Stuhlberger considera Flávio Bolsonaro um candidato fraco sem projeto de governo consistente e dependente do Centrão para implementar reformas. Mercado reagiria positivamente à saída de Lula, mesmo com um governo Flávio medíocre, pela expectativa de redução nos gastos públicos.
Stuhlberger vê Flávio 'fraco' e prevê euforia na Bolsa com vitória da oposição
Só o fato de o Lula sair já dá um alívio de imaginar o governo diminuindo a expansão de gastos
Stuhlberger diz que Flávio é fraco, mas prevê euforia na Bolsa se ele vencer. Como isso faz sentido?
Não é sobre Flávio ser bom. É sobre Lula sair. O mercado está precificando a expectativa de menos gastos públicos, não a competência do próximo presidente.
Mas isso depende de Flávio realmente reduzir gastos, certo? Ou Stuhlberger está dizendo que o mercado vai subir só pela esperança?
Só pela esperança, no curto prazo. Ele é bem claro: a euforia é imediata, mas o risco maior aparece em um a dois anos.
E se Lula vencer? Stuhlberger acha que o mercado cai?
Não imediatamente. Ele acha que Lula tentaria conter gastos no início do mandato. Mas a deterioração viria depois.
Então a visão dele é que ambos os cenários têm risco — só que em prazos diferentes?
Exatamente. Com Flávio, o risco é que ele não entregue nada. Com Lula, o risco é que os gastos saiam do controle em um a dois anos.
Qual é a posição do fundo Verde nessa incerteza?
Ele mantém apenas 13% na Bolsa brasileira, com proteção de opções. E recomenda que brasileiros tenham 30% a 50% do patrimônio no exterior.
Isso é uma aposta de que o Brasil vai piorar, não é?
É uma proteção. Ele chama de "piquenique à beira do vulcão" — os juros são altos, mas os riscos de longo prazo são reais.
O Pulso
- Stuhlberger considera Flávio Bolsonaro fraco e sem projeto de governo consistente
- Bolsa brasileira tem potencial de alta de 30% versus queda de 10-12% em cenário negativo
- Verde Asset mantém 13% do patrimônio em Bolsa brasileira com proteção de opções
- Stuhlberger recomenda que brasileiros mantenham 30% a 50% do patrimônio no exterior
- Pesquisa Quaest de 21 de setembro mostra Flávio com 42% e Lula com 41% em segundo turno
Stuhlberger considera Flávio Bolsonaro um candidato fraco sem projeto de governo consistente e dependente do Centrão para implementar reformas. Mercado reagiria positivamente à saída de Lula, mesmo com um governo Flávio medíocre, pela expectativa de redução nos gastos públicos.
Luis Stuhlberger, fundador da Verde Asset, critica Flávio Bolsonaro como candidato fraco, mas prevê reação positiva do mercado de ações caso a oposição vença as eleições presidenciais.
Luis Stuhlberger, um dos maiores gestores de recursos do Brasil e fundador da Verde Asset, entrou em território político nesta quinta-feira ao avaliar o cenário eleitoral que se desenha para o país. Questionado sobre os riscos de um eventual governo Bolsonaro, ele foi direto: o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro é, em sua visão, um político fraco, sem projeto de governo estruturado. A crítica não é casual — Stuhlberger acredita que Flávio teria dificuldades reais para implementar uma agenda de reformas, provavelmente terminando dependente do Centrão para conseguir governar.
Mas aqui está o paradoxo que Stuhlberger enxerga no mercado: mesmo duvidando da capacidade de Flávio entregar um bom governo, ele prevê uma reação fortemente positiva da Bolsa caso a oposição vença. A lógica é simples e poderosa. A saída de Lula da Presidência criaria, por si só, a expectativa de que o ritmo de expansão dos gastos públicos diminuiria. Esse alívio — essa simples mudança de expectativa — seria suficiente para impulsionar as ações, independentemente de Flávio entregar ou não resultados concretos. "Mesmo que o Flávio não entregue nada muito bom, só o fato de o Lula sair já dá um alívio de imaginar o governo diminuindo a expansão de gastos", explicou.
O gestor é ainda mais otimista quando projeta o comportamento dos investidores. Ele acredita que brasileiros, estrangeiros e fundos multimercados aumentariam sua exposição às ações brasileiras em um cenário de vitória da oposição. A baixa liquidez de parte do mercado, segundo sua análise, amplificaria esse movimento de alta. Stuhlberger vê a Bolsa como um dos ativos com maior assimetria de risco-retorno neste momento: enquanto um cenário negativo poderia resultar em queda de 10% a 12%, o potencial de alta chegaria a cerca de 30%.
A disputa presidencial, vale notar, está apertada. Pesquisas recentes mostram Flávio e Lula tecnicamente empatados em simulações de segundo turno. Na Quaest divulgada no dia 21, Flávio tinha 42% e Lula 41%, dentro da margem de erro. Essa incerteza é parte do que alimenta a volatilidade que Stuhlberger identifica no mercado.
Quanto a um quarto mandato de Lula, Stuhlberger é mais pessimista que boa parte do mercado. Ele observa que investidores estrangeiros têm uma visão relativamente mais otimista, enxergando um novo governo como continuidade dos três anteriores. Mas ele não espera uma reação negativa imediata caso Lula seja reeleito — o presidente provavelmente adotaria alguma estratégia de contenção de gastos no início do mandato para evitar deterioração rápida das expectativas. O risco maior, na avaliação de Stuhlberger, apareceria em um horizonte de um a dois anos, quando uma possível desaceleração econômica combinada à deterioração das contas públicas poderia criar problemas mais sérios.
A carteira do fundo Verde reflete essa visão. Stuhlberger mantém 13% do patrimônio na Bolsa brasileira, parte dela estruturada com opções que limitam perdas em cenários negativos enquanto permitem capturar valorizações mais fortes. No exterior, o fundo tem 9% em ações americanas, além de títulos americanos protegidos contra inflação, 5% em ouro e 2% em prata. Stuhlberger é defensor de que brasileiros mantenham parte do patrimônio fora do país — ele se sentiria confortável com algo entre 30% e 50% do patrimônio no exterior, embora reconheça que o percentual depende da situação de cada investidor.
Em uma metáfora que resume sua visão, Stuhlberger comparou o CDI a um "piquenique à beira do vulcão". A expressão captura a tensão que ele vê no Brasil: juros reais elevados oferecendo retornos atraentes no curto prazo, mas com riscos de longo prazo que não devem ser ignorados. "Você está lá, tranquilo, mas torce para o vulcão não explodir", disse.
Citações Notáveis
No longo prazo, Flávio é um cara fraco, não tem um projeto de governo— Luis Stuhlberger, fundador da Verde Asset
Mesmo que o Flávio não entregue nada muito bom, só o fato de o Lula sair já dá um alívio de imaginar o governo diminuindo a expansão de gastos— Luis Stuhlberger