Startup brasileira levanta US$ 7,3 mi para verificar identidade de agentes de IA

Um agente pode interpretar uma instrução de maneira diferente daquela imaginada pelo usuário
Mike Allan descreve o desafio central que a Beltic tenta resolver: garantir que máquinas façam o que humanos realmente pedem.
Mark

Por que agora? Por que uma startup brasileira consegue levantar US$ 7,3 milhões para resolver um problema que a maioria das pessoas ainda não sabe que existe?

Mimi

Porque os protocolos para agentes de IA começaram a ser construídos nos últimos 12 meses. Visa, Mastercard, Google — todos estão criando seus próprios padrões. A infraestrutura está sendo montada agora, e quem resolver o problema de identidade e fraude nessa transição vai estar em posição muito forte.

Luke

Mas o produto ainda está em teste. Quantos clientes realmente estão usando isso? E quando Mike diz que "uma boa parte" dos pagamentos vai ser feito por agentes, ele está falando de quando? Dois anos? Dez anos?

Mimi

Ele não dá um prazo específico. Diz que não vai ser em dois ou três anos que a maioria das transações será automatizada. Mas reconhece que certos tipos de transação — seguros, provedores de serviço, processos com automação — vão migrar para agentes.

Mark

E a Beltic consegue competir com gigantes como Google e Mastercard que estão desenvolvendo seus próprios sistemas?

Mimi

A aposta deles é ser agnóstica. Não trabalhar para um protocolo específico, mas para todos. Isso é diferente de ser a Visa ou a Mastercard, que têm incentivo em promover seu próprio padrão.

Luke

Certo, mas isso assume que os varejistas vão querer usar uma solução de terceiros em vez de integrar diretamente com os protocolos das bandeiras. Não sabemos se isso vai acontecer. E não sabemos se a Beltic vai conseguir manter essa posição agnóstica quando os gigantes começarem a pressionar.

  • Os sistemas antifraude existentes foram construídos para humanos — e agentes de IA não têm cliques, localização nem dispositivo preferido, tornando toda essa lógica obsoleta.
  • A ausência de um padrão único entre Visa, Mastercard, American Express e Google cria um labirinto de protocolos que ameaça travar a adoção de pagamentos por agentes de IA.
  • A Beltic propõe uma solução em três camadas: identificar quem está por trás do agente, confirmar sua autorização e verificar se a execução corresponde à intenção original do usuário.
  • A rodada seed de US$ 7,3 mi, liderada pela Norwest Venture Partners com participação do Oxford Seed Fund, sinaliza que investidores institucionais já enxergam urgência no problema.
  • O produto opera em modo multi-protocolo e já roda em testes com clientes, posicionando a empresa antes que o mercado de pagamentos agênticos ganhe escala real.

Quando as máquinas começarem a agir em nosso nome — comprando, contratando, pagando —, a questão de confiança se desloca do humano para o agente. A Beltic, startup fundada por um catarinense no Vale do Silício, captou US$ 7,3 milhões para construir exatamente essa ponte: uma infraestrutura capaz de verificar identidade, autorização e intenção em transações executadas por inteligência artificial. É um problema ainda embrionário, mas que antecipa uma transformação profunda na forma como a economia digital opera.

A Beltic, startup fundada pelo catarinense Mike Allan no Vale do Silício, fechou uma rodada seed de US$ 7,3 milhões liderada pela Norwest Venture Partners, com participação da Restive Ventures e do Oxford Seed Fund. O capital chega pouco mais de um ano após uma rodada pré-seed de US$ 1,5 milhão liderada pela Collide Capital, com apoio de fundos brasileiros como Latitud e Positive Ventures.

A empresa nasceu para resolver um problema que ainda não tem solução consolidada: como verificar identidade, autorização e intenção quando quem executa uma transação financeira não é um humano, mas um agente de inteligência artificial. Os sistemas antifraude dos bancos e varejistas foram todos construídos com base em comportamento humano — dispositivos, cliques, localização. Um agente de IA não oferece nenhum desses sinais.

A solução da Beltic opera em três camadas. A primeira identifica quem está por trás do agente — por meio de email cadastrado, selfie ou documento, dependendo do valor em jogo. A segunda verifica se o agente tem autorização para executar aquela ação específica. A terceira, e mais complexa, compara a intenção original do usuário com o que está sendo executado — uma salvaguarda contra interpretações inesperadas ou até alucinações do modelo.

Mike Allan fundou a Beltic ao lado de Isha Bhatnagar, americana com seis anos de experiência em verificação de clientes na Coinbase. Antes disso, Mike já havia fundado a Atar, adquirida pelo Porto há cinco anos. A empresa entra num mercado fragmentado: Visa, Mastercard, American Express e Google desenvolvem protocolos próprios para pagamentos por agentes, sem padrão unificado. A Beltic opera de forma multi-protocolo, poupando varejistas e bancos de integrações múltiplas e complexas.

Mike não prevê que a maioria das transações será feita por agentes em dois ou três anos, mas aposta que seguros, automações e processos de alto risco serão os primeiros a migrar. Para que esse futuro funcione sem falhas, será preciso uma infraestrutura que garanta a integridade de cada decisão tomada por uma máquina.

A Beltic, uma startup fundada por um brasileiro no Vale do Silício, acabou de fechar uma rodada de financiamento de US$ 7,3 milhões para construir a infraestrutura que o mundo vai precisar quando agentes de inteligência artificial começarem a fazer compras, pagar contas e executar transações financeiras em larga escala — em nome de pessoas e empresas. A rodada foi liderada pela Norwest Venture Partners, um fundo de capital de risco americano com US$ 1 bilhão em ativos sob gestão, e contou com a participação da Restive Ventures e do Oxford Seed Fund, ligado à Universidade de Oxford. É a segunda rodada da empresa em pouco mais de um ano: em 2025, a Beltic havia levantado US$ 1,5 milhão em uma rodada pré-seed liderada pela Collide Capital, com apoio de fundos brasileiros como Latitud e Positive Ventures, além de investidores-anjo.

O desafio que a Beltic está tentando resolver é fundamental e ainda pouco explorado. Os sistemas de prevenção a fraude e autenticação que os bancos e varejistas usam hoje foram todos construídos com um pressuposto: o usuário é um ser humano. Quando um banco detecta uma transação suspeita, ele analisa sinais de comportamento humano — o dispositivo usado, a velocidade dos cliques, a localização geográfica, padrões de compra. Mas um agente de IA não clica. Não tem localização. Não tem dispositivo preferido. A lógica é completamente diferente, e ninguém ainda construiu os guardrails para isso.

Mike Allan, cofundador da Beltic, explica que a solução funciona em três camadas. A primeira é identificar quem realmente está por trás do agente que está fazendo a transação — pode ser algo simples, como o sistema pedir que o agente mostre o email do usuário cadastrado naquele banco ou loja, ou algo mais robusto, como solicitar uma selfie ou foto de documento quando o valor é alto. A segunda camada verifica se o agente realmente tem autorização para executar aquela ação específica, analisando o protocolo que ele está usando. A terceira é a mais complexa: garantir que o que foi executado corresponde de fato ao que o usuário pediu.

Essa terceira camada existe porque agentes de IA podem interpretar instruções de maneiras inesperadas. Comprar uma passagem aérea, contratar um seguro ou adquirir qualquer produto envolve dezenas de atributos que o usuário talvez nunca tenha mencionado explicitamente. Um agente pode fazer uma escolha que, tecnicamente, atende à instrução, mas não é o que o usuário realmente queria. Em casos extremos, o agente pode até alucinar — gerar informações falsas — no meio do caminho. O sistema da Beltic compara a intenção original com o que está sendo executado e, se identifica algo estranho, gera um sinal de risco ou bloqueia a transação.

Mike Allan nasceu em Timbó, no interior de Santa Catarina, e fundou a Beltic junto com Isha Bhatnagar, uma americana que passou seis anos na Coinbase trabalhando justamente com verificação de clientes. Antes da Beltic, Mike já havia fundado outra startup, a Atar, que foi adquirida pelo Porto cinco anos atrás. A empresa está entrando num mercado que mal começou a existir. Nos últimos 12 meses, bandeiras de cartão, empresas de pagamento e gigantes de tecnologia começaram a construir protocolos próprios para permitir que agentes de IA interajam com sistemas de varejo e pagamentos. O problema é que não existe um padrão único. A Visa tem seu protocolo, a Mastercard tem outro, a American Express tem o seu, e o Google desenvolve os seus próprios padrões. Para um varejista, aceitar pagamentos feitos por agentes de IA pode exigir integração com múltiplos protocolos diferentes — o que é extremamente complexo.

A Beltic trabalha de forma multi-protocolo, permitindo que lojas virtuais e bancos interajam com os diversos padrões sem precisar construir uma solução própria. O produto já está rodando em testes com alguns clientes. Apesar da velocidade com que a inteligência artificial está evoluindo, Mike não acredita que em dois ou três anos todas as transações — ou nem mesmo a maioria delas — serão feitas por agentes de IA. Mas ele prevê que uma parcela significativa dos pagamentos será executada por agentes. E-commerce é um espaço onde muitas pessoas gostam de navegar e escolher manualmente. Mas encontrar um provedor de serviços, contratar um seguro, processar pagamentos que envolvem automação — tudo isso será feito por agentes. Muitos sistemas vão ser automatizados, com pagamentos, decisões e ações de alto risco sendo executados por máquinas. E para isso funcionar sem erros, vai ser preciso ter uma infraestrutura que garanta a integridade de cada transação.

O nosso sistema compara a intenção original com o que está sendo executado e, se identificamos algo estranho, geramos um sinal de risco ou bloqueamos a transação.
— Mike Allan, cofundador da Beltic
Uma boa parte dos pagamentos vai ser feito por agentes de IA. E-commerce tem gente que gosta de fazer, de navegar. Mas achar um provedor, um seguro, ou processos de pagamentos que envolvem uma automação, tudo isso vai ser feito por agentes de IA.
— Mike Allan
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