Nós tiramos fotos com pessoas que nem sabemos quem são
Sóstenes Calvacante sugere que a imagem pode ser deepfake ou que Flávio teria tirado foto sem saber quem era o homem. ICL Notícias afirma ter submetido foto a cinco ferramentas de detecção e não encontrou indícios de manipulação por IA.
- Foto divulgada pelo ICL Notícias em julho de 2026 mostra Flávio Bolsonaro ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão
- Imagem foi registrada em 2022 em hotel na zona sul do Rio de Janeiro
- ICL testou foto em cinco ferramentas de detecção e não encontrou indícios de manipulação por IA
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão faleceu em 2024 após tentar contra a própria vida sob custódia da Polícia Federal
Líder do PL questiona autenticidade de foto que mostraria senador Flávio Bolsonaro ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Flávio nega conhecer o homem apontado por ações violentas.
Uma fotografia divulgada pelo portal ICL Notícias reacendeu uma disputa sobre fatos e interpretações no caso que envolve o senador Flávio Bolsonaro e a morte de um homem conhecido como Sicário. A imagem, segundo o ICL, foi capturada em 2022 em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro e mostra Flávio ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, acusado de intimidação e violência a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Sóstenes Calvacante, líder do PL na Câmara dos Deputados, saiu em defesa do colega de partido questionando tanto a autenticidade da imagem quanto sua relevância. Em conversa com o Metrópoles, o deputado sugeriu que a foto poderia ser um produto de inteligência artificial ou, caso fosse genuína, não provaria que Flávio conhecia a identidade do homem ao seu lado. "É uma foto que ele pode ter tirado sem saber quem era. Nós, que somos figuras públicas, tiramos fotos em todos os lugares e a todo momento, às vezes até com pessoas que nem sabemos quem são", argumentou Sóstenes.
O ICL respondeu às dúvidas sobre a autenticidade da imagem afirmando ter submetido a fotografia a cinco ferramentas diferentes de detecção de manipulação por inteligência artificial. O portal declarou não ter encontrado indícios de que a imagem tivesse sido produzida sinteticamente. Flávio, por sua vez, negou conhecer Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e emitiu uma nota ressaltando que, como figura pública e popular, recebe constantemente pedidos de pessoas para fotografias nas ruas.
O contexto que dá peso a essa disputa é a morte de Sicário. Em abril deste ano, a Polícia Federal concluiu um inquérito investigando as circunstâncias em que Mourão atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia da corporação. O relatório foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que conduz as investigações relacionadas ao caso Banco Master. Mourão não resistiu ao episódio e faleceu dias após ser transferido para um hospital em Belo Horizonte.
A fotografia, portanto, não é apenas uma imagem. Ela é um ponto de tensão em uma investigação maior que envolve acusações de intimidação, ações violentas, morte sob custódia estatal e conexões entre figuras públicas e pessoas acusadas de crimes graves. O que Sóstenes trata como um detalhe trivial da vida de uma personalidade pública — uma foto com alguém cujo rosto não se reconhecia — é exatamente o tipo de conexão que investigadores buscam quando tentam mapear redes de influência e responsabilidade.
Notable Quotes
É uma foto que ele pode ter tirado sem saber quem era. Nós, que somos figuras públicas, tiramos fotos em todos os lugares e a todo momento, às vezes até com pessoas que nem sabemos quem são— Sóstenes Calvacante, líder do PL na Câmara
Como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas para tirar fotos pelas ruas— Nota do senador Flávio Bolsonaro
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Sóstenes escolheu questionar a autenticidade da foto em vez de simplesmente não comentar?
Porque o silêncio teria deixado a imagem falar sozinha. Ao colocar dúvida sobre ela — seja como deepfake, seja como foto inocente — ele oferece ao senador uma saída narrativa.
A defesa dele é convincente? Que pessoas públicas realmente não sabem com quem estão fotografando?
É plausível, sim. Mas plausibilidade não é o ponto. O ponto é que a foto existe num contexto de morte, investigação e acusações de violência. Uma foto inocente num vácuo é uma coisa. Essa foto é outra.
O ICL testou a imagem em cinco ferramentas. Isso encerra a questão?
Tecnicamente, sim — a imagem não é sintética. Mas Sóstenes não está realmente discutindo tecnologia. Ele está oferecendo interpretações alternativas para o que a imagem significa.
E se Flávio realmente não conhecia o homem?
Então a foto é apenas uma coincidência. Mas coincidências ganham peso quando alguém morre sob custódia estatal e investigadores estão mapeando conexões.
Qual é o risco real para Flávio aqui?
Não é a foto em si. É o que ela sugere sobre quem ele conhecia e quando conheceu. Num caso sobre intimidação e violência, essas conexões importam.