STJ decide esta semana se pune ministro Marco Buzzi por assédio sexual

Duas mulheres sofreram assédio sexual e importunação sexual por parte do ministro, incluindo contato físico não consentido e comentários ofensivos no ambiente de trabalho.
A aposentadoria como prêmio disfarçado de punição
O tribunal enfrenta dilema sobre se continuar permitindo que magistrados punidos recebam salário sem trabalhar.
Mark

Por que esse julgamento é tão inédito para o STJ?

Mimi

Porque é a primeira vez que o tribunal delibera se um de seus próprios ministros deve ser demitido ou aposentado compulsoriamente. Nos casos anteriores, os ministros pediram aposentadoria ou foram aposentados pelo CNJ. Desta vez, é o pleno do STJ que decide.

Mark

E qual é o dilema jurídico que complica tudo?

Mimi

O Supremo decidiu recentemente que a reforma da Previdência de 2019 extinguiu a aposentadoria compulsória remunerada como punição. Mas a PGR diz que essa decisão não é vinculante para o STJ, e que a aposentadoria ainda pode ser aplicada. O tribunal tem que escolher qual caminho seguir.

Mark

A aposentadoria compulsória é realmente uma punição?

Mimi

Essa é a questão. O magistrado continua recebendo salário proporcional ao tempo de serviço. Muitos veem isso como uma espécie de prêmio — você deixa de trabalhar mas segue ganhando. Por isso críticos questionam se é punição efetiva.

Mark

Como a defesa de Buzzi respondeu às acusações?

Mimi

Negou tudo. Argumentou que os depoimentos das vítimas são apenas "disse-me-disse" e "fofoca de gabinete", coisas comuns em qualquer ambiente corporativo. Até apresentou um laudo de disfunção erétil.

Mark

Qual é o peso das acusações contra ele?

Mimi

A Procuradoria documentou contato físico não consentido, comentários impróprios sobre atributos físicos, exibição de conteúdo sexualmente sugestivo e conduta intimidatória no ambiente de trabalho. Tudo isso entre 2023 e 2025, além de um episódio anterior com uma jovem de 18 anos.

Mark

O que vem depois do julgamento?

Mimi

Qualquer que seja a decisão, estabelecerá um precedente sobre como o Judiciário pune magistrados por violações graves dos deveres funcionais. Isso vai ecoar em casos similares nos próximos anos.

  • Duas mulheres relataram contato físico não consentido, comentários ofensivos e exposição a conteúdo sexualmente sugestivo por parte do ministro, dentro e fora do tribunal.
  • A PGR recomenda aposentadoria compulsória em manifestação de mais de 50 páginas, sustentando que autoria e materialidade das infrações foram comprovadas no processo administrativo.
  • Uma decisão recente do STF complica o cenário: o ministro Flávio Dino entendeu que a reforma previdenciária de 2019 extinguiu a aposentadoria compulsória remunerada como punição máxima para magistrados.
  • A defesa de Buzzi descartou os depoimentos das vítimas como 'disse-me-disse' e 'fofoca de gabinete', apresentou laudo de disfunção erétil e alegou conluio contra o ministro.
  • O pleno do STJ precisará decidir se segue o entendimento do Supremo ou aplica a aposentadoria compulsória, definindo assim o teto punitivo para magistrados em casos graves.

Pela primeira vez em seus 37 anos de existência, o Superior Tribunal de Justiça delibera sobre a punição de um de seus próprios ministros: Marco Buzzi, acusado de assédio e importunação sexual contra duas mulheres. O julgamento, marcado para esta quinta-feira, não apenas pesa o destino de um magistrado, mas confronta a Corte com uma questão mais ampla — o que significa, de fato, responsabilizar quem detém o poder de julgar os outros.

Na quinta-feira, o Superior Tribunal de Justiça enfrenta um momento inédito: pela primeira vez desde sua criação, em 1989, os ministros da Corte votarão sobre a punição de um colega. O julgado é Marco Buzzi, acusado de assédio e importunação sexual contra duas mulheres — uma jovem de 18 anos que passou férias em sua casa em Santa Catarina, e uma servidora de seu gabinete.

As acusações contra a segunda vítima são especialmente detalhadas: entre 2023 e 2025, Buzzi teria tocado seu corpo sem consentimento nas dependências do próprio tribunal, feito comentários sobre seus atributos físicos, exibido conteúdo sexualmente sugestivo pelo celular e mantido conduta intimidatória no ambiente de trabalho.

A Procuradoria-Geral da República defende a aposentadoria compulsória do ministro, argumentando que o processo administrativo disciplinar comprovou as infrações. Mas o STJ se vê diante de um impasse jurídico: o STF decidiu recentemente que a reforma da Previdência de 2019 extinguiu essa modalidade de punição para magistrados — uma sanção que, ironicamente, permitia ao punido continuar recebendo salário sem trabalhar. A PGR contesta que essa decisão seja vinculante para o STJ.

A defesa de Buzzi negou tudo, classificou os relatos das vítimas como 'fofoca de gabinete', apresentou laudo médico e alegou conluio. O tribunal não é estranho a escândalos: em 2004 e 2010, outros dois ministros foram afastados por condutas graves. Mas nenhum caso chegou ao ponto de um julgamento coletivo como este.

O que o pleno decidir na quinta-feira vai além do destino de Buzzi: estabelecerá o precedente sobre como o Judiciário brasileiro pune seus próprios membros quando eles falham com os mais vulneráveis.

Na quinta-feira desta semana, o Superior Tribunal de Justiça enfrentará uma decisão sem precedentes em sua história: se o ministro Marco Buzzi deve ser punido pelas acusações de assédio e importunação sexual contra duas mulheres, e se sim, como. É a primeira vez desde a criação da Corte, em 1989, que seus pares deliberarão sobre a demissão ou aposentadoria compulsória de um de seus próprios integrantes.

As acusações contra Buzzi envolvem duas mulheres. A primeira é uma jovem de 18 anos que passou as férias de janeiro na casa do ministro em Santa Catarina. A segunda trabalhou em seu gabinete. Segundo a investigação administrativa, o ministro realizou contato físico não consentido com a primeira vítima durante um episódio no mar. Com a segunda, entre 2023 e 2025, tocou seu corpo sem permissão nas dependências do próprio tribunal, fez comentários inadequados sobre seus atributos físicos, mostrou-lhe conteúdo sexualmente sugestivo em seu celular e manteve uma conduta ofensiva e potencialmente intimidatória no ambiente de trabalho.

A Procuradoria-Geral da República, em manifestação com mais de 50 páginas, defendeu que Buzzi seja aposentado compulsoriamente. A instituição argumentou que a instrução do processo administrativo disciplinar demonstrou a autoria e a materialidade das infrações funcionais, justificando a aplicação de sanção administrativa. Contudo, o tribunal enfrenta um dilema jurídico complexo. No início deste ano, o Supremo Tribunal Federal, em decisão do ministro Flávio Dino, estabeleceu que a reforma da Previdência de 2019 extinguiu a aposentadoria compulsória remunerada como a punição mais grave para magistrados. A Primeira Turma do STF entendeu que essa modalidade de castigo havia sido eliminada pelas mudanças previdenciárias.

Essa conclusão do Supremo coloca o STJ em posição delicada. A aposentadoria compulsória, historicamente, permitia que o magistrado continuasse recebendo salário proporcional ao tempo de serviço — uma característica que críticos apontam como transformar a punição em algo próximo a uma recompensa, já que o servidor deixa de trabalhar mas segue recebendo. A PGR argumenta que a decisão da Primeira Turma do STF não é vinculante para o tribunal, e que portanto a aposentadoria ainda pode ser aplicada. O pleno do STJ terá que resolver essa controvérsia jurídica.

Buzzi não é o primeiro ministro da Corte a enfrentar investigação por conduta grave. Em 2004, o ministro Vicente Leal pediu aposentadoria após ser afastado do cargo por participação suspeita em um esquema de venda de habeas corpus para traficantes. Seis anos depois, em 2010, o Conselho Nacional de Justiça decidiu aposentar o ministro Paulo Medina, que estava afastado por beneficiar empresas por meio de sentenças, particularmente em casos de liberação de máquinas caça-níqueis.

A defesa de Buzzi negou todas as acusações ao longo do processo. Em sua última manifestação antes do julgamento, os advogados do ministro questionaram o valor probatório dos depoimentos das vítimas, alegando que se tratava de "disse-me-disse" e "fofoca de gabinete" — elementos que, segundo eles, são comuns em qualquer ambiente corporativo e carecem de precisão. A defesa também apresentou um laudo de disfunção erétil e argumentou que o ministro era vítima de conluio. Os advogados sustentaram que a volatilidade e imprecisão dessas acusações colocam em xeque a possibilidade de contraditório adequado e testam os limites do exercício da defesa forense.

O julgamento de quinta-feira será observado não apenas pelo que decide sobre Marco Buzzi, mas pelo precedente que estabelece. A Corte terá que navegar entre a jurisprudência recente do Supremo e a recomendação da Procuradoria, definindo qual será a punição máxima para magistrados que violem seus deveres funcionais de forma grave. Qualquer que seja a decisão, ela moldará como o Judiciário lida com casos similares nos anos vindouros.

A instrução do PAD demonstrou que o requerido realizou contato físico não consentido com a vítima 1, em episódio ocorrido no mar e, entre os anos de 2023 e 2025, nas dependências desse STJ, tocou sem consentimento o corpo da vítima 2
— Procuradoria-Geral da República
A questão repousa notadamente em definir qual será o valor probatório do disse-me-disse, da fofoca de gabinete, do burburinho dos corredores
— Defesa de Marco Buzzi
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