SpaceX atinge avaliação de US$ 150 bi e ultrapassa Boeing no setor aeroespacial

Uma avaliação de US$ 150 bilhões exige lucros bilionários que ainda não existem
A SpaceX precisa demonstrar que consegue transformar receita em lucro na escala que sua avaliação pressupõe.

No silêncio de uma oferta privada, a SpaceX de Elon Musk alcançou uma avaliação de US$ 150 bilhões em julho de 2023, destronando Boeing e Raytheon Technologies como a empresa aeroespacial mais valiosa do mundo — tudo isso sem revelar um único balanço financeiro ao público. O valor repousa, em grande medida, sobre o Starlink, o serviço de internet via satélite que cresce a passos largos, e sobre a fé coletiva de investidores na visão de um homem que já provou, mais de uma vez, ser capaz de redefinir indústrias inteiras. A pergunta que a história fará, com o tempo, é se a realidade operacional da empresa conseguirá habitar a grandiosidade que o mercado já lhe atribuiu.

  • Sem abrir seus livros contábeis ao mundo, a SpaceX vendeu ações a US$ 81 cada e saltou US$ 10 bilhões em valor de mercado em uma única operação privada.
  • Boeing e Raytheon — gigantes com décadas de contratos governamentais e bilhões em lucro declarado — foram ultrapassadas por uma empresa que ainda não precisa prestar contas públicas de seus resultados.
  • O Starlink, com um milhão de assinantes em 2022 e projeção de dobrar em 2023, é o motor que sustenta a avaliação, podendo gerar entre US$ 2,5 e US$ 3 bilhões em receita anual.
  • A receita de lançamentos de foguetes — quase um por semana — permanece opaca, dependente de contratos comerciais não divulgados, tornando difícil qualquer projeção confiável.
  • Para justificar US$ 150 bilhões, a SpaceX precisará demonstrar lucros na casa dos bilhões, algo que a Raytheon já faz com US$ 8,3 bilhões projetados em lucro líquido.
  • Por enquanto, o preço das ações reflete o que um círculo restrito de investidores privados está disposto a pagar — e a pergunta que paira é se a ambição da avaliação sobreviverá ao encontro com os números reais.

A SpaceX tornou-se, em julho de 2023, a empresa aeroespacial mais valiosa do planeta. Em uma oferta secundária de ações vendidas a US$ 81 cada, a companhia de Elon Musk atingiu uma avaliação de US$ 150 bilhões — um salto de US$ 10 bilhões — e deixou para trás Boeing e Raytheon Technologies, ambas com ações negociadas publicamente em bolsa. A SpaceX não comentou a operação.

O paradoxo central do feito é que a empresa não divulga seus números financeiros. Não há balanços trimestrais nem demonstrações de resultado. Ainda assim, analistas conseguem identificar a origem desse valor: o Starlink. O serviço de internet via satélite encerrou 2022 com um milhão de assinantes e deve dobrar esse número ao longo de 2023, o que colocaria a receita anual do serviço entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3 bilhões.

Há também a receita de lançamentos — a SpaceX coloca um foguete no espaço quase toda semana, alguns para clientes pagantes, outros para seus próprios satélites. Mas essa fonte é mais difícil de mensurar, pois depende de contratos comerciais que não são tornados públicos.

O desafio que se impõe é proporcional à ambição da avaliação. Uma empresa avaliada em US$ 150 bilhões precisa gerar lucros bilionários para sustentar esse patamar. A Raytheon, por comparação, projeta US$ 8,3 bilhões em lucro líquido. A SpaceX ainda não demonstrou publicamente que consegue operar nessa escala. Por enquanto, o valor da empresa repousa sobre expectativas futuras e na confiança que investidores privados — os únicos com acesso às suas ações — depositam na visão de longo prazo de Musk.

A SpaceX acaba de se tornar a empresa mais valiosa do setor aeroespacial do planeta. Em uma oferta secundária de ações, a companhia de foguetes de Elon Musk atingiu uma avaliação de mercado de US$ 150 bilhões — um salto de US$ 10 bilhões em relação ao valor anterior — e com isso ultrapassou gigantes como Boeing e Raytheon Technologies, ambas negociadas em bolsa de valores. Cada ação foi vendida a US$ 81, segundo informações da CNBC. A SpaceX não comentou publicamente a operação.

O feito é notável em parte porque a empresa não divulga seus números financeiros. Não há balanços trimestrais, não há demonstrações de resultado. Mesmo assim, investidores e analistas conseguem inferir de onde vem esse valor astronômico: o Starlink, o serviço de internet via satélite que a SpaceX opera. Ao final de 2022, o Starlink tinha um milhão de assinantes. As projeções indicam que esse número dobraria ao longo de 2023. Se a empresa realmente atingisse dois milhões de clientes, mantendo os preços atuais do serviço, o Starlink geraria entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3 bilhões em receita anual.

Mas o Starlink não é toda a história. A SpaceX também ganha dinheiro lançando foguetes. A empresa coloca um foguete no espaço quase toda semana. Alguns desses lançamentos são contratados por clientes que pagam pelo serviço. Outros são operações internas, quando a SpaceX coloca seus próprios satélites em órbita. Essa fonte de receita é mais opaca, mais difícil de prever, porque depende de contratos comerciais que não são divulgados.

Aqui está o problema: uma avaliação de US$ 150 bilhões exige que a empresa gere lucros bilionários. A Raytheon Technologies, para efeito de comparação, está projetada para ter US$ 8,3 bilhões em lucro líquido e US$ 6,5 bilhões em fluxo de caixa livre. A SpaceX precisa demonstrar que consegue transformar sua receita em lucro de escala semelhante. Por enquanto, a empresa não divulga esses números, o que deixa a avaliação repousando em grande medida sobre expectativas futuras e na confiança que investidores depositam na visão de Elon Musk para o negócio.

As ações da SpaceX não são negociadas em bolsa pública. Quem quer comprar papéis da empresa pode fazê-lo diretamente com a companhia ou através de plataformas de investimento privado. Isso significa que o preço de US$ 81 por ação reflete o que um grupo restrito de investidores — aqueles com acesso a esses canais — está disposto a pagar neste momento. À medida que o Starlink cresce e os lançamentos comerciais se multiplicam, a questão que paira é se a realidade operacional da SpaceX conseguirá acompanhar a ambição embutida em sua avaliação.

A companhia não divulga informações financeiras, mas o serviço de internet via satélite Starlink deve ser o responsável por grande parte do valor de mercado atual
— Análise de mercado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como uma empresa que não divulga seus números consegue ser avaliada em US$ 150 bilhões?

Model

Porque o Starlink é visível. Um milhão de pessoas pagam mensalmente por internet via satélite. Os analistas conseguem estimar a receita. E Elon Musk tem histórico de entregar em escala — Tesla, PayPal antes disso. Os investidores estão apostando na trajetória, não em balanços.

Inventor

Mas US$ 2,5 a 3 bilhões em receita do Starlink não justifica US$ 150 bilhões de avaliação, certo?

Model

Não justifica hoje. Justifica se o Starlink crescer para 5, 10 milhões de assinantes. E se os lançamentos comerciais gerarem bilhões adicionais. A avaliação é um voto de confiança no futuro.

Inventor

E se não crescer assim?

Model

Então a avaliação cai. A SpaceX não tem a proteção de ser pública — não há analistas de Wall Street monitorando cada trimestre. Mas também não tem a pressão de reportar resultados ruins. É um risco concentrado.

Inventor

Por que a Boeing não consegue acompanhar?

Model

A Boeing é uma empresa madura com margens apertadas. Ganha dinheiro, mas não cresce exponencialmente. A SpaceX ainda está em modo de expansão, ainda está provando que pode escalar. Mercados pagam prêmio por crescimento.

Inventor

Então tudo depende do Starlink?

Model

Principalmente. Os lançamentos comerciais importam, mas são mais imprevisíveis. O Starlink é o negócio que você consegue ver crescendo mês a mês.

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