No coração histórico de Manaus, um festival transformou quarteirões em palcos compartilhados por vozes do Norte e do Sul do país. O Sou Manaus Passo a Paço 2026 não é apenas entretenimento — é um argumento vivo de que a cultura amazônica merece circular além de suas fronteiras. Com mais de 100 mil pessoas reunidas numa única noite, a cidade afirmou seu apetite por pertencimento cultural e por ser vista.
Sou Manaus reúne Léo Santana, Felipe Ret e Ana Castela em terceira noite de festival
Eu canto para que isso tudo mude, para que a gente consiga mais oportunidades
Por que essa noite específica importa? Parece um festival como outro qualquer.
Porque junta artistas locais que estavam circulando pelo Sudeste com o público de casa. Victor Xamã e Tucumanus levaram um espetáculo para São Paulo e agora trazem de volta. Isso não é comum.
Mas a gente sabe que 100 mil pessoas é uma estimativa da prefeitura, certo? Não há contagem independente.
Verdade. É o que a administração municipal divulgou. Mas o número importa menos que o fato de que o festival está funcionando como um espaço onde a cultura local ganha visibilidade.
E os artistas nacionais? Léo Santana, Felipe Ret, Ana Castela — eles são o atrativo principal?
São parte importante, mas não a única. A noite tinha múltiplos palcos, múltiplas linguagens. Tinha dança, tinha batalhas de MCs, tinha cultura urbana.
Mas a gente não tem números sobre quantas pessoas foram ver cada atração. Não sabemos se o público foi mais para os nacionais ou para os locais.
Não, não temos. O que temos é que artistas locais como Victor Xamã estão falando sobre a necessidade de mais oportunidades para profissionais de cultura na região.
E as pessoas que foram? Como reagiram?
Elaine Nascimento aprovou, apesar do calor. Rosemeire Martins achou que faltaram atrações para o público mais velho, mas pretende voltar.
Duas pessoas. Duas perspectivas. Não é uma amostra representativa, mas é o que temos de feedback direto.
O festival continua até quando?
Até 13 de setembro. Ainda há mais noites de programação.
Der Puls
- Mais de 100 mil pessoas tomaram o Centro Histórico de Manaus na terceira noite do festival, com expectativa de crescimento de 30% a 40% nas noites seguintes.
- Artistas locais como Victor Xamã e a banda Tucumanus trouxeram de volta para casa um espetáculo que havia sido apresentado no Festival João Rock, em São Paulo, tensionando a questão de quem tem acesso a grandes palcos no Brasil.
- Victor Xamã usou o microfone para ir além da música: defendeu mais oportunidades para profissionais de cultura do Norte em áreas como cinema, jornalismo e moda.
- Frequentadoras do festival apontaram tensões reais — o calor, a concentração de atrações voltadas ao público jovem e a percepção de que ainda há espaço para melhorias na curadoria.
- O evento segue até 13 de setembro, movimentando a economia local com vendedores e permissionários enquanto distribui programação por múltiplos palcos no Centro Histórico.
No coração histórico de Manaus, um festival transformou quarteirões em palcos compartilhados por vozes do Norte e do Sul do país. O Sou Manaus Passo a Paço 2026 não é apenas entretenimento — é um argumento vivo de que a cultura amazônica merece circular além de suas fronteiras. Com mais de 100 mil pessoas reunidas numa única noite, a cidade afirmou seu apetite por pertencimento cultural e por ser vista.
Na terceira noite do Sou Manaus Passo a Paço 2026, o Centro Histórico de Manaus deixou de ser apenas cenário para se tornar palco. Léo Santana, Felipe Ret e Ana Castela dividiram o festival com músicos, dançarinos e grupos locais espalhados por diferentes espaços — dança, música regional e cultura urbana convivendo nos mesmos quarteirões.
O Palco Malcher abriu com DJs e seguiu com figuras dos bois-bumbás, antes de receber um encontro carregado de significado: a banda Tucumanus ao lado do rapper Victor Xamã. Semanas antes, os dois haviam apresentado esse mesmo espetáculo no Festival João Rock, no interior de São Paulo. Agora voltavam para casa. Para Victor Xamã, o retorno não era apenas simbólico — era uma oportunidade de defender em voz alta mais espaço para os profissionais de cultura do Norte, não só na música, mas no cinema, no jornalismo, na moda. Clóvis Rodrigues, vocalista da Tucumanus, celebrou a chance de mostrar a cultura amazonense a novos públicos e de trazê-la de volta amplificada para um festival do tamanho do Sou Manaus.
Enquanto isso, outros palcos multiplicavam a programação: Dead Fish, Gloria Groove e Duquesa no Palco Alfândega; batalhas de MCs, break e All Style na Casa da Cultura Urbana. O calor de Manaus fez parte da experiência — e também das conversas. Elaine Nascimento, na terceira edição seguida do festival, reconhecia espaço para melhorias mas defendia o evento como necessário para a cultura regional. Rosemeire Martins, 50 anos, sentiu falta de atrações para sua faixa etária, mas já planejava voltar na noite seguinte.
O festival segue até 13 de setembro, movimentando a economia local e reafirmando, noite após noite, que Manaus tem muito a dizer — e que está disposta a reunir a cidade inteira para ouvir.
No domingo à noite, o Centro Histórico de Manaus transformou-se em um grande palco aberto. Era a terceira noite do Sou Manaus Passo a Paço 2026, e a cidade recebia simultaneamente shows de artistas nacionais como Léo Santana, Felipe Ret e Ana Castela, além de apresentações de músicos e grupos locais espalhados por diferentes espaços do festival. Dança, música regional, cultura urbana — tudo convivendo nos mesmos quarteirões.
Os números que a Prefeitura divulgou dizem algo sobre o alcance do evento. No sábado anterior, mais de 100 mil pessoas circularam pelo festival. O prefeito Renato Júnior, em coletiva de imprensa, apostou que a noite de domingo traria entre 30% e 40% mais gente. Era uma aposta otimista sobre o apetite de Manaus por programação cultural concentrada.
No Palco Malcher, a noite começou com os DJs P1R4NH4S e seguiu com apresentações ligadas aos bois-bumbás: Caetano Medeiros, amo do Boi Caprichoso, e David Assayag, levantador de toadas do Boi Garantido. Depois vieram a ArtFactory com uma performance de dança, e então um encontro que marcava o retorno de um projeto recente: a banda Tucumanus ao lado do rapper manauara Victor Xamã. Os dois haviam apresentado esse mesmo espetáculo semanas antes no Festival João Rock, no interior de São Paulo. Agora traziam de volta para casa.
Para Victor Xamã, cantar em Manaus ao lado de uma banda que o acompanha há anos carregava peso. Ele falou sobre a importância de levar a produção cultural do Norte para outros espaços do país, mas também defendeu algo mais amplo: mais oportunidades para profissionais de diferentes áreas da cultura na região — não apenas música, mas jornalismo, cinema, moda. "Eu canto para que isso tudo mude, para que isso tudo melhore e para que a gente consiga mais oportunidades", disse. Clóvis Rodrigues, vocalista da Tucumanus, ecoou a satisfação. Para ele, a parceria permitiu mostrar parte da cultura amazonense para novos públicos no Sudeste, e agora voltavam com o mesmo espetáculo em um festival do tamanho do Sou Manaus. "É uma oportunidade muito massa de mostrar para a galera presente um pouco do nosso trabalho e da nossa história."
Depois das apresentações locais, o Palco Malcher recebeu os nomes nacionais. Nos outros espaços do Centro Histórico, a programação se multiplicava: no Palco Alfândega, Dead Fish, Duquesa, Gloria Groove e DJs; no Palco Mangueirão, Neto Barroncas, Tatá Jatobá, Luís Carlos, Gabriel Gonçalves, Tomi Xote e Banda Impakto. A Casa da Cultura Urbana concentrou atividades de batalhas de All Style, batalhas Kidz, batalhas de MCs e cypher de break.
O calor de Manaus também fez parte da experiência. Elaine Nascimento, administradora que estava no festival pela terceira vez, brincou sobre as altas temperaturas enquanto aprovava a programação. Ela considerava o Sou Manaus necessário para fortalecer a cultura da região e apoiava o evento, embora reconhecesse que havia espaço para melhorias. Rosemeire Martins da Silva, de 50 anos, que frequenta o festival todos os anos com o marido e familiares, teve uma leitura diferente. Para ela, esta edição concentrou mais atrações voltadas ao público jovem, deixando menos opções para sua faixa etária. Mesmo assim, planejava voltar na segunda-feira para ver Nathanzinho. O festival também movimentou a economia local: vendedores de comidas, bebidas, brinquedos e outros produtos ocupavam os espaços montados para receber o público.
O Sou Manaus Passo a Paço 2026 segue até 13 de setembro, com programação distribuída pelo Centro Histórico. A terceira noite havia deixado claro que o festival funcionava como um espaço onde artistas locais e nacionais convivem, onde a cultura regional ganha palco ao lado de nomes que circulam pelo país, e onde a cidade inteira, apesar do calor, se reúne para ouvir.
Bemerkenswerte Zitate
Eu canto para que isso tudo mude, para que isso tudo melhore e para que a gente consiga mais oportunidades. Quando eu falo isso, não é só sobre a música, mas desde o jornalismo, cinema, moda e todas essas pontas que fazem a nossa cultura ser enxergada para o mundo inteiro— Victor Xamã, rapper manauara
Eu acredito que o Sou Manaus é um evento necessário para fortalecer a cultura. Acho supernecessário esse tipo de evento e eu apoio— Elaine Nascimento, administradora