de exercícios.
Mas a decisão de tornar público seu diagnóstico vai além do relato pessoal. Suplicy é um dos principais defensores da regulamentação da Cannabis medicinal no Brasil, e sua condição de saúde agora oferece um rosto, um nome, uma história concreta para um debate que permanecia abstrato. O medicamento que o está ajudando não está disponível no Sistema Único de Saúde. Pacientes com recursos limitados enfrentam um labirinto de obstáculos para acessá-lo, dependendo de associações terapêuticas que precisam recorrer à Justiça para conseguir autorização de uso.
Nesta terça-feira, 19 de setembro, uma audiência pública na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados em Brasília debateu a proposta de regulamentação do cultivo e distribuição de Cannabis no país. Suplicy participou do evento para compartilhar sua experiência, transformando seu caso em testemunho vivo de por que essa regulamentação importa. Não é apenas uma questão de política de drogas ou de liberdade individual — é também uma questão de acesso à saúde, de quem pode pagar por um tratamento eficaz e quem fica para trás.
Citações Notáveis
Seu estado de saúde melhorou significativamente desde o início do tratamento, com desaparecimento da dor na perna, melhora nos tremores e capacidade de caminhar com mais firmeza— Eduardo Suplicy